Baixa autoestima como sustentáculo do consumo
Em artigo no O POVO deste sábado (2), o editor-adjunto do Núcleo de Conjuntura do O POVO, Luiz Henrique Campos, destaca compras e dívidas vêm em momentos de ansiedade e impulso. Confira:
O Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) divulgou nesta semana interessante estudo sobre os hábitos de compra do brasileiro e os reflexos disso na inadimplência. Um ponto, talvez o mais importante, aponta que a ansiedade e a insatisfação com a aparência estimulam as compras por impulso e elevam o risco de calote pelos consumidores.
De acordo com o levantamento, 85% dos entrevistados disseram adquirir bens por impulso e 43% admitiram comprar em momentos de ansiedade, tristeza e angústia.
Com relação ao que leva alguém a concretizar essas compras, fica claro que os motivos podem até ser diferentes em termos de classes sociais, mas invariavelmente todos os públicos são levados por fatores emocionais a gastar. No caso do público A e B, a ansiedade em relação a eventos que se aproximam, como festas, jantares e viagens, representa o principal motivo para as compras sob impulso. Já os enquadrados nas classes C e D, no entanto, revelam insatisfação com a própria aparência e a necessidade de exibir estilo de vida não condizente com a renda.
É bem verdade que o aumento da renda e da oferta de crédito são fatores fundamentais para o aumento do consumo. Mas, ao admitir que compra impulsionado pela emoção, o brasileiro está admitindo pouco ou quase nenhuma preocupação com o aspecto financeiro.
A pesquisa constata claramente essa verdade, ao detectar que 74% dos entrevistados não têm nenhum investimento, e 42% admitiram gastar tudo o que ganham, sem poupar nada. Nas classes A e B, 28% dos consumidores não conseguem guardar dinheiro, contra 53% nas classes C e D. E aí, portanto, não adiantam os velhos conselhos em forma de chavão, como nunca gastar mais do que ganha, evitar despesas supérfluas e guardar dinheiro para imprevistos, como desemprego e problemas médicos. O reflexo dessa situação tem sido quase sempre o endividamento e a dificuldade desses compradores para se manterem financeiramente saudáveis. Esse talvez seja um dos males de uma sociedade como a nossa, que entra agora em novo patamar de consumo com melhora do padrão de vida. E, para isso, o único remédio é a terapia, ou de forma mais drástica, a ruína financeira.
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