sábado, 5 de maio de 2007

[Educação] Qualidade do ensino é questionada

Matéria veiculada no jornal de fato, mostra o péssimo desempenho dos bachareis no exame da OAB/RN E questiona a qualidade das faculdades privadas de Mossoró.

Leia:

O percentual de 70% de reprovação dos bacharéis que prestaram exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) põe em xeque a qualidade da educação privada de Mossoró. Dos 557 inscritos, 132 são daqui, oriundos dos cursos de Direito da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), Universidade Potiguar (UnP) e Faculdade Mater Christi. Somente da Uern, foram 39 que prestaram o exame, dos quais 23 passaram à segunda fase. Da UnP, de 46 que participaram do processo, apenas seis tiveram aprovação. E da Mater Christi, de 24 inscritos, três vão para a segunda etapa. Em outras palavras, esse resultado evidencia que existe algo de errado no processo ensino/aprendizagem, principalmente, nas unidades particulares de ensino superior.

Os responsáveis pelos cursos de Direito da UnP e Mater Christi rebatem afirmação do presidente da OAB de Mossoró, Humberto Fernandes, que, analisando o resultado, disse que a culpa pelo índice negativo seria da qualidade de ensino. O professor Marcelo Roberto, diretor do curso de Direito da Universidade Potiguar, enfatiza que é preciso analisar o conjunto: “Temos uma universidade que não forma para o Exame da Ordem, e sim bacharéis. Outro aspecto é que no exame de 2006, 65% dos nossos bacharéis foram aprovados na primeira fase. Neste ano, o que sobressaiu foi que o aluno não tem base sólida, mas o presidente da OAB, que também é professor, sabe que a culpa não é de quem ensina”, comenta.

Nesse raciocínio, Marcelo Roberto enfatiza que Mossoró apresenta o melhor corpo docente na área jurídica do Rio Grande do Norte, e afirma: “A falta de bom desempenho deve ser creditada ao aluno.” Segundo ele, o Exame da Ordem não tem concorrência e o resultado depende exclusivamente de quem participa. “Temos que ser sinceros: temos alunos que estão apenas querendo o diploma.”

Marcelo Roberto ainda diz que o profissional do Direito deve estar atento às mudanças da legislação. O professor discorre que o aluno paga as disciplinas, mas não procura se atualizar, e quando chega o Exame da Ordem, o assunto estudado praticamente está obsoleto. “O profissional precisa estar em constante atualização.”

Sobre a alegação do presidente da OAB de que as universidades precisam ver a questão da seleção dos estudantes e que existiam alunos com deficiência gramatical, Marcelo Roberto diz que não pode haver esse pensamento. Para ele, o problema não é a entrada, mas a saída do aluno da faculdade. Diz que não é pelo fato de uma pessoa ter concluído o ensino médio através de supletivo que não terá acesso à universidade. “O problema é o aluno sair da universidade sem saber escrever direito. Aí, sim, a culpa será do curso e do professor”, afirma.

Sobre o resultado do exame propriamente dito, o diretor do curso de Direito da UnP frisa que o percentual não é bom, mas que é preciso ver que boa parte dos que prestaram o exame neste ano são remanescentes de 2006 e anos anteriores. “Tem aluno que está se submetendo ao exame pela décima vez, e as questões do exame são atualizadíssimas e a OAB não permite que aventureiros lidem com o direito de terceiros. Na carreira jurídica sempre vai existir seleção”, afirma.

‘É fácil jogar a culpa no aluno’, diz professor
O exame da OAB é praticamente um concurso, afirma o coordenador do curso de Direito da Mater Christi, professor Iure Paiva. Nesse sentido, o problema do baixo percentual na aprovação dos bacharéis, para ele, não estaria exclusivamente na qualidade do ensino. Até porque a aprovação, diz, depende exclusivamente do candidato. Contudo, Paiva levanta três fatores que poderiam melhorar esse resultado: projeto político pedagógico, maior capacitação dos professores e despertar nos alunos a necessidade de superar o exame da OAB.

“É muito fácil jogar a culpa somente no aluno, mas também a culpa não pode ser somente do professor
. Até porque se o profissional está em sala de aula, é porque tem capacidade para tal. É preciso o comprometimento do aluno em sala de aula e o desenvolvimento do projeto político pedagógico do curso”, analisa Iure.


Apesar de não culpar os alunos diretamente, o professor comenta que a realidade é que os cursos de Direito sempre ficam na berlinda quando sai o resultado do exame da OAB. Diz que, se não houver comprometimento do aluno, obviamente o resultado não será bom.

Iure Paiva comenta que o estudante deve concluir o curso e se preparar para o exame de Ordem. Essa metodologia, contudo, não tem sido cumprida. O coordenador explica que os cursos de Direito estão se adaptando às exigências da OAB, e diz que a melhor maneira é engajar os alunos na conscientização da importância de obter bom resultado, bem como voltar o projeto político pedagógico para o aspecto do exame de Ordem.


Iure concorda com o professor Marcelo Roberto sobre a presença de aventureiros nos cursos, e afirma que essa realidade não é apenas em Direito. “Muitos fazem faculdade sem o comprometimento em seguir carreira jurídica. Alguns fazem o curso para agregar conhecimento”, diz.

Vice-reitor diz que resultado é satisfatório


Os 59% de aprovação no Exame da OAB deixam a Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) em situação privilegiada sobre as demais instituições de ensino superior (IES). O vice-reitor, professor-doutor Aécio Cândido de Sousa, afirma que, de 39 inscritos 23 serem aprovados, o fato se constitui em satisfação. Contudo, acha que não é motivo para soltar fogos. Ele afirma que o percentual da Uern foi acima da média nacional, que ficou em 33%.

Para Aécio, esse resultado estimula para que o desempenho dos bacharéis formados pela Uern seja melhor a cada ano, além de vislumbrar a concretização de um projeto que vem sendo tentado há algum tempo: o mestrado interinstitucional. “É difícil trazer (o curso) de fora para ser dado aqui, mas tem sido difícil conseguir a instituição”, comenta.


O vice-reitor informa que se trabalha com a possibilidade de atrair a Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), que está em negociação com a Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). Segundo Aécio, já se iniciou uma conversa nesse sentido, e que a Uern tentará firmar essa parceria.

O problema é encontrar, no Nordeste, IES que possa fazer esse tipo de parceria. O vice-reitor ainda informa que a universidade que dará o curso tem que estar com o conceito 5. “Tentamos com o Ceará, que tinha conceito 5, mas só existia o mestrado. Na avaliação seguinte do MEC, eles não conseguiram manter e o conceito caiu para 4”, informa, acrescentando que se tentou também com a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), que tem nível bom, mas que estava trabalhando com três universidades.

NOTA DESTE BLOG: O número de faculdades de direito no Brasil quase dobrou nos últimos dois anos, em 2004 existiam 700, atualmente, já são 1038 cursos de direito, segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais ( INEP). Sabemos que a maioria desses cursos não incentiva a formação humanista e geral dos bacharéis, também não qualifica o profissional para o mercado de trabalho, como comprova o índice de reprovação no último exame da ordem em todo o Brasil. No Rio Grande do Norte, já são 13 cursos de Direito oferecidos pelas universidades e faculdades locais, muitos deles com desempenho questionável e precisam ser revistos.

1 comentários:

Tiago Branco

Muito bom seu blog!
Gostei da discussão, mas não percebi de modo objetivo a sua posição a respeito, sendo assim, pergunto, de quem é a culpa, se é possível depositar a mesma em alguém ou em todos?
Na seqüência questiono ainda algumas afirmações dos interlocutores, mas isto é para um próximo comentário!
Parabéns pela iniciativa e espero que como eu, não deixe este espaço no esquecimento, pois já criei muitos blogs que nem lembro as senhas!

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