sábado, 13 de julho de 2013

Malala Yousafzai: “Uma criança, um professor, um livro e uma caneta podem mudar o mundo”

LI NO PORTAL TERRA

No dia em que completou 16 anos, a paquistanesa Malala Yousafzai discursou diante de uma plateia de líderes e de jovens de todo o mundo na ONU.
“Estar entre pessoas tão honradas é um grande momento em minha vida”, disse, no evento que foi batizado “Dia de Malala”.
Inspiradas pela jovem que sobreviveu a um atentado no Talebã, meninas no norte do Paquistão têm voltado a frequentar escolas no país.
Professores locais dizem que durante o primeiro mês depois do ataque a Malala ─ que levou um tiro no rosto dentro de um ônibus escolar em 2012 ─ muitas famílias mantiveram suas filhas dentro de casa.
Depois do atentado, Malala foi levada para a Grã-Bretanha para receber tratamento médico. Hoje, ela e sua família vivem em Birmingham, na Inglaterra.
Mas desde então, as matrículas voltaram a crescer, inspiradas pela recuperação da jovem e por seu ativismo pela educação.
O Paquistão, no entanto, ainda é um dos países com o número mais baixo de alfabetização e matrícula de meninas, segundo organizações de ajuda humanitária. Em todo o mundo, um quarto de jovens mulheres não completaram a escola primária.
Durante seu discurso, Malala pediu que políticos ajam para garantir que todas as crianças exerçam o direito de ir à escola.
Ela disse ainda que os extremistas temem os livros e temem também as mulheres. Livros e canetas, segundo a jovem, são as armas mais poderosas contra o terrorismo.
“Uma criança, um professor, um livro e uma caneta podem mudar o mundo”, afirmou.

Quanto custa cada deputado

Entre os diversos motivos dos protestos por menos corrupção e melhores condições sociais, vários manifestantes pediam menos gastos públicos do Congresso, menos ministérios e menos despesas com o custeio da máquina pública. Vários leitores pediram ao Congresso em Foco informações atualizadas sobre quanto custa manter um deputado federal e seu gabinete.
O fato é que, hoje, um deputado custa pelo menos R$ 1.400 por dia útil, segundo novo levantamento da reportagem. O valor pode ser até maior porque não foram considerados os feriados nacionais. Entre salários (quase R$ 27 mil por mês), verba para despesas de trabalho (R$ 33 mil em média) e recursos para pagar salários de assessores (R$ 78 mil), um único deputado custa R$ 140 mil mensais, ou R$ 1,8 milhão por ano.
A Câmara gasta R$ 919 milhões por ano para bancar a manutenção do mandato dos 513 deputados.
Vídeo de Danilo Almeida explica todos os benefícios de um deputado. Veja o vídeo clicando aqui

Está em  o Estado 

CUT x Força. A harmonia entre as centrais, porém, se limitou aos discursos. Nas entrevistas, os sindicalistas não escondiam suas diferenças. As mais visíveis eram entre Vagner Freitas, presidente da CUT, ligada ao PT, e Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, deputado federal e presidente da Força Sindical, ligada ao PDT. “Não vou defender um governo que tem pisado na bola com os trabalhadores”, disse Paulinho aos jornalistas. “Alguns utilizam a questão dos trabalhadores porque têm outros interesses: é deputado federal, quer construir outro partido político e quer fazer o enfrentamento de 2014 já em 2013”, retrucou Freitas.

A ênfase dos discursos ficou na crítica à política macroeconômica do governo e na defesa da pauta de reivindicações comum às centrais, da qual fazem parte a redução da jornada de trabalho e o fim do fator previdenciário. A alta de juros, usada pelo governo como arma contra a inflação, foi atacada. “É uma sangria na classe trabalhadora”, disse o presidente da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB), Antonio dos Santos Neto. “Não é possível o governo destinar uma montanha de dinheiro para pagar os juros da dívida pública”, seguiu Vagner Gomes, da CTB.

Público apático. Todos ameaçaram Dilma, de forma mais ou menos enfática, com a possibilidade de greve geral. “Se a Dilma não ceder, o pau vai comer”, bradou Ubiraci Dantas de Oliveira, o Bira, da CGTB. Os brados de guerra dos líderes não encontravam repercussão na plateia. A maioria das pessoas não prestava atenção, não aplaudia, não vaiava, não puxava refrões. A exceção eram pequenas claques, que erguiam bandeiras quando seu presidente falava.


Foram duas horas de falas. A abundância de recursos das centrais, garantida pelo imposto sindical, descontado automaticamente do salário de todo trabalhador, era visível nos grandes e coloridos balões, nas faixas produzidas em série, bandeiras, camisetas, bonés e fitas.

OUTRA REPÚBLICA?


Por Mino Carta.

Vivemos um momento de extrema perplexidade e, se, em meio a esta névoa de incerteza e desencanto, hesitamos e tateamos em busca do caminho, bastaria lembrar que o antídoto existe, de comprovada eficácia. Seria possível usá-lo?
Apresso-me a repisar, estou a sonhar, mesmo que o estado de autonomia sem peias do sonhador tenha ligações com a realidade. Inegáveis os resultados positivos atingidos pelos governos dos derradeiros dez anos. Os avanços sociais promovidos precipitaram necessidades e demandas desconhecidas até então, ao cabo de mais de um século de história, desde a República fundada pelos generais.
Por quantas repúblicas já passamos? A primeira termina com Getúlio Vargas e logo deságua no Estado Novo. A segunda começa com a queda de Getúlio e se encerra com o golpe de 1964. A terceira nasce com o fim da ditadura, ampara-se, contudo, em uma democracia que mantém de pé casa-grande e senzala. Há um Brasil em desconforto, que dá mostras de não se adaptar às pretensas injunções das circunstâncias e de amadurecer para a fundação da Quarta República.

Soa no devaneio a hora dos estadistas. Onde estão? Pode parecer incrível, mas nas pregas do transporte onírico parece-me ver transitar a sombra de José Bonifácio, de Mauá, de Joaquim Nabuco.

“Manifestantes” receberam até R$ 70

Numa rua atrás do Masp, um grupo de 80 pessoas com camisetas da UGT (União Geral dos Trabalhadores) espera em fila a vez de preencher um papel.

Trata-se do recibo de que ganharão R$ 70 por terem participado, vestidos como militantes, do ato de ontem na avenida Paulista.

A Folha presenciou a entrega do recibo, que se deu por volta das 15h, quando a manifestação acabou.

Mulheres de 30 e 40 anos e rapazes com aparência de pós-adolescentes entregavam uma pulseira numerada que usaram na manifestação a um homem de agasalho, que perguntava o nome da pessoa, preenchia o recibo e o entregava aos presentes.

No documento, consta que o pagamento é uma ajuda de custo para alimentação e transporte.

Na parte de cima do papel, há impressa a data e o nome da manifestação: “11 de julho – Dia de Luta”.

Em duas ocasiões, pessoas que organizam o grupo abordaram a reportagem e pediram para que deixasse o local.

Na fila, as pessoas confirmaram que não tinham relação com sindicatos filiados à UGT e que foram ao ato apenas para receber os R$ 70. Com medo de represálias, não quiseram dar o nome.

A UGT é presidida por Ricardo Patah, sindicalista filiado ao PSD, partido do ex-prefeito Gilberto Kassab.


Ele negou que a central tenha pago manifestantes.

Dia Mundial do Rock

O dia 13 de julho é o dia mundial do rock. A data foi escolhida em homenagem ao primeiro Live Aid, show multiestelar idealizado por Bob Geldof para arrecadar fundos para países africanos. Com apresentações ocorrendo simultaneamente nos Estados Unidos (JFK Stadium, na Filadélfia) e Inglaterra (Wembley Stadium, em Londres). O show durou, ao todo, 16 horas, e arrecadou cerca de 100 milhões de dólares, no que foi o mais bem sucedido espetáculo de rock da história.
A ideia, que tornou mundialmente conhecido o nome de Bob Geldof, ocorreu-lhe após assistir uma matéria na TV sobre a fome na Etiópia. Sensibilizado, Geldof, vocalista de uma banda chamada Boomtown Rats, escreveu com Midge Ure, músico do Ultravox, uma canção chamada “Do they know it’s Christmas?”, que foi gravada pela “Band Aid” (Bono, Sting, George Michael, Paul Young, Boy George e Simon LeBon), com renda dedicada às nações africanas. O disco, lançado em 7 de dezembro de 1984, rendeu 8 milhões de libras.
O sucesso de single levou-os ao planejamento do megaevento que seria o “Live Aid.” O espetáculo reuniu nomes lendários do rock, como Paul McCartney, Rolling Stones, Queen, U2, David Bowie, Bob Dylan, Led Zeppelin, Madonna, Santana, The Who e Beach Boys. Ao todo, mais de 60 artistas se apresentaram e foram vistos em cerca de 140 países, por mais de 2 bilhões de pessoas.
live Aid
Palco no Wembley Stadium, Live Aid, 13 de julho de 1985.
A abertura do show deu-se precisamente ao meio-dia, em Londres, pelo príncipe Charles e Lady Diana, seguindo-se a execução do hino britânico. Felizmente para todos, a solenidade de abertura foi na Inglaterra. Em menos de dois minutos estava concluída e começava o que realmente interessava a todos, o show de rock. Imaginem se a saudação inicial fosse em Cuba, pelo premier Fidel Castro. Ou em qualquer dos vários países onde impera a verborragia e os políticos aproveitam ocasiões semelhantes para enaltecer seus feitos, reais ou fictícios.
Coube à banda Status Quo o privilégio de ser a primeira a entrar no palco. Durante todo o show, além dos artistas que se apresentaram em Londres ou na Filadélfia, outros, em diferentes países, fizeram entradas ao vivo ou em gravações especialmente preparadas. Cada artista tinha 18 minutos para sua performance, o que foi cumprido. Alguns dos grandes nomes pressionaram por maior tempo, ameaçando desistir. Não lhes foi dado e nenhum cumpriu a ameaça.
Paul McCartney fez sua primeira apresentação pública desde o assassinato de Lennon. Segundo ele, cedeu às pressões dos filhos. Foi o último a se apresentar na fase britânica. Cantou Let it be. No início de sua apresentação, um problema com os microfones, fez com que o público presente no estádio não o ouvisse e o da tevê apenas escutasse o piano. Sem se dar por achado, improvisou: “there will be some feedback, let it be”.
Phil Collins realizou a proeza de ser o único músico a tocar na Inglaterra e Estados Unidos. Assim que terminou sua participação em Wembley, embarcou no Concorde para os Estados Unidos e chegou na Filadélfia a tempo de participar da fase americana. Lá, acompanhou Jimmy Page, Robert Plant e John Paul Jones na primeira reunião do Led Zeppelin desde a morte de John Bonham, em 1980.
Uma das grandes performances foi do Queen. Diz-se que o engenheiro de som da banda sub-repticiamente cancelou os limitadores sonoros que tinham sido colocados, de modo que a banda conseguiu um som mais alto do que as demais. Além disso, o Queen fez bem o dever de casa, ensaiando exaustivamente. Sua apresentação galvanizou o público e foi eleita, de certa feita, como a maior performance ao vivo da história do rock, começando com Bohemian Rhapsody e terminando com We are the champions.
queen live aid
Freddie Mercury durante apresentação do Queen no Live Aid – A maior performance na história do rock?
Não houve uma apresentação dos Rolling Stones como uma banda. Talvez fosse um período em que a convivência entre Mick Jagger e Keith Richards estava em uma fase baixa. Convidado, Jagger teria dito que ele participaria, mas não os Stones, porque Keith Richards não daria a mínima. Os Rolling Stones não participaram de Live Aid como uma banda. Mick Jagger fez dupla com Tina Turner na penúltima apresentação da fase americana. Mas Keith Richards também foi. Ele, Ron Woods (outro Stones) e Bob Dylan fecharam o show no JFK Stadium. Quer dizer, quase fecharam. O show foi encerrado com um coro all-stars cantando We are the world. Assim como a fase londrina tinha sido encerrada com um coro também composto com grandes nomes cantando Do they know it’s Christmas?
O espetáculo não acabou com a fome na África. Nem o fizeram os outros Live Aids que se seguiram. Há quem até suspeite que parte do dinheiro terminou sendo usado por governos corruptos para perseguir opositores e se manter no poder. Mas mostrou a capacidade que o rock tem de mobilizar pessoas em nome de causas nobres. Bem ao contrário do que certa vez disse Frank Sinatra, que “o rock’n’roll é a marcha marcial de todos os delinquentes juvenis sobre a face da terra.”
Capa em destaque – King Crimson – In the Court of the Crimson King (1969).
Álbum de estreia da banda inglesa de rock progressivo King Crimson. Para os críticos o melhor álbum do grupo também chamou muito a atenção pela capa. A bizarra figura é um trabalho de Barry Goldber. Tem por título 21st Century Schizoid Man, também o nome da primeira faixa do disco. Goldber morreu aos 24 anos e esta é a única capa de disco que desenhou.
king crimson
Djacir Dantas


Os órfãos no mundo político

A análise a seguir é do sociólogo Marcos Coimbra. Dentre outras observações sobre o grito que vem das ruas, Coimbra diz que a classe média antipetista não se sente representada pela oposição e que a tentativa de controlar as ruas é uma prova disso. Ouçamos Coimbra:
Enquanto perdem fôlego e amainam as manifestações que afetaram o País nas últimas semanas, está na hora de procurar entender seu significado. Uma das maiores dificuldades para compreendê-las está no fato de os protestos não terem sentido único, salvo talvez nos primórdios, quando usuários de transportes públicos foram às ruas em São Paulo para reclamar do aumento no preço das passagens, Naquele momento ainda tínhamos o cenário capaz de explicaras mobilizações sociais mais características: causa concreta, indivíduos diretamente afetados, reivindicações claras. As manifestações seguintes, muito se diz, foram novas. Diferentes, por exemplo, daquelas conduzidas pela direita em busca da deposição de João Goulart nos anos 60 do século passado.
Mas será que a “horizontalidade” e a “difusão” das atuais as tornam mesmo originais? Não terá existido, nas manifestações deste mês de junho, um segmento com um papel definidor análogo àquele dos anticomunistas e dos conservadores católicos nas marchas de 1964? Entre os muitos tipos presentes nas ruas, nenhum forneceu personalidade ao “movimento”?
Para identificar o sentido dos protestos de agora, temos o perfil mais típico dos participantes, suas bandeiras mais características e as reações mais comuns suscitadas.
Nada ilustra melhor a mudança do perfil socioeconômico dos manifestantes do que a imagem veiculada pela TV Globo nos primeiros jogos do Brasil na Copa das Confederações: madames vestidas a caráter e cheias de balangandãs com cartazes de apelo ao “fim da corrupção” e com propaganda de um endereço no Twitter. Os jovens tornados astros dos “insatisfeitos” no YouTube parecem seus filhos ou irmãos.
No conteúdo, o elemento central da “ideologia das ruas” foi a crítica à representação política e às instituições, particularmente os partidos políticos. Os manifestantes gritaram País afora não se sentirem representados por ninguém, foram à rua para denunciar os “políticos” e “fazer política com as próprias mãos”. As vagas perorações em favor de “mais verbas para a educação e a saúde” ou contra os “gastos exagerados na Copa do Mundo” não passaram de pretextos para externar sua aversão ao sistema político e ao governo.
Quem monitorou as redes sociais durante esses dias percebeu: os defensores mais entusiastas das passeatas foram os antipetístas radicais. Esses se sentiram em íntima comunhão com os participantes e torceram para as manifestações escalarem a ponto de enfraquecer o governo e prejudicar as chances de reeleição de Dilma Rousseff.
Para dizer o óbvio, quem deu o sentido das manifestações foi a classe média antipetista, predominantemente de direita. Nem sempre, nem todos os participantes, mas em seu núcleo característico. Ou seja: embora tenham participado do movimento desde punks neonazistas até adolescentes apenas curiosos (e mesmo gente genuinamente progressista), seu rosto é nítido.
A classe média antipetista tem motivos reais para estar insatisfeita com a sua representação. Ao contrário do cidadão simpatizante do PT e de outros partidos de esquerda, e que majoritariamente aprova o governo, ela se sente mal representada. Faz tempo Fernando Henrique Cardoso lhe dá razão. Em texto de 2011, em que tentava explicar a vitória de Dilma e definia novos caminhos para a oposição, o ex-presidente propunha ao PSDB deixar o “povão” para o PT e procurar a classe média: “É a essa que as oposições devem dirigir suas mensagens prioritariamente”. O partido precisava, segundo FHC, “mergulhar na vida cotidiana” e encontrar “1igações orgânicas com grupos que expressem as dificuldades e anseios do homem comum” (leia-se de classe média).
Lembrava a existência de “toda uma gama de classes médias”, empresários jovens, profissionais, “novas classes possuidoras”, “ausentes do jogo político-partidário, mas não desconectadas das redes de internet, Facebook, YouTube, Twitter etc.” A considerar seu “pragmatismo”, o discurso para atraí-las não deveria ser “institucional”, mas centrado em temas como a corrupção, o trânsito, os problemas urbanos, os serviços públicos.
FHC queria uma oposição pronta a suscitar o interesse da classe média e que lhe “oferecesse alternativas”. Se não conseguisse ser “uma alternativa viável de poder, um caminho preparado por lideranças nas quais confie”, nem sequer adiantaria “se a fagulha da insatisfação produzisse um curto-circuito”.
Falou, mas não fez. Nesta, como em outras oportunidades, as oposições brasileiras mostraram-se mais competentes na conversa do que na ação. Perceberam os desafios, mas não lhes deram resposta.
Foram de José Serra, quando precisavam renovar-se. Apresentam Aécio Neves como continuador da “herança de FHC”. Nada fizeram para “organizar-se pelos meios eletrônicos, dando vida a debates verdadeiros sobre os temas de interesse dessas camadas”, como sugeria o ex-presidente. Presas de seus paradoxos, as oposições criaram a crise de representação dos setores da sociedade a quem pretendiam (e deveriam) expressar. Talvez principalmente tenha sido a impaciência das classes médias antipetistas com a oposição que as levou às ruas.
Depois, é claro, de um ano de ataque da mídia conservadora ao governo. Seus estrategistas acharam ter conseguido, por meio de incursões cirúrgicas, eliminar apenas as lideranças do PT. Terminaram, porém, por ferir valores fundamentais da democracia.
FHC pedia aos seus um mergulho “na vida cotidiana” e a busca de “ligações orgânicas com grupos que expressem as dificuldades e os anseios do homem comum”. Como de costume. Não foi ouvido.

Os reis do Nordeste

Bato nesta tecla há pelo menos uma década. A representação política de Bahia, Ceará e Pernambuco supera os postos políticos ocupados pelo conjunto dos outros seis Estados do Nordeste. Não é à toa que tudo só acontece nesses três territórios da região. Os demais vivem de migalhas. Desde o Império. Os outros seis entes apenas reclamam, cobram, esbravejam, xingam, embora apoiem todos os governos.

Enquanto batemos boca, os reis do Nordeste (BA, CE, PE) comem pelas beiradas. No vizinho Ceará, médicos são transportados de avião para realizar mutirões de cirurgias no interior. Um hospital regional (em Sobral) foi inaugurado no ano passado, o concurso público realizado, mas os médicos não apareceram. O governo (até quando?) deu ordem para os mutirões de cirurgias e a equipe médica de Fortaleza desce para o interior. De avião.
Na economia, entre janeiro a junho deste 2013, os nove estados do Nordeste exportaram o equivalente a US$ 7,7 bilhões. A Bahia, sozinha, exportou US$ 4,69 bilhões. O Ceará, US$ 542 milhões. Pernambuco, US$ 370 milhões.
As autoridades do Governo do Ceará chegaram a um determinado estágio que só dão atenção aos grandes investidores. Esta semana, por exemplo, desembarcou na terra alencarina Artur Más, governador da região da Catalunha, na Espanha. Objeto da visita: concluir os entendimentos para a instalação da primeira Escola de Pesca Oceânica do Brasil, no município de Beberibe, litoral Leste do Ceará.
O governador catalão também esteve em Maranguape, onde está sendo ampliada a fábrica da Mallory, do Grupo Tauros, com sede em Barcelona.

Diferencial

A Bahia é o principal destino turístico do Nordeste. Recebe mais estrangeiros do que Ceará e Pernambuco juntos. Os três estados também lideram em crescimento dos investimentos em tecnologia da informação. Lideram (dados de 2012) o ranking dos “Top 5″ nas compras de hardware, software e serviço.
A política industrial dos três reis do Nordeste está a séculos de distância dos demais estados da região.
Aluisio Lacerda

REVISTAS SEMANAIS

0aac


As capas das três principais revistas de fim de semana do país são distintas, cada uma com sua pauta prioritária.

A Época destaca a paranóia gerada a partir da informação de que a agência NSA grampeou milhões de pessoas no Brasil.
A IstoÉ tenta traçar um perfil da juventude católica que recepcionará o papa Francisco em sua primeira viagem às Américas.
E a Veja meteu na capa uma Dilma Rousseff inimiga da classe médica, com seu choque estatizante no curso de medicina.
As três revistas já estão nas bancas de todo o Brasil desde as primeiras horas desse sábada. Algumas, como a Época, já chegaram na noite de sexta-feira.


sábado, 6 de julho de 2013

APODI - Autodidata mantém biblioteca particular



Seu Zé do Violão, como é mais conhecido, orgulha-se da coleção



Gazeta do oeste

A casa simples já não tem nenhum espaço que não seja ocupado por algum exemplar dos livros que ele comprou ou recebeu como doação de amigos e conhecidos. Até mesmo a bicicleta serve de estante para guardar alguns volumes. A mesa e o armário da cozinha também não escaparam. Assim como a velha penteadeira, estantes e cadeiras também não saíram ilesas da coleção de seu Zé do Violão.
Um sonho antigo, a necessidade, as dificuldades de quem se vive no analfabetismo e a vontade de se comunicar foram o bastante para que o aposentado José Pequeno de Sousa aprendesse a ler sozinho aos 39 anos de idade. Hoje com 81 anos, mais conhecido como Zé do Violão, ele se orgulha do conhecimento adquirido com suas leituras e principalmente da biblioteca de mais de quatro mil títulos que mantém na sua casa, localizada no município de Apodi.
A infância difícil, onde ele tinha que trabalhar para ajudar os pais no sustento da família, não lhe deu a oportunidade de estudar, mas a vontade de ler e escrever sempre estiveram presentes em seus pensamentos. Segundo ele, o sonho foi apensas adiado. A família andarilha passava pelas cidades e ele, ainda menino, mostrava seu talento para a música tocando o seu velho violão, fato que lhe rendeu o apelido que carrega até hoje. “Sou mais conhecido como Zé do Violão do que pelo meu nome de batismo. O violão, assim como os livros, é minha paixão. Não vou deixar de tocar até morrer. As pessoas até se admiram que eu com 81 anos ainda tenho mobilidade nos dedos para tocar. Mas é assim mesmo, se a gente parar aí é que enferruja tudo”, diverte-se.
Enquanto crescia, além de tocador, o autodidata também aprendeu outras diversas profissões. Foi barbeiro, carpinteiro, pintor, vidraceiro, pedreiro. “Já fiz de tudo um pouco. Nessa vida a gente tem que aprender a se virar para não ficar parado. Meu último trabalho antes de me aposentar foi vidraceiro. Gostava de fazer molduras e espelhos. Recebia muitas encomendas, mas com a idade avançando tive que parar. Hoje ainda faço uma pecinha aqui e outra ali, mas nada muito grande”, conta mostrando os equipamentos e ferramentas que utilizava para trabalhar. Material que ele guarda com orgulho e carinho expostos numa das paredes da sua sala.
Ele relembra que além da vontade de aprender a ler, a necessidade foi outro incentivo que ele encontrou para buscar se alfabetizar. “Nessa época eu era pintor e sentia muita necessidade de ler para poder saber o que dizia os manuais, as indicações das tintas. O fato de não saber ler me atrapalhava demais e foi então que eu resolvi que era a hora de mudar. Comprei os primeiros livros de caligrafia e não parei mais. Foi uma paixão que aumentava a cada dia. Meu trabalho melhorou e eu podia ler tudo sozinho sem precisar pedir pra ninguém me ajudar. Essa foi uma época muito importante na minha vida”, relembra.
Depois de muito esforço e dedicação, ele passou a ler mais e mais e a comprar livros de áreas diferentes. Sua biblioteca, a qual ele chama de “Biblioteca Secreta”, passou a ganhar novos títulos todos os dias. Além das gramáticas e caligrafias, e dicionários os primeiros exemplares falavam sobre pinturas.
Uma das principais características da biblioteca de seu Zé do Violão é a variedade e diversidade de livros. Enciclopédias, literaturas, manuais, no acervo é possível encontrar até guias para alunos de medicina. Livros raros também ocupam as prateleiras da casa, além de atlas, livros de inglês, sobre religião e infantis.

Após experiência negativa, livros não podem ser emprestados

 Durante a visita da reportagem à casa de seu Zé, apenas uma ressalva é feita pelo aposentado: “pode olhar, folhear, pesquisar o que quiser. Só não peça nada emprestado. Daqui não sai nenhum livro. Meu prazer é receber as pessoas aqui, mas emprestar, não empresto nenhum!”, avisa. A medida foi tomada após a experiência de ter livros emprestados e não devolvidos. “Antes eu deixava o pessoal levar, mas sofri algumas perdas e por isso proibi. Quem quiser ler tem que ser aqui sob o meu olhar. Tem gente que não tem muito cuidado. Pega o livro de qualquer jeito, escangalha tudo. Abre demais. Tenho ciúmes de todos eles. Eles são meu maior tesouro”, enfatiza.
A biblioteca recebe frequentemente alunos e pesquisadores em busca de pesquisas. “O que você procurar tem aqui. Uma vez recebi um pessoal e um rapaz disse que não encontraria o que precisava. Então o desafiei a voltar e procurar o que ele queria. No outro dia ele voltou e nós achamos o livro que ele procurava. Isso me deixa muito feliz”.

  ‘Não gosto das novas tecnologias’
 Perguntado sobre as novas tecnologias, onde é possível encontrar livros na internet, por exemplo, ele diz que não gosta de nada disso. “Meu negócio é o livro de papel. Não há nada melhor do que sentar e ler um bom livro. Não gosto de computador, nem de celular, nem nada que me perturbe. A internet pode parar de uma hora pra outra e você não vai mais ter como terminar o que estava lendo. Com o livro de papel na mão isso não acontece”, ressalta.
A manutenção das estantes e armários, além da limpeza dos livros é feita uma vez por semana por ele mesmo. “Não gosto que ninguém mexa. As pessoas de foram vêm limpar e acaba bagunçando tudo por isso faço questão de limpar e arrumar porque quando me perguntam onde está tal livro, eu vou direto nele. Sei onde está cada um dos títulos que tenho aqui”, diz. A esposa dele, dona Maria Crisóstomo, o ajuda na limpeza, mas nunca tira nada do lugar para não atrapalhar na organização. Apesar de viver entre os livros, ela não sabe ler, mas gosta de folhear aqueles que têm figuras. Além da esposa, seu Zé do Violão mora com um filho, a quem ele diz que deixará a herança dos livros.
Mesmo com toda essa quantidade de títulos, seu Zé ainda quer aumentar a coleção e diz que está aberto para receber doações da comunidade. “Pretendo ate me mudar para um lugar maior onde eu tenha mais espaço para receber novos livros”, planeja.

FORMAÇÃO

A paixão pela leitura despertou também em seu Zé do Violão o interesse pela Bíblia. Integrante da Igreja Adventista do 7º Dia, ele conta que é formado em Teologia e já concluiu três cursos teológicos promovidos pela igreja. “Eu sempre gostei de ouvir a Palavra. Antes eu apenas ouvia a pregação dos pastores, mas depois que me formei em Teologia tenho o conhecimento para poder debater, participar da conversa. Hoje os pastores vêm na minha casa pra gente conversar e debater sobre os textos bíblicos. São momentos muito bons. Hoje o que mais leio são textos bíblicos porque quero sempre aprender mais e mais. O conhecimento é uma coisa que ninguém pode tirar da gente”.

Em 2011 Comércio do RN Faturou R$ 22,7 Bilhões Mas Teve o Menor Crescimento do Nordeste

O IBGE divulgou ontem os dados da Pesquisa Anual do Comércio referente ao ano de 2011. Os dados da pesquisa revelam que o comércio do Rio Grande do Norte faturou naquele ano cerca de R$ 22,7 bilhões. Na região Nordeste o faturamento do comércio foi de aproximadamente R$ 350 bilhões.
No estado o comércio de veículos, peças e motocicletas faturou R$ 3,02 bilhões, a comércio atacadista R$ 7,5 bilhões e o varejo R$ 12,3 bilhões.
comércio vendas
Quando comparado aos demais estados do Nordeste o crescimento da receita do comércio do RN entre 2010 e 2011 foi o menor de todos. Enquanto o faturamento do setor na região cresceu 13,9%, no Rio Grande do Norte esse crescimento ficou em apenas 4,1%.
COMÉRCIO GRÁFICO VARIAÇÃO

Por Aldemir Freire

Mais de 98% dos cargos municipais do RN são diretos

DivulgacaoMDS
Mais de 98% dos servidores das prefeituras do RN são da administração direta
FABIANO SOUZA
Da Re­da­ção
fabianosouz@hotmail.com
O Rio Grande do Norte está entre os Estados da Federação com maior quantidade de servidores com atividade na administração direta. Entre os 167 municípios do RN, 98,3% dos servidores atuam na administração direta. O RN fica atrás apenas de Rondônia (99,3%), Mato Grosso (99,1%), Espírito Santo (98,9%) e Amapá (98,6%).
Os dados são da Pesquisa de Informações Básicas Municipais de 2012, divulgada no último dia 3 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE).
A pesquisa revela ainda que o RN foi um dos Estados brasileiros que registraram maior crescimento do quadro funcional dos municípios na administração direta e indireta. Entre os anos de 2005 e 2012, o número de servidores nos municípios do RN registrou crescimento de 25%. Os dados são da Pesquisa de Informações Básicas Municipais de 2012, divulgada no início da semana pelo Instituo Brasileiro de Geografia e Estatísticas.
De acordo com Ivanilton Passos de Oliveira, responsável pelo setor de Supervisão e Disseminação de Informações do IBGE/RN, o estudo tem como objetivo analisar a gestão municipal, no que se refere à organização detalhada da Prefeitura, quadro funcional, direitos humanos, além dos instrumentos fiscais, segurança alimentar, assistência social, bem como investimentos no município em educação, saúde, habitação e aspectos múltiplos da realidade municipal.
Analisando a estrutura e o crescimento do quadro de pessoal da administração municipal nos 167 municípios do RN, havia na administração direta e indireta no ano de 2012, quando foi feita a pesquisa, 124.543 servidores, enquanto que em 2005 eram 99.618 servidores, ou seja, um crescimento de 25,02%.
Se analisados os percentuais de pessoas ocupadas em relação à população residente, o RN ocupa a quarta colocação, com 3,9% da população residente ocupada, ficando atrás apenas de Tocantins (4,9%), Maranhão (4,2%) e Paraíba (4,1%).

“Não pensem que eu estou acuada”, diz Dilma


 Está no Estado de S. Paulo

A presidente Dilma Rousseff reuniu ontem 22 deputados do PT e pediu apoio para garantir a governabilidade. “Não pensem que eu estou acuada”, disse em reunião de duas horas com a coordenação da bancada do PT na Câmara, realizada no Palácio do Planalto. “Vou para cima e vou disputar o nosso legado.”

Dilma, que insiste na realização de um plebiscito para que a população possa opinar sobre a reforma política, decidiu buscar ajuda fora do Congresso. Na noite de ontem, por exemplo, integrantes do Movimento dos Sem Terra (MST) disseram a ela que vão levantar a bandeira do “plebiscito já” para a reforma política no “Dia Nacional de Luta com Greves e Mobilizações”, programado para a próxima quinta-feira, em todo o País.

O PT, a CUT, a Força Sindical e outras quatro entidades dos trabalhadores também pretendem ocupar as ruas das principais capitais pedindo o plebiscito. E no Planalto já se estuda a possibilidade de o governo apoiar a tese de entidades como a OAB e o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral de um projeto de lei de iniciativa popular para a reforma política.

EUA espionaram milhões de e-mails e ligações de brasileiros

Está no Globo

Na última década, pessoas residentes ou em trânsito no Brasil, assim como empresas instaladas no país, se tornaram alvos de espionagem da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (National Security Agency – NSA, na sigla em inglês). Não há números precisos, mas em janeiro passado o Brasil ficou pouco atrás dos Estados Unidos, que teve 2,3 bilhões de telefonemas e mensagens espionados.

É o que demonstram documentos aos quais O Globo teve acesso. Eles foram coletados por Edward Joseph Snowden, técnico em redes de computação que nos últimos quatro anos trabalhou em programas da NSA entre cerca de 54 mil funcionários de empresas privadas subcontratadas – como a Booz Allen Hamilton e a Dell Corporation.

No mês passado, esse americano da Carolina do Norte decidiu delatar as operações de vigilância de comunicações realizadas pela NSA dentro e fora dos Estados Unidos. Snowden se tornou responsável por um dos maiores vazamentos de segredos da História americana, que abalou a credibilidade do governo Barack Obama.

Os documentos da NSA são eloquentes. O Brasil, com extensas redes públicas e privadas digitalizadas, operadas por grandes companhias de telecomunicações e de internet, aparece destacado em mapas da agência americana como alvo prioritário no tráfego de telefonia e dados (origem e destino), ao lado de nações como China, Rússia, Irã e Paquistão. É incerto o número de pessoas e empresas espionadas no Brasil. Mas há evidências de que o volume de dados capturados pelo sistema de filtragem nas redes locais de telefonia e internet é constante e em grande escala.

“Flávio Rocha: Consumo, a porta de entrada da cidadania”

A seção de Opinião da Folha de São Paulo trouxe na edição de quarta  (3), no quadro Tendência/Debates, texto do empresário Flávio Rocha, presidente da Riachuelo e do Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), sob o título ‘Flávio Rocha: Consumo, a porta de entrada da cidadania’:

- “No momento em que não faltam candidatos a intérprete da “voz rouca das ruas”, aqueles que identificaram e acompanham a migração dos 40 milhões de brasileiros para a emergente classe C podem esclarecer aspectos que ainda não mereceram atenção.

Muitos desses intérpretes continuam plugados em um modelo antigo para analisar o Brasil, mas a velha pirâmide social se transformou num losango com o ingresso da nova classe consumidora.

Boa parte dos cidadãos que deixaram seu comodismo e letargia para fazer barulho e protestar nas ruas de todo o país cumpriu um aprendizado completo antes de alcançar o estágio da questão política.

Eram súditos apáticos e conformados. Ao conquistarem a capacidade de consumir, conheceram seu poder de exigir o que lhe havia sido prometido numa operação de crédito ou num serviço de telefonia, por exemplo. Perderam o medo de protestar.

Nós, do varejo, além de espectadores privilegiados dessa evolução, temos sido partícipes da vida dos atores desse movimento social. A transformação do súdito em cidadão foi possibilitada por empresas que não foram afetadas pelo pibinho, exatamente porque se alimentam da força motora desse novo contingente de consumidores.

Foram essas empresas que abriram as primeiras linhas de crédito para o público emergente, não instituições bancárias. O resultado é que o varejo brasileiro é hoje o maior especialista em classe C –conhece seus anseios e se antecipa no atendimento de suas demandas.

Definiu-se um verdadeiro processo de transformações demográficas e sociais. Seria ingenuidade imaginar que mudanças tão profundas ficariam restritas ao mundo econômico. Os reflexos políticos seriam mesmo inevitáveis. Só não viu quem não quis ver.

Os emergentes protagonizam uma mudança radical na relação com o Estado. Antes, a via era de mão única e pouco diferia daquela que os colonizadores portugueses estabeleceram com os nativos. Os súditos se deslumbram com miçangas, quinquilharias e bugigangas.

A grande novidade para cada um dos indivíduos que compõem as dezenas de milhões que deixaram a pobreza é a reciprocidade.

A figura do consumidor passou a se sobrepor ao velho Jeca Tatu urbano. E o cidadão começou a ganhar importância. Descobriu a necessidade de exigir contrapartida. Aprendeu a questionar constantemente a relação custo-benefício. Aprendeu os benefícios da concorrência e passou a se indignar com quem vende mais caro.

Assim como faz com seus fornecedores, o cidadão-consumidor começa a cobrar do governo a correta aplicação dos recursos dos impostos que ele paga e o mesmo nível de eficiência, qualidade e excelência que reclama dos produtos e serviços que contrata. Ineficiência? Desperdício? Corrupção? É incompatível.

Quando o Brasil conquistou o privilégio de sediar os três maiores eventos esportivos do planeta, nossos governantes devem ter imaginado que tamanha overdose de pão e circo garantiria eleições e reeleições por muito tempo.

Jamais poderiam imaginar que, em vez de perguntas sobre quando e onde seria a festa, surgissem incômodas questões: Quanto custa? Por que no Brasil é mais caro? Quem paga? A saudável e profunda transformação na postura do cidadão-consumidor está por trás do grande susto do qual governantes e políticos demoram a se recompor.

Não se crê mais em um Estado provedor todo-poderoso.

Depois de 25 anos, finalmente começa a ser regulamentado um artigo da Constituição Federal (de autoria do então deputado constituinte Afif Domingos) que garante a todos os brasileiros a transparência dos tributos e permite que o consumidor-contribuinte saiba o quanto a manutenção do Estado pesa no seu bolso.

A verdade é que muitos reduziram o recado da voz rouca das ruas a pleitos pontuais, quando a resposta está na mudança de postura do cidadão, que aprendeu a cobrar enquanto consumidor. E suas primeiras reivindicações são custos menores e um Estado menos presente.

Sem se esquecer de exigir a troca de liquidificadores ou geladeiras com defeito, o brasileiro começa a enxergar a viabilidade de um recall também para quem não se mostra capaz de fazer bom uso do mandato popular que lhe foi delegado.


FLÁVIO ROCHA, 55, é presidente da Riachuelo e do Instituto para Desenvolvimento do Varejo

Médicos estrangeiros começam a chegar em agosto

Médicos estrangeiros começam a chegar em agosto
Médicos estrangeiros recrutados no programa que o Ministério da Saúde lançado na segunda-feira (1º) começam a trabalhar em setembro nos municípios brasileiros. Documento preliminar ao qual a reportagem teve acesso mostra que os profissionais selecionados no edital de chamamento deverão desembarcar no país em agosto e, dias depois, serão encaminhados para o processo de capacitação, com duração prevista de três semanas. O projeto prevê que, na primeira etapa de agosto, serão convocados profissionais procedentes da Espanha e de Portugal. Na segunda fase, programada para outubro, começam a chegar profissionais procedentes de Cuba. Na terceira fase, inicialmente prevista para novembro, viriam médicos de outros países. A estimativa é de que, neste ano, cheguem 4 mil profissionais estrangeiros para trabalhar nos serviços públicos de saúde municipais. Em três anos, o governo prevê que 10 mil médicos formados no exterior cheguem ao país.

Paulo Henrique Amorim é condenado por injúria racial















O jornalista Paulo Henrique Amorim, da Rede Record, foi condenado a 1 ano e 8 meses de prisão por crime de injúria racial contra o colega Heraldo Pereira, da Rede Globo. A decisão do Tribunal de Justiça do Distrito Federal foi publicada nessa semana.

Em 2009, Amorim publicou texto em seu site (Conversa Afiada) no qual acusava Heraldo Pereira de ser um "negro de alma branca", incapaz de ser algo além de um "negro e de origem humilde".

Além do processo por injúria racial, o jornalista chegou a responder ação civil por danos morais – encerrada após acordo que previa retratação pública por parte do réu e doação de 30 mil reais a uma instituição de caridade.

Na Rede Globo desde 1981, Heraldo Pereira é alvo frequente de acusações em relação ao suposto "embranquecimento" da sua imagem em aparições nas atrações do canal. No fim do ano passado, um comentário do colunista do Globo, Jorge Bastos Moreno, sobre o assunto gerou grande debate nas redes sociais.

Segundo o site Memória Globo, Pereira foi o primeiro negro a apresentar o Jornal Nacional, principal telejornal da emissora, em 2002.

Reforma: fim do suplente paraquedista

 Em meio à guerra para se chegar a um modelo possível de reforma política, um tema vem sendo defendido por nove entre dez parlamentares: alteração nas regras de eleição de suplentes, informa Lauro Jardim, na VEJA. Diz o colunista que a PEC 37 de 2011 – nada a ver com aquela que retira poderes do Ministério Público, já derrubada na Câmara – está pronta para ser votada no Plenário do Senado. Se aprovada, cortará um dos dois suplentes de cada parlamentar da Casa.

O relator do projeto, Luiz Henrique, porém, vai incorporar em seu parecer uma parte do conteúdo de outro projeto, de Eunício de Oliveira, mantendo o número de dois suplentes. A diferença seria: em vez de compor a chapa do titular, a dupla de substitutos obedeceria às urnas, ou seja, os dois candidatos que receberam mais votos e não foram eleitos ocupariam a suplência do senador de cada Estado.

Atrás do prejuízo, Dilma procura movimentos populares

 A presidente Dilma Rousseff dedicou cerca de duas horas desta sexta-feira aos movimentos do campo e ouviu uma declaração de apoio ao plebiscito da reforma política. Segundo Alexandre Conceição, do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), as organizações do campo participarão das manifestações marcadas para o próximo dia 11 de julho e defenderão o plebiscito proposto por Dilma ao Congresso, mas rechaçado por boa parte dos parlamentares, inclusive da base governista.

- O recado das organizações do campo foi que nós vamos para as ruas dia 11, para poder fazer paralisação nacional deste país, para rediscutir este país e, sobretudo, para defender o plebiscito popular. Já que o Congresso e a grande mídia não querem o plebiscito, o povo que foi para a rua está reivindicando mudanças, e a grande mudança passa por um plebiscito popular -- disse Conceição.  (Informações de O GLOBO - Luiza Damé)

A herança bendita

A Embratur fechou o balanço de quanto os turistas e a Fifa deixaram no país durante a Copa das Confederações: somadas receitas diretas, gastos com delegações e impactos indiretos na economia, ficaram no Brasil cerca de 740 milhões de reais. O montante é 207% superior aos 241 milhões de reais estimados antes da competição.

Os gastos diretos de turistas – brasileiros e estrangeiros – foram de aproximadamente 322 milhões de reais, enquanto o incremento indireto ficou em cerca de 348 milhões de reais e a Fifa desembolsou 70 milhões de reais para bancar as despesas de delegações. (Lauro Jardim – Veja)

Inversões

 Quem denuncia uma traição pode ser chamado de traidor? O agredido transforma-se em agressor?

Seria cômico se não fosse trágico assistir o ex-funcionário da CIA ser perseguido pelo governo dos Estados Unidos como se fosse um réprobo, por haver denunciado que milhares de telefonemas e comunicações eletrônicas em todo o mundo são objeto de monitoração pelo governo de Washington.
Parece o retorno à Inquisição e às fogueiras do Santo Ofício

Carlos Chagas

Os Torres...


 Julgamento raro na história do Conselho Nacional do Ministério Público. Os dois promotores réus são irmãos. Benedito Torres não teve envolvimento comprovado com o grupo de Carlinhos Cachoeira, não espionou nem fez tráfico de influência no cargo de procurador-geral de Goiás. Está livre. Já o mano famoso, Demóstenes Torres, terá que esperar mais 90 dias por um veredito. Até lá, segue afastado do MP-GO. (ISTOÉ - Ricardo Boechat Com Ronaldo Herdy)

Cuidado extremo

Não foi por acaso que Caetano Veloso desapareceu do Plenário do Senado, junto com Roberto Carlos e Erasmo Carlos, imediatamente após a aprovação do projeto do Ecad, quarta-feira à noite.

Caetano não queria de jeito nenhum posar para a foto com Renan Calheiros, que chegou a suspender a sessão para garantir o registro com os artistas presentes à reunião. Até conseguiu, mas sem o trio Caetano, Roberto e Erasmo. (Lauro Jardim - Veja)

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Plebiscito assusta quem não quer mudar


Quem quer mesmo a reforma política democrática?
Luciano Siqueira

Publicado no portal Vermelho e no Blog de Jamildo 9Jornal do Commercio Online)

 

Um observador estrangeiro pouco afeito à cultura política brasileira, responderia de pronto que todos a querem – baseado em declarações reiteradas de líderes de todas as correntes, agora e sempre. Mas basta apurar a análise para chegar à conclusão oposta: se todos dizem que a querem, na prática a maioria a impede. Ou, por outra, prefere um remendo na legislação eleitoral que faça concessões secundárias e preserve privilégios dos atuais grandes partidos. Daí a avalanche de argumentos contrários ao plebiscito sugerido pela presidenta Dilma.


Questionam tudo: da suposta dificuldade de formulação dos quesitos à primazia do Congresso Nacional no encaminhamento da matéria. Como se fosse impossível ouvir a população sobre a essência da reforma e essa consulta só fosse viável e correta após o próprio Congresso deliberar sobre a matéria.

Ora, há anos o tema tramita nas duas Casas legislativas, objeto de inúmeros projetos de Lei, trabalhados por Comissões Especiais pródigas em relatórios alentados – alguns, dois mais recentes, a cargo dos deputados Ronaldo Caiado (DEM) e Henrique Fontana (PT), de conteúdo avançado. Mas sempre esbarra em impasses gerados pela resistência das representações mais conservadoras.

Tudo a ver com a atual condenação do plebiscito. Precisamente porque esse tipo de consulta poderia sintetizar o caráter democrático da reforma em dois pontos capitais: financiamento público ou privado de campanha; e sistema eleitoral, ou seja, o modo de eleger parlamentares, se pelo atual sistema proporcional, de voto unipessoal, ou não.

Dessas duas questões decorrem muitas outras, não necessariamente consignadas como quesitos do plebiscito, tais como a manutenção da reeleição para cargos executivos, tempo de duração dos mandatos, coincidência de eleições em todos os níveis de representação, voto em lista pré-definidas, coligações proporcionais, etc.

A adoção do financiamento público de campanha cortaria pela raiz uma das principais causas da corrupção no País, motivo de relações promíscuas entre dententores de mandatos e grupos econômicos que os financiam. A maioria resiste, embora prefira tergiversar sobre o assunto.

Da mesma forma, a eleição de parlamentares através de listas pré-ordenadas contribuiria em muito para o fortalecimento dos partidos, outra unanimidade “da boca pra fora”: todos se queixam da fragilidade do atual espectro partidário – com poucas exceções -, mas insistem na manutenção do sistema que induz o eleitor a escolher candidatos individualmente, obscurecendo a opção por propostas programáticas – e, portanto, enfraquecendo os partidos.

O pronunciamento popular via plebiscito estabeleceria parâmetros a serem considerados pelos deputados e senadores na formulação do conteúdo da reforma. Nada mais consentâneo com o clima atual que se manifesta com tanto vigor nas ruas.

A nova música sertaneja é lixo?

De Bruno Krasnoyev, colunista do site R7.com, eis artigo com o título “Não tem nada pior do que a nova música sertaneja”. Ele desabafa contra o que considera de lixo. Você concorda?
Detesto música sertaneja, mas respeito moda de viola. Os caras das antigas cantavam por prazer e amor à natureza, compunham no fundo da fazenda pensando no gado e nas galinhas. Tá, eles não existem mais, só que esses, sim, escreviam frases que diziam alguma coisa.
O que se houve agora é lixo. Qualquer um acha que vestir uma calça pornograficamente justa -o que acaba justificando os falsetes geralmente desafinados -, botas caras à moda cowboy, topete cheio de laquê e tatuagens enormes os faz cantar bem. Ah, me poupe!
Isso não é música, é grunhido, ou seja, fica melhor quando emitido por porcos e javalis.
Esse bando de moleques musculosos rebolando para excitar as mulheres. Já reparou que em show de neosertanejo as mulheres não aplaudem, elas gritam?
E gritam de desespero. Vai ver não estão pegando ninguém, e aquela figura bizarra, que mais parece um gogo boy, pode ser a grande chance de salvar a noite.
Como se não bastasse o visual “metrogay” desses caras, eles ainda conseguem fazer refrães medíocres, que repetem sílabas sem nenhum nexo, não informam nada, emburrecem!
Sabe o pior? Cobram caro para ofender a boa música e exibem carrões e jatinhos com o que arrecadam no que ousam chamar de show, mas que eu considero sessão de tortura.
Sugiro uma manifestação contra esses micos da música, fim a essa porcaria toda. Melhor irem rebolar nessas casas chamadas Clube de Mulheres.

Salário mínimo deveria ser de mais de R$ 2,8 mil, diz Dieese

Salário mínimo deveria ser de mais de R$ 2,8 mil, diz Dieese

Para suprir suas necessidades básicas, o trabalhador brasileiro deveria ganhar, no mínimo, R$ 2.860,21, segundo um levantamento divulgado nesta quinta-feira (4) pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese). A informação faz parte de um cálculo mensal do preço dos produtos da cesta básica, que em junho registrou alta de 0,86% em Salvador. O valor do salário referente ao mês, no entanto, é menor do que o calculado em maio, de R$ 2.873,56. Ainda assim, o montante é 4,22 vezes maior do que o mínimo em vigor no Brasil, de R$ 678.

Blog do Prof. Ozamir Lima - Designer: Segundo Freitas