sábado, 17 de maio de 2014

O real desempenho da economia brasileira

O Brasil tem bons indicadores

O Brasil é um dos poucos países que atravessou a crise internacional e não sofreu recessão ou pressão inflacionária, nem reversão no nível de emprego.
Por José Carlos Peliano, na Carta Maior

Os indicadores econômicos do Brasil são bons e confiáveis. Depois de se sustentar diante da crise internacional e se manter com taxas menores de crescimento, emprego idem, mas baixo desemprego e distribuição de renda favorável, o país está em marcha lenta, mas controlada, juntando forças para novo período de expansão.

Um dos poucos países que não sofreu recessão ou pressão inflacionária, nem reversão no nível de emprego, tampouco foi forçado a buscar crédito nos bancos internacionais para cobertura de compromissos assumidos. Tal qual aconteceu com vários países especialmente os europeus.

Ok. As contas estão justas, apertadas. A inflação sob controle ainda dentro da meta, nível atualmente baixo de crescimento do emprego, mas sem dispensa significativa de trabalhadores, produto interno bruto com sinais positivos mesmo com pouca expansão. A balança comercial se aperta mais porque depende também o país da situação econômica desconfortável dos demais. As exportações perdem terreno aqui e ali mas sem sair do rumo. Somando tudo, porém, o quadro é de expectativa no sentido de que o Brasil tem todas as condições de alavancar novo ritmo de crescimento. É só permanecer atento.

Vamos aos números. Segundo o IBGE, nos 12 meses encerrados em março último o nível do emprego industrial reduziu 1,4%. A queda maior se deu em São Paulo e no setor de máquinas e equipamentos. Exatamente na região mais desenvolvida e no setor de bens de capital, principais motores da economia nacional. Calçados e couro também reduziram a expansão. Ou seja, os resultados desses setores indicam que tanto a própria indústria se ajusta ao cenário cuidadoso e difícil quanto as famílias controlam mais de perto seus orçamentos.

Seguindo rota semelhante, o número de horas pagas arrefeceu também o mesmo 1,4% no período anterior de 1 ano. A compatibilidade de igual percentual nas duas categorias, emprego e horas pagas, indica que houve paridade entre as dispensas e os salários não mais pagos. O que significa dizer que no conjunto a queda no emprego se deu eminentemente por ajustes localizados de produção, não se deveu a perturbações de mercado mais radicais.

Surpreendentemente no mesmo período dos últimos 12 meses a folha de pagamento real da indústria aumentou no mesmo percentual, também 1,4%. É possível e bastante provável que a dispensa de trabalhadores tenha se dado nas ocupações básicas ou flexíveis, ou seja, aquelas nas quais os operadores possam ser substituídos por outros internamente sem prejuízos para a continuidade das tarefas. Enquanto permaneceram aqueles trabalhadores de postos de trabalho mais especializados, cujas eventuais substituições são mais difíceis de manterem a mesma qualidade de produção.

Então, os números do IBGE divulgados hoje, 13 de maio, sobre o comportamento do emprego industrial revelam de fato e de direito um ajuste que o mercado vem fazendo ao momento econômico. Ajuste este de duas faces. A primeira tradicional, mas apenas reacional, aquela em que se reduz o aquecimento da produção para ver o que vai ocorrer daí para a frente. A segunda, tradicional mas estudada, aquela em que as mudanças efetuadas na linha de produção não afetam a eventual retomada caso bons ventos voltem a soprar. A primeira quantitativa, a segunda qualitativa.

O motor da economia brasileira, portanto, continua ligado, em marcha mais lenta que a precedente, mas pronto para imprimir velocidade mais acentuada tão logo haja sinais de recuperação. Muitos deles já dados. Os novos investimentos feitos para a Copa, por exemplo, ao mesmo tempo para as Olimpíadas, começaram já a ser pagos e distribuídos a grande parte dos setores industriais, incluindo os salários e remunerações, envolvidos nos projetos.

Outros setores têm tido desempenho confortável como a produção naval, petróleo e gás e automobilística. Seus efeitos, no entanto, são diferenciados no tempo, alguns investimentos impactam logo a economia, outros são mais defasados.

A grande questão é quando volta a se dar a retomada das demais economias para que a brasileira volte a ter o pique anterior. O mercado interno já se mostrou capaz de sustentar a expansão econômica brasileira por muito tempo e ainda a mantém agora em ritmo mais lento. Quando a China, a Zona do Euro e os EUA voltarem ao cenário com maior pujança econômica certamente as exportações brasileiras voltarão a crescer e a ajudar a puxar a produção industrial.

A retomada da Zona do Euro deve demorar. Números recentes (World Economic Monitor, CPB Holanda) mostram o quadro de descompasso entre o nível do comércio mundial (WT) e o produto nacional bruto (PNB) daqueles países. Entre 1992 e 2007, o WT cresceu 7,1% e o PNB 3,7%, já entre 2008 e 2013 o WT cresce 2,8% e o PNB 2,9%. Assim, enquanto no primeiro período o comércio mundial daqueles países impulsiona e puxa o produto, no período atual a perda no comércio mundial desestimula o impulso ao produto e os dois apenas andam lado a lado e devagar no mesmo nível.

É claro que na Zona do Euro há países de economias fortes tipo Alemanha, França e Inglaterra. Daí ser possível mesclar seus crescimentos maiores com os demais países de crescimentos menores, uns sustentando os outros e, ao final, apresentarem uma taxa de crescimento razoável do conjunto. Não é o caso de apenas um país. Daí a comparação com a Zona do Euro ser injusta para o Brasil, embora importante para mostrar que, apesar de tudo, o país está em situação semelhante àqueles. Todos em ritmo de espera do que o futuro econômico trará. A economia brasileira já mais ajustada, a da Zona do Euro ainda descompensada.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

CURSO PREPARATÓRIO PARA A PM DA PARAÍBA


sábado, 3 de maio de 2014

Tomar água gelada queima calorias? Se tomar em jejum emagrece?

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Tire suas dúvidas sobre esse líquido essencial para o bem-estar e a saúde do corpo


Uma pessoa seria capaz de suportar até 200 dias sem comer. Sem água, porém, a resistência é bem menor: após cerca de 36 horas o organismo começa a entrar em colapso.
Água é essencial para a saúde e o bem-estar. Mas existem dúvidas em relação às propriedades desse líquido do qual o organismo não pode prescindir. Confira alguns mitos e verdades sobre a ingestão de água.
Tomar água gelada queima calorias
VERDADE. A temperatura da água gelada é em torno de 4º C; a do corpo humano é cerca de 36º C. Então, quando você ingere o líquido gelado o corpo trabalha para aquecê-lo.

“Esse processo, chamado termogênese, gera aumento de consumo de energia, ajudando assim a promover a queima calórica”, explica a nutricionista Natália Dourado, consultora da Santo Dom Massas sem Glúten, de São Paulo. Mas daí a imaginar que água gelada é a solução para a perda de peso é exagero. Até porque a queima calórica é pequena: meio litro de água gelada consome 17 calorias.
“É pouco representativo em uma dieta de 1500 a 2000 calorias”, completa o endocrinologista e nutrólogo João César Castro Soares, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Tomar água em jejum emagrece
MITO. “A hidratação em jejum é importante para restabelecer os níveis séricos do organismo e a eliminação de toxinas produzidas em resposta ao período sem alimentação”, diz a nutricionista Natália Dourado. Devido a isso e ao fato de que beber água provoca uma distensão gástrica, o que pode acontecer é a sensação de diminuição da fome. Com menos fome, menos comida seria ingerida. Neste caso colaboraria com a perda de peso.

Água com gás engorda igual refrigerante
MITO. “Embora os dois líquidos contenham gás carbônico em sua composição, a diferença está no açúcar incluso nos refrigerantes”, explica Natália Dourado. O que engorda, portanto, não é o gás e sim as calorias do açúcar da bebida. O endocrinologista João César alerta ainda para o fato de o refrigerante conter grande quantidade de sal, o que também prejudica a saúde e a boa forma.
Beber água durante a refeição atrapalha digestão
MITO. “Não existe embasamento científico para justificar essa afirmação”, diz o médico da Unifesp. Mas é claro que não se pode exagerar na ingestão. Um litro de água faria a pessoa se sentir mal e poderia prejudicar o processo digestivo.

Beber água faz bem para a pele
VERDADE. A ingestão de água é importante para a eliminação das toxinas produzidas pelo organismo, que são expelidas pela urina ou suor. “Uma pele bem hidratada elimina estas toxinas com maior facilidade e fica com aparência mais saudável”, explica a nutricionista Natália.

As perguntas que não são feitas nas pesquisas eleitorais


Wanderley Guilherme dos Santos, na Carta Maior

Rompendo o tédio da rotina dos questionários elaborados pelos institutos de pesquisa, formulei seis perguntas cujos resultados me interessariam conhecer.

Pesquisas de opinião são orientadas, claro, e as eleitorais não constituem exceção. Se alguém deseja saber quem prefere maçã ou banana deve perguntar justamente isso, sem confundir o pesquisado com as opções de abacaxis e mangas. Muitas pesquisas eleitorais desorientam os entrevistados ao introduzir opções que nada mais são do que abacaxis e mangas, nomes de candidatos sabidamente estéreis no contexto eleitoral efetivo. Obtêm-se antes de tudo uma idéia da dispersão aleatória da preferência eleitoral, não as escolhas sólidas a aparecer com perguntas focadas no que está, de fato, em jogo. Mas nada impede que se investigue se o freguês é mais afeito a frutas ácidas ou cremosas – um tanto mais geral e inespecífica do que a pergunta anterior.

Com maior ou menor generalidade o que importa é que há um mundo de interrogações adequadas ao conjunto das frutas, todas legítimas, respeitadas modestas regras de lógica. Simples, mas esquecido quando os institutos divulgam seus resultados, aceitos com sagrada intimidação. Na verdade, os mesmos tópicos das pesquisas podem ser investigados por inquéritos variados, nada havendo de interdito no terreno do mexerico.

Em pesquisas de opinião são fundamentais a representatividade da amostra dos pesquisados, a correção dos questionários e, concluindo, a leitura dos resultados. É intuitivo que em uma comunidade onde 99% são religiosos o inquérito não pode concentrar-se no 1% restante, exceto se o pesquisador estiver interessado justamente na opinião da extrema minoria de agnósticos que ali vivem. Isto respeitado, tudo bem quanto à representatividade dos números.

Mas a leitura dos resultados pode ser marota. Jogando uma moeda para o ar centenas de vezes, o número de experimentos em que ao cair a moeda mostrará a “cara” tende a ser o mesmo número de “coroas”. Ignorando quando e porque acontece uma ou outra coisa, deduz-se que a probabilidade de dar “cara” ou “coroa” é de 50%, ou seja, metade das vezes uma, metade, a outra. Em certos convescotes essa peculiaridade é chamada de “acaso”.

Mas essa é uma probabilidade diferente da que indica o futuro do clima, por exemplo. As chances de que chova nas próximas 48 horas não é derivada diretamente de uma série de 48 horas do passado, mas das condições em que milhares de 48 horas foram chuvosas: umidade do ar, regime de ventos, formação de nuvens, etc. explicam com relativo grau de precisão (a probabilidade) as variações climáticas. O que justifica o probabilismo é o conhecimento das particularidades associadas ao aparecimento do fenômeno “chuva”, não o mero fato de sua repetição. 

Pois a probabilidade derivada de uma série de pesquisas eleitorais é análoga à do jogo “cara” ou “coroa”, não à dos prognósticos atmosféricos. De onde se segue serem um tanto marotas as previsões de resultados eleitorais apoiadas em séries históricas, por mais extensas que sejam. A diferença é ontológica: uma eleição não é um jogo de “cara” ou “coroa”. A seguir, uma crítica, digamos, construtiva. 

Rompendo o tédio da rotina dos questionários elaborados pelos institutos de pesquisa, formulei seis perguntas cujos resultados me interessariam conhecer. Aí vão:

1 – o Sr(a) prefere:
a) continuar com a presidenta atual (Dilma Roussef)
b) voltar ao governo do PSDB (Aécio Neves)
c) indiferente

2 – o Sr(a) votaria em alguém que:
a) defende a manutenção do emprego de quem trabalha
b) promete medidas impopulares
c) indiferente

3) – o Sr(a) apóia o controle nacional do petróleo do pré-sal?
a) sim
b) não 
c) indiferente

4) - A oposição atual representa seu ideal de governo?
a) sim
b) não
c) indiferente

5) Em relação à distribuição de renda o Sr.(a) é:
a) a favor
b) contra
c) indiferente

6) Os atrasos na conclusão de aeroportos e estádios demonstram que:
a) a iniciativa privada não é confiável
b) há sempre imprevistos em grandes obras
c) indiferente

Escolhi agregar todos os votos “não sei/prefiro não responder”, brancos e nulos em uma única opção porque estou interessado somente nas escolhas claras. E indiquei o nome de dois candidatos na pergunta 1 porque este é o desenho do questionário e, conforme o manual da boa pesquisa, o entrevistado deve estar de posse das informações relevantes para responder corretamente. Naturalmente, os entrevistados com preferência por outros nomes ou por nenhum estariam representados na resposta c. 

O diabo é que ninguém acredita que os questionários dos institutos são apenas uma aproximação do que os eleitores perguntam a si mesmos, na hora do vamos ver. Por isso suas pesquisas ao final de uma corrida eleitoral se tornam mais diretas e econômicas, reduzindo o percentual de erro. Ainda assim, por vezes o palpite estatístico é desastrosamente equivocado. É quando o instituto, ao contrário de tentar replicar o que pensa o eleitor, busca fazer com que o eleitor pense como ele. Não dá certo.

Salário mínimo na ditadura e hoje

João Sicsú 

Ele é um vetor de enorme importância para a sociedade brasileira. Quando é reduzido, promove degradação distributiva e desigualdade social 

O salário mínimo foi instituído por Getúlio Vargas em 1940. A cada 1º de maio é comemorado o dia do trabalhador e também o dia do salário mínimo. Há 74 anos, em discurso na cidade do Rio de Janeiro, o presidente anunciou: “...assinamos hoje um ato de incalculável alcance social e econômico: a lei que fixa o salário mínimo para todo o país”.

Desde a sua criação até o golpe de 1964, três presidentes defenderam o valor real do salário mínimo: Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek e João Goulart. Neste período, Eurico Gaspar Dutra, que governou o Brasil de 1946 a 1951, foi o grande adversário do salário mínimo, deixando o seu valor ser corroído pela inflação. No governo de Gaspar Dutra, não foi concedido qualquer reajuste ao salário mínimo, que perdeu 40% do seu valor real.

O salário mínimo alcançou um de seus valores reais mais altos exatamente um mês antes do golpe de março de 1964. Seu valor em fevereiro daquele ano, corrigido monetariamente para os dias de hoje, era um pouco superior a mil reais. Desde o início da ditadura até o seu fim, a tendência foi de perda do poder de compra do salário. Durante a ditadura, os ministros da Fazenda mais proeminentes foram: Otávio Gouveia de Bulhões, Antônio Delfim Netto e Mário Henrique Simonsen.

No início dos anos 1960, apesar da inflação, João Goulart promoveu reajustes para defender o salário mínimo. No dia 24 de fevereiro de 1964, dias antes do golpe, o presidente João Goulart deu aumento de 100% para o valor do salário mínimo. No ano de 1963, já havia concedido aumento superior a 56%. Contudo, acreditava que o remédio definitivo seria a derrubada da inflação. No histórico comício de 13 março de 1964 na Central do Brasil, bradou:

“Governo nenhum, trabalhadores, povo nenhum, por maior que seja seu esforço, e até mesmo o seu sacrifício, poderá enfrentar o monstro inflacionário que devora os salários, que inquieta o povo assalariado, se não forem efetuadas as reformas de estrutura de base exigidas pelo povo e reclamadas pela Nação.”

Com o golpe de 1964 e a implantação da ditadura, um novo modelo econômico foi imposto. O pacto entre os militares e os empresários era pela promoção do crescimento econômico e realização de investimentos públicos e privados. E assim foi feito. Mas foi um modelo concentrador de renda que dilapidou o salário mínimo. A ideia que justificava esse modelo foi expressa pelo então ministro Delfim Neto que dizia que era necessário, primeiro, fazer o bolo crescer para, depois, distribuí-lo.

O ambiente de repressão política e de sindicatos sufocados favoreceu o arrocho salarial, incluindo aí o salário mínimo. E, de fato, o bolo sugerido pelo ministro Delfim cresceu. O setor público fez grandes investimentos à custa da elevação do endividamento externo. O setor privado também fazia grandes investimentos financiados pela folga financeira devido à redução de custos que representava a folha de pagamento – além de favores concedidos pelos militares a determinados setores econômicos. O arrocho salarial não era uma maldade a mais do regime ditatorial, era sim um vetor importante do modelo econômico de crescimento e investimento. A ditadura durou 21 anos e, neste período, o salário mínimo perdeu, em termos reais, mais de 50% do seu valor.

Durante a ditadura, a concentração de renda aumentou de forma extremamente significativa. A inflação, que era alta nos tempos de João Goulart, disparou. Além disso, o Brasil vivenciou grandes movimentos migratórios, do norte e do nordeste para São Paulo e Rio de Janeiro e do campo para as cidades. Sem empregos, renda e direito à moradia nas cidades, que representavam sonho e esperança, as favelas surgiram como alternativa e como problema urbano e social.

O salário mínimo é um vetor de enorme importância para a sociedade brasileira. Quando é reduzido, promove degradação distributiva e desigualdade social. E o contrário é verdadeiro. Portanto, grande parte das conquistas sociais dos anos 2000 pode e deve ser atribuída à política atual de recuperação e valorização do salário mínimo, que hoje está no patamar do início dos anos 1960. Apesar da boa política de valorização do seu valor, ainda está no meio do caminho de sua recuperação e está longe do patamar da dignidade.

Existe uma ameaça no ar. A regra atual de reajuste do salário mínimo terminará em 2015. Conselheiros do PSDB e da oposição orientam seus seguidores para pressionar pela quebra da regra porque o salário mínimo estaria alto demais. Estaria retirando competitividade das empresas. Pode-se perceber: o vocabulário é mais moderno. Mas é a velha ideia dos tempos da ditadura: menos salários para haver mais investimentos.

Última mensagem: qualquer central sindical somente deveria apoiar um candidato a presidente em 2014 se e quando houvesse o compromisso de manutenção da regra atual que recuperou, nos últimos 10 anos, em mais de 70% o valor real do salário mínimo. O objetivo: manutenção da trajetória de recuperação do salário mínimo. A meta: um salário mínimo digno como vetor de mais justiça e igualdade social.

* Economista, professor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), colunista da Rádio Vermelho e foi diretor de Políticas e Estudos Macroeconômicos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) entre 2007 e 2011. 

Figurinhas

Prosa do Domingo. (na Coluna Plural do Novo Jornal).

Álbum de figurinhas. Só a sonoridade desse nome, com a transformação do som na imagem, me leva a um tempo da vida que guardo no fundo acolhedor de um baú inexistente, daqueles de Quintana.
Fecho a cortina e volto ao hoje. Vejo meus filhos de aquisição, Daniel e Raoni, excelentes pais, centrados, batalhadores, profissionais sensatos, transformados em adolescentes ao colarem figurinhas no álbum da Copa.

Permuta de repetidas, vibração com as “difíceis”, contagem das faltas. E no meio, Felipe sem deixar colar as suas, preferindo brincar com as figurinhas soltas, enquanto Giovana vai colando as suas em qualquer lugar. “tem um goleiro pregado na porta do meu quarto”. Felipe me ensina: “Voínho, o Japão tem uma bola na bandeira”.  Os dois infantilizam minha velhice.  Ou os quatro.

Figurinhas do álbum invicto de Felipe servindo para os do pai e tio, mas ele vigilante ante os olhos gananciosos de quem só espera uma chance para o furto. Felipe me levou a uma banca de revistas e me fez comprar um pacote completo, daqueles que vem lacrado com plástico e liga.

Não pude esquecer os tempos difíceis, quando completava o álbum lentamente, trocando o lanche do dia por um pequeno pacote de cinco figurinhas. E a troca de repetidas, na frente do Cine Pax, de seu Félix, ou do Alvorada.

Outra diferença brutal é a qualidade do material e a forma de colagem. As figurinhas do meu tempo eram “pregadas” no álbum com cola branca de papel, ou grude de goma, de tal forma que o álbum ia ficando inchado à medida do preenchimento. E se você exagerasse na cola, acabava grudando as páginas do álbum. Hoje, é tudo adesivado.  Como a política e o futebol.

Meu álbum da Copa de 62 ficou quase completo. Havia figurinhas difíceis, que produziam vibração quando encontradas. Carbajal, goleiro do México. Yashin, da Rússia. Abelardo, atacante da Espanha. Zito, do Brasil. Schiroif, da Checoslováquia. E outras fáceis. Amarildo, do Brasil. Puskas, da Espanha. Soube que a dificuldade ou facilidade dava-se pelos lotes distribuídos. Difícil num lugar, fácil noutro.
Há uma diferença que o meu tempo ganha em qualidade e brilho. A beleza romântica do futebol de arte. Agressão física nos estádios? Só entre os próprios jogadores, muito raramente. Hoje, é ganância no campo e violência na rua.

A inigualável Copa de 1958, cujo elenco forneceu a base do time bicampeão, em 62. Talvez só a seleção de 70 consiga uma comparação. Mesmo assim desaguando no medíocre time de 74.

Um time e duas seleções. Começou dum jeito, terminou de outro; invicto. De Sordi cedendo o lugar a Djalma Santos, Garrincha no lugar de Joel, Vavá no lugar de Mazola, Pelé tirando Dida. Em 62, Mauro no lugar de Beline, Zózimo no de Orlando e Amarildo substituindo Pelé.

Parece que tô vendo meu álbum. Inchado de grude e saudade. Té mais.


Por François Silvestre

Veja o resultado das últimas 10 eleições a prefeito de Mossoró

Observe resumo de 42 anos de eleições à Prefeitura mossoroense e conheça alguns fatos e personagens
O Blog do Carlos Santos repete um trabalho que passou a adotar nas últimas campanhas municipais. É um exaustivo levantamento sobre os pleitos municipais mossoroenses, tarefa que na verdade nunca está completa.
O esforço é no sentido de continuarmos ofertando produto diferenciado aos nossos webleitores.
Dix-huit assina ato de posse após eleito em 72; Antônio Rodrigues (antecessor, à sua esquerda) testemunha com primeira-dama Naide Rosado e vice-prefeito eleito Canindé Queiroz o acontecimento (Foto: Reprodução Jornal de Fato)
Eles fidelizam nosso endereço à procura de informações diversas, com predominância de material analítico-opinativo e ainda em face de sermos um espaço dialético, pluralista e democrático. Um fórum de debates.
O levantamento de números das eleições a prefeito de Mossoró, nos últimos 42 anos, é fruto de muita pesquisa e levantamento em arquivo próprio, além de outras fontes, bem como a colaboração de pessoas interessadas no assunto.
Começamos por 1972. Mas ainda vamos voltar mais no tempo, a 1948 (noutra oportunidde), quando tivemos o início do ciclo de disputas municipais, pós-Estado Novo (regime ditatorial de Getúlio Vargas). Agora, não; paciência. Depois, reiteramos.
É impossível se produzir jornalismo político sem cultura política e razoável base científica.
Esse material serve para alimentar o bom debate, além de acrescentar mais dados ao entendimento da disputa à Prefeitura de Mossoró neste ano em que pela primeira vez temos um pleito suplementar, em face da desenfreada corrupção eleitoral do pleito de 2012.
Faça bom proveito e, se for utilizar esses dados em registros públicos ou estudos, por favor cite a fonte. É uma questão de direito e de respeito.
Obrigado.
O “banquete” está servido:
Eleições de 1972 (Fonte: Bruno Barreto):
Dix-huit Rosado (Arena) – 16.194
Lauro Filho (MDB) – 11.995
Brancos – 205
Nulos – 296
Maioria Pró-Dix-huit Rosado –  4.199 votos.
O eleitorado habilitado ao voto era de 28.690.
Eleições de 1976 (Fonte: Bruno Barreto):
João Newton: força de Vingt (Foto: arquivo UERN)
João Newton da Escóssia (Arena 1) – 20.165
Leodécio Néo (MDB 1) – 10.840
Assis Amorim (MDB 2) 6.970
Antônio Rodrigues de Carvalho (Arena 2) – 1.327
Maioria Pró-João Newton sobre os demais – 3.232 votos.
Neste ano, o regime militar em curso produziu o casuísmo da “sublegenda”, permitindo que o mesmo partido pudesse ter mais de um candidato. Vivíamos fase do bipartidarismo (Arena e MDB). A ideia era sufocar a “oposição consentida”, feita pelo MDB, que possuía bem menor representatividade em todo o país, com condições raquíticas de lançar mais de um candidato a prefeito. Em Mossoró, com melhor representatividade oposicionista, o MDB chegou até a apresentar duas candidaturas, mas o cunhado do líder Vingt Rosado (Arena), João Newton da Escóssia, levou a melhor com folga.
Eleições de 1982 (Fonte: Blog CS):
- Dix-huit Rosado (PDS) – 21.510 (41,68%);
- João Batista Xavier (PMDB) – 15.466 (29,97%);
- Canindé Queiroz (PDS) – 4.388 (8,50%);
- Mário Fernandes (PT) – 428 (0,83%);
- Paulo R. Oliveira (PTB) – 48 (0,09%);
- Brancos – 8.145 (15,79%);
- Nulos – 1.621 (3,14%);
- Maioria Pró-Dix-huit – 6.044 (11,71%).
O eleitorado habilitado ao voto era de 67.041, em 275 secções. Compareceram 51.606 (76,98%) eleitores. As abstenções foram de 15.435 (23,02%) votantes.
Neste ano também ocorreram eleições para deputado estadual, federal, uma vaga ao Senado e governo do Estado. Foram as primeiras eleições com a retomada do pluripartidarismo, na reta final do regime militar de 1964. O mandato dos prefeitos/vereadores foi de 6 anos em vez de 4, como temos desde o pleito de 1988.
Com a existência do casuístico instituto da sublegenda, cada partido poderia lançar mais de um candidato a prefeito, foi o que ocorreu em Mossoró. O grupo Rosado, unido, lançou Dix-huit Rosado pelo PDS.
Já o sistema Maia apresentou o jornalista Canindé Queiroz, pelo mesmo partido, para dar suporte à candidatura a governador do engenheiro e ex-prefeito indireto de Natal, José Agripino Maia (PDS). Agripino venceu seu principal adversário, o ex-governador Aluízio Alves (PMDB), com mais de 107 mil votos de maioria.
Eleições de 1988 (Fonte: Blog CS):
- Rosalba Ciarlini (PDT) – 37.307 (49,7%);
- Laíre Rosado (PMDB) – 30.226 (40,2%);
- Chagas Silva (PT) – 2.507 (3,3%);
- Brancos – 3.594 (4.8%);
- Nulos – 1.503 (2%);
- Maioria Pró-Rosalba – 7.081 (9,5%).
O eleitorado habilitado ao voto era de 80.397, em 275 secções. Compareceram 75.217 eleitores. As abstenções foram de 5.180 votantes.
Eleições de 1992 (Fonte: Blog CS):
- Dix-huit Rosado (PDT) – 37.188 (47,79%);
- Luiz Pinto (PFL) – 32.795 (42,15%);
- Luiz Carlos Martins (PT)– 6.557 (8,43%);
- Paulo Linhares (PSB) – 1.273 (1,64%);
- Brancos – 5.669 (6,49%);
- Nulos – 3.913 (4,48%);
- Maioria pró-Dix-huit Rosado – 4.393 (5,64%)
O eleitorado cadastrado à época era de 99.623. Compareceram 87.395, as abstenções chegaram a 11.381 e os votos nominais atingiram 77.813.
Eleições de 1996 (Fonte: Blog CS):
- Rosalba Ciarlini (PFL) – 57.407 (52,64%);
- Sandra Rosado (PMDB) – 26.118 (28,50%);
- Jorge de Castro (PT) – 4.878 (5,32%);
- Valtércio Silveira (PMN) – 3.237 (3,53%);
- Brancos – 1.549 (1,69%);
- Nulos – 3.802 (…);
- Maioria pró-Rosalba Ciarlini de 31.289 (24,14%).
Existiam 114.218 eleitores aptos, mas compareceram 96.991. As abstenções atingiram 17.227 (15.08%), com 91.640 sendo a votação nominal.
Eleições de 2000 (Fonte: Blog CS):
- Rosalba Ciarlini (PFL)– 57.369 (54,86%);
- Fafá Rosado (PMDB) – 42.530 (40,67%);
- Socorro Batista (PT) – 4.447 (4,25%);
- Mário Rosado (PMN) – 228 (0,22%);
- Brancos – 1.757 (1,59%);
- Nulos – 4.395 (3,97%);
- Maioria pró-Rosalba Ciarlini de 14.839 (14,19%).
Existiam 127.894 eleitores aptos, mas compareceram 110.726. As abstenções atingiram 17.168 (13.42%), com 104.574 (94.44%) sendo a votação nominal em 358 urnas.
Num comparativo com as eleições de 1996, esses números guardam uma preciosidade. Rosalba obteve menos votos do que na eleição anterior.
Enquanto em 96 tinham sido 57.407 em eleitorado de 114.218 aptos, em 2000 – contra Fafá, conseguiu 57.369 num contingente de 127.894 aptos. Ou seja, 38 votos a menos, apesar de aumento de 13.676 votantes.
Eleições de 2004 (Fonte: TSE):
Rosalba foi eleita três vezes, a começar de 1988 (Foto: reprodução)
- Fafá Rosado (PFL) – 57.743 (49,06%);
- Larissa Rosado (PMDB) – 34.688 (29,45%);
- Francisco José (PSB) – 21.210 (18,02%);
- Crispiniano Neto (PT) – 4.083 (3,47%);
- Brancos – 2.063 (…);
- Nulos – 5.708 (…);
- Maioria pró-Fafá Rosado de 23.075 (19,61%).
Existiam 143.235 eleitores aptos, mas compareceram 125.475. As abstenções atingiram 17.376 (12%),
Eleições de 2008 (Fonte: UOL/TSE):
- Fafá Rosado (PFL) – 65.329 (53,01%);
- Larissa Rosado (PSB) – 46.149 (37,44%);
- Renato Fernandes (PR) – 11.306 (9,17%);
- Heronildes Bezerra, “Heró”  (PRTB) – 464 (0,38%);
- Brancos – 3.678 (2%);
- Nulos – 7.400 (5%);
- Maioria pró-Fafá Rosado de 19.018 (16%).
Existiam 153.027 eleitores aptos, mas compareceram 134.326. Desse volume, 123.248 foram considerados válidos. As abstenções atingiram 18.701 (12%). Existiam 416 seções eleitorais.
Eleições de 2012 (Fonte: UOL/TSE):
- Cláudia Regina (DEM) – 68.604 (50,90%);
- Larissa Rosado (PSB) – 63.309 (46,97%);
- Josué Moreira – 1.932 (1,43%);
- Raimundo Nonato Sobrinho, “Cinquentinha” (Psol) – 948 – (0,70%);
- Edinaldo Calixto (PRTB) – 0 (0%);
- Brancos – 2.323 (1,61%);
- Nulos – 6.737 (4,68%);
- Maioria pró-Cláudia Regina de 5.295 (3,93%).
Existiam 164.975 eleitores aptos. Desse volume, 134.793 (93,70%) foram considerados válidos, num comparecimento que ocupou 460 secções organizadas pela Justiça Eleitoral.
As abstenções atingiram 21.122 (12,80%).

Por Carlos Santos

Paulo Francis tinha razão

Ivan Maciel de Andrade
Advogado

Paulo Francis ocupa um dos primeiros lugares numa relação que se faça dos mais cultos e brilhantes jornalistas brasileiros de todos os tempos. Decepcionou-se com o comunismo stalinista e tornou-se um reacionário intolerante e radical. A partir daí, sua irreverência criou muitos inimigos, que ele enfrentou em polêmicas cheias de sarcasmo e de violência verbal. Ele merece respeito, acima de tudo, por sua fulgurante inteligência. Mas também por sua dignidade como profissional e pela independência e coragem com que defendia suas opiniões. Por essas qualidades é que Paulo Francis faz uma grande falta hoje ao nosso país. O “Diário da corte” testemunha o que existe de melhor em sua intensa atividade jornalística, pautada pelo desafio a mitos, tabus e convenções sacralizadas.

Morreu Paulo Francis em 1997 de um infarto em Nova York. A causa do ataque cardíaco é conhecida: ele fez acusações de irregularidades à direção da Petrobras no programa “Manhattan Connection’’. A Petrobras moveu, então, uma ação contra Francis, perante a Justiça dos Estados Unidos, pedindo uma milionária indenização por danos morais. Francis, como não dispunha de provas concretas de irregularidades praticadas por dirigentes da Petrobras (que somente agora foram divulgadas pela mídia nacional e internacional), ficou profundamente receoso, diante do rigor da Justiça norte-americana, de vir a sofrer uma condenação que representaria a sua ruína financeira e patrimonial. A ironia de tudo isso é que, a esta altura, chegou-se à conclusão de que Paulo Francis, um jornalista excepcionalmente bem informado, tinha mesmo razão. O que significa dizer, em última análise, que Francis morreu vítima de suas “informações privilegiadas”: um fim de muita angústia!

Essa história envolvendo as denúncias de Francis contra dirigentes da Petrobras me lembra um conto de Machado de Assis com o título de “Suje-se gordo!”. Dois amigos conversavam no intervalo do segundo para o terceiro ato de uma peça teatral que versava sobre o tribunal do júri. Um dos amigos se confessou “contrário ao júri”, “não pela instituição em si”, que considerava liberal, mas porque lhe repugnava “condenar alguém”. Contou que, mesmo assim, “serviu duas vezes”. Na primeira, um moço era “acusado de haver furtado certa quantia, não grande, antes pequena” (esse tipo de crime estava, à época, sujeito a julgamento pelo júri). Machado conta que os debates entre acusação e defesa foram brilhantes. Mas a prova justificava plenamente a condenação e, por isso, não foi outro o resultado.

Chamou sua atenção, no entanto, a insistência com que determinado jurado se esforçava para que se condenasse o réu, logo, de imediato, sem maiores discussões. O que o revoltava era que fora “tudo por uma miséria”. E afirmava: “Quer sujar-se? Suje-se gordo!”. O narrador não entendeu de imediato o sentido dessa expressão. Só depois percebeu o seu (sutil) significado: “Suje-se gordo! era como se dissesse que o condenado era mais que ladrão, era um ladrão reles, um ladrão de nada”.


O erro de Francis foi meter-se num imbróglio em que os protagonistas seguiram à risca a recomendação do personagem machadiano: as negociatas ultrapassariam um bilhão de dólares.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Para garantir segurança do Enem, MEC cria comitê gestor de tecnologias da informação

Para garantir segurança do Enem, MEC cria comitê gestor de tecnologias da informação
Foto:Reprodução
O Ministério da Educação (MEC) criou nesta segunda-feira (28), o Comitê Gestor de Tecnologia, para aumentar a segurança em torno da realização do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Segundo informações da Agência Brasil, entre as responsabilidades da equipe estão o sistema de inscrição e a vista pedagógica (espelho de correção) da redação. O secretário executivo do MEC, Luiz Cláudio Costa, foi escolhido para presidir o comitê, que definirá os recursos de tecnologia de informação necessários para o cumprimento do cronograma e o formato da base de dados. Ele acompanhará e sugerirá melhorias do sistema integrado de monitoramento dos processos relacionados ao Enem. A data do Enem 2014 ainda não foi confirmada, mas há possibilidade de que ocorra nos dias 8 e 9 de novembro. 

Primeiro implante de “coração artificial” foi realizado na América do Sul

Operação demorou seis horas e salvou a vida de uma professora de 51 anos

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação
Especialistas colombianos fizeram, com êxito, uma cirurgia de implante do dispositivo de assistência ventricular Heartmate 2, conhecido como “coração artificial”, a primeira realizada na América do Sul, informaram, nessa quarta-feira (23), fontes médicas. A operação, de seis horas, feita na Fundação Cardiovascular da Colômbia, na cidade de Bucaramanga, permitiu salvar a vida de Cielo González Díaz, uma professora de 51 anos, segundo a instituição.
Para fazer esse tipo de intervenção, a equipe médica, composta por 25 profissionais de várias especialidades, precisou de mais de oito anos de preparação.
Leonardo Salazar, um dos médicos que liderou a equipe, disse que “graças ao Heartmate 2, os pacientes que têm doenças cardíacas terminais e que não podem receber um transplante por motivos como idade, peso ou condição física, ou pela falta da cultura de doação de órgãos, têm agora a oportunidade de ter uma vida normal e produtiva”.
De acordo com o especialista, atualmente há mais de 17 mil pessoas na América do Norte, Europa e Ásia com esse dispositivo, implantado agora pela primeira vez em um paciente na América do Sul.
Dados da Fundação Cardiovascular da Colômbia mostram que há cerca de um milhão de pacientes que sofrem de problemas cardíacos, causa de uma em cada três mortes naturais no país.

Fonte: Agência Brasil

Governo do RN arrecada R$ 1 bi em 4 meses e ainda atrasa os salários dos servidores


Arrecadação é R$ 117 milhões maior que a do mesmo período do ano passado. E Governo ainda reclama

Ciro Marques
Repórter de Política
O potiguar reclama que paga muito imposto e não tem o retorno nos serviços, sobretudo, em setores chave, como saúde, segurança e educação. Do outro lado, o Governo reclama da arrecadação de impostos, que é abaixo do esperado e impede que o Estado saia da crise. Quem está errado? Ao que parece, o Governo. Afinal, segundo o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), a arrecadação estadual de impostos só aumenta. Alias, já são mais de R$ 1 bilhão arrecadados em menos de quatro meses de 2014.
A informação foi divulgada hoje, pelo Sindicato dos Auditores Fiscais do RN (Sindifern). A categoria finalizou na semana passada o estudo sobre a situação econômica do Estado, analisando: receitas e despesas; as principais fontes de recursos e variações nos últimos três anos. A análise é baseada em dados do Estudo de Desempenho Econômico do Estado, com base na arrecadação e PIB, feito pelo Dieese.
“Quanto aos resultados da administração tributária do RN, numa análise comparativa do 1º Trimestre 2014 x 2013 dos impostos geridos pela Secretaria Estadual de Tributação (SET) em relação à Receita Corrente do RN, por exemplo, verificou-se que entre janeiro e abril deste ano a arrecadação dos impostos locais estaduais (geridos pela SET) cresceu 12,1% em relação ao ano passado. Chegamos a R$ 1.089.166.800 contra R$ 971.520.767 em 2013. Ou seja, o crescimento nominal foi de R$ 117.646.033″, adiantou Pedro Lopes, auditor fiscal presidente do Sindifern.
Com esses números, é possível dizer que, só de imposto, o Governo do Estado arrecadou R$ 272,2 milhões por mês, o que significa R$ 9 milhões por dia ou R$ 378 mil por hora, se preferir. Mesmo assim, a situação de crise no Rio Grande do Norte se manteve, inclusive, com o Executivo cortando parte do duodécimo previsto na Lei Orçamentária Anual (LOA) para os demais poderes. Fato que, até, já resultou numa ação civil pública pedindo o afastamento da governadora Rosalba Ciarlini (DEM) e, agora, um pedido de impeachment apresentado pelo Movimento Contra a Corrupção (Marcco) na Assembleia Legislativa.
NÚMEROS FEDERAIS
É bem verdade que, ao reclamar das contas públicas, o Governo do Estado fala, principalmente, da redução no repassa das verbas federais, principalmente, do Fundo de Participação dos Estados (FPE). Contudo, segundo o Dieese, os repasses constitucionais aumentaram. O que reduziram foram os convênios, ou seja, aquelas parcerias firmadas entre as gestões estadual e federal para obras públicas ou programas federais no RN. E isso aconteceu mesmo com o Rio Grande do Norte tendo, hoje, o presidente da Câmara Federal, o deputado Henrique Eduardo Alves, do PMDB.
“Nos últimos três anos, os convênios sofreram redução de 45,02%. As transferências da União (FPE, royalties, SUS, entre outros) cresceram 26,23%, e as demais receitas correntes cresceram juntas 44,3%”, analisou o auditor Pedro Lopes. “Em virtude desses comportamentos, as transferências da União perderam participação em relação à receita corrente, passando de 39,4% em 2010, para 37,3% em 2013. O mesmo aconteceu com os convênios, que representavam 3,4% em 2010, e em 2013 participaram com 1,4% da receita corrente. Já as demais receitas correntes aumentaram sua representatividade, passando de 13,3% em 2010 para 14,4% em 2013″, destaca Lopes.
COBRANÇA
Segundo o presidente do Sindifern, como uma das principais fontes de receitas, os impostos locais poderiam ter maior desempenho, caso o Governo investisse mais na própria estrutura da Secretaria de Tributação do Estado. É o que apontam os auditores.
“Embora a arrecadação esteja crescendo, o que se observa nos últimos três anos é uma redução nos investimentos relacionados à SET. Para termos uma ideia, na rubrica custeio/investimentos/outros gastos com a SET, o Governo gastou em 2010 R$ 11.612.784; em 2011 foram R$ 11.336.621 (-2,4%); em 2012 destinou R$ 12.816.440 e em 2013 aplicou apenas R$10.215.047, ou seja 20,3% a menos. Não é a toa que a categoria cobra melhores condições de trabalho e mais investimentos na secretaria”, avalia Lopes.

sábado, 12 de abril de 2014

Água: Nordeste ensina tecnologia a São Paulo

 Enquanto o Estado de São Paulo corre risco de desabastecimento de água, o governo federal avança na tecnologia de transformar água do mar em potável, uma tecnologia desenvolvida pela Universidade da Paraíba.

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, desembarca em Alagoas na terça para entregar 24 sistemas de dessalinização a 24 comunidades rurais de 12 cidades.
O programa, em parceria com o governo de Alagoas, investiu R$ 2,2 milhões para levar água a cerca de 8 mil moradores. A tecnologia já beneficia 100 mil pessoas no semiárido brasileiro.

Dilemas da mídia na democracia

O DILEMA, NA DEMOCRACIA, NÃO É ENTRE UMA IMPRENSA CALADA OU ESSA QUE TEMOS. UMA IMPRENSA MONOPOLIZADA POR ALGUMAS FAMÍLIAS, QUE ATUA COMO UM PARTIDO POLÍTICO.

Emir Sader, na Carta Maior 

A Presidente Dilma Rousseff costuma dizer que “prefere a imprensa barulhenta que calada”. Só que esse dilema se colocava na ditadura, quando a imprensa podia ser calada pela ditadura e era preferível que, qualquer que fosse sua orientação, permanecesse livre para expressá-la.

Na democracia as opções são outras. Ninguem quer calar a imprensa. Essa é a versão que ela busca dar das propostas de democratização dos meios de comunicação. Estas, ao contrário, não querem que ninguém deixe de falar, mas que muito mais gente, oxalá todos, possam se expressar.

O dilema, na democracia, não é, então, entre uma imprensa calada ou essa que temos. Uma imprensa monopolizada por algumas famílias, que define o que diz, como, quando, que pretende ser o partido de oposição, que distorce e/ou esconde a verdade. Uma imprensa financiada pelas agências de publicidade e, através destas, pelas grandes empresas, que colocam publicidade e, por meio delas, condicionam o funcionamento da imprensa.

Uma imprensa que escolhe quem vai escrever, como e quando, alinhando-se abertamente – conforme confissão explicita disso – como partido politico da oposição. Uma imprensa que, apenas dos índices econômicos revelarem o oposto: a economia cresce, aumenta o nível de emprego, os salários sobem acima da inflação, a inflação está controlada – cria um clima de incerteza, de preocupação, de insegurança, que por sua vez, se reflete em pesquisas manipuladas. Essa a imprensa que temos hoje, que condiciona as chamadas “agências de risco”, que pressiona sistematicamente o governo pelo aumento da taxa de juros, que representa não a população, mas o capital financeiro.

A alternativa a essa mídia antidemocrática não é calá-la. É democratizar a formação da opinião publica, limitando o poder monopolista dos meios atuais, abrindo canais alternativos da mídia – TV, rádio, jornais, internet. Ao não avançar em nada nessa direção, o governo é vitima da monopolização antidemocrática da mídia.

A mídia criou um clima de “terrorismo econômico”. E no marco de um modelo hegemonizado pelo capital especulativo, sumamente volátil e sensível a movimentos bruscos, esse clima tem efeito, aqui e lá fora. E o governo assiste impassível a essas manobras que anulam as tentativas do governo de canalizar recursos para os investimentos produtivos. O governo reage defensivamente, aumentando sucessivamente a taxa de juros diante do fantasma artificialmente construído do risco inflacionário. Reage exatamente como os especuladores e seus ventríloquos na mídia desejam – aumentando as tendências recessivas, pela atração dos capitais para a especulação.

Os boatos, o pânico forjado, o terrorismo da inflação, ao não ter respostas politicas, se tornam forças materiais e as auto profecias se cumprem, deixando o governo em um circulo vicioso. Sem democratização dos meios de comunicação, quebrando essa cadeia antidemocrática e especulativa, nem sequer a retomada do crescimento econômico será possível e sustentável. O dilema da mídia na democracia não é entre mídia monopolista ou silêncio, mas entre terrorismo econômico da ditadura midiática ou democratização dos meios de comunicação.

Câmara aprova lei que obriga que banheiros coletivos tenham torneira automática

Câmara aprova lei que obriga que banheiros coletivos tenham torneira automática
Foto: Reprodução
A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania aprovou a criação de uma lei que torna obrigatória a instalação de torneiras com vedação automática em todos os banheiros coletivos. O texto é do deputado Lincoln Portela (PR-MG) e foi considerado pelo relator, deputado Ronaldo Fonseca (Pros-DF), como importante para minimizar o consumo de água, “líquido sujeito a escassez em futuro próximo”. Lincoln Portela justifica a proposição da medida: “Além do aspecto ambiental, há ainda carência de recursos para ampliar os sistemas de fornecimento, e é crescente o déficit de água potável na maioria das cidades, cuja solução exige somas elevadíssimas de investimentos”. A aprovação do texto, em caráter conclusivo, foi feita na terça-feira (1º) e já tinha sido aprovado pela Comissão de Defesa do Consumidor. Agora, segue para análise do Senado, se não houver recurso para votação pelo Plenário.

domingo, 6 de abril de 2014

Dias antes de morrer, José Wilker gravou vídeo criticando políticos

“Elas são uma fonte de temor. Essas pessoas representam o que há de pior no caráter nacional“.
As aspas são do ator José Wilker em depoimento prestado poucos dias antes de morrer. Veja o vídeo:

O comunismo

Por Alberto Villas, na Carta Capital.
O meu pai tinha muito medo do comunismo. A notícia se espalhou pelo Brasil afora, numa época que não tinha Internet, não tinha e-mail, não tinha whatSapp. Mas se espalhou, acho que foi de boca em boca. E não era só o meu pai que tinha medo do comunismo. Meus tios, minhas tias, os vizinhos, o homem da banca de laranja do Mercado Central, o dono da oficina Mecânica, o dono da fábrica de filtros de barro São João, Seu Benito da Banca de Jornal.
Todo mundo tinha medo do comunismo. Quando o jornal O Globo publicava aquelas radiofotos de Fidel Castro ao lado de Che Guevara, o meu pai fazia questão de mostrar aos cinco filhos que aqueles ali eram os comunistas. Eu tinha quatorze anos e hoje confesso que ficava mesmo com medo daqueles barbudos vestidos de verde- oliva. A notícia que se espalhou não era somente que os comunistas queriam tomar o poder no Brasil.
Era muito mais. Lembro quando o meu tio João chegou com a notícia que me fez, apesar de tão jovem, perder o sono. Os comunistas quando invadissem o Brasil iam sacrificar o filho caçula de todas as famílias. Ele falava isso e olhava pro meu pai, o caçula de seis irmãos. A minha mãe acendia uma vela, pegava com os santos dela, fazia novena com um só pedido: que o comunismo não chegasse até nós. Ela ficava cheia de temores e não era pra menos. Ela perderia o marido e Verinha, nossa irmã mais nova que nem sabia ler ainda.
De onde veio essa notícia ninguém sabe, mas ela chegou pela boca do meu tio João, um homem sério, que vivia de terno e gravata. Quando eu questionava alguma coisa, minha mãe respondia: “Seu tio João não iria inventar uma coisa dessas”.
Além de sacrificar meu pai e Verinha, os comunistas iam tomar a casa do meu pai também, casa que ele construiu com tanto sacrifício. Sim, os comunistas iam tomar a casa dele. Eu me sentia um sem pai, sem irmã e sem teto. Quando veio o golpe e os militares liquidaram com a possiblidade dos comunistas tomarem o poder, senti que todos na minha casa ficaram muito aliviados. No meu bairro também. No Mercado Central também. Ninguém da minha família saiu às ruas para comemorar mas, no fundo no fundo, estavam felizes porque estávamos livres daquela praga do comunismo.
O meu pai voltou a contar piadas e a primeira que contou foi essa. Quando Charles de Gaulle, no alto dos seus dois metros e tanto de altura, veio ao Brasil, o presidente Castelo Branco deu a ele um fusca de presente. E De Gaulle, pra se vingar, deu uma gravata pro Castelo, aquele presidente que não tinha pescoço.
Eu achei a piada meio boba mas fiquei feliz de ver o meu pai ter voltado a contar anedotas na hora do jantar. Quando percebi que, para se livrar dos comunistas, estávamos vivendo uma ditadura, que aqueles adesivos JK 65 já não valiam mais nada porque eleições, nunca mais, eu comecei a questionar o meu pai. Num dia, na hora do jantar, enquanto minha passava o seu bife lá na cozinha, porque ele só gostava de comer bife quentinho feito na hora, ele ficou bravo comigo e perguntou na lata, olhando bem no fundo do meu olho:
- Você, por acaso, quer ser comunista, é?
Eu nunca respondi a ele.

Retratos da ditadura militar

ROGÉRIO TADEU ROMANO
Procurador Regional da República aposentado

Convém lembrar ás novas gerações, tão envolvidas com a chamada cultura do consumo e tão longe de ideais, que num triste momento da história brasileira, em 10 de abril de 1964, o Alto Comando Militar que se apoderou do poder, após o golpe de militar, iniciou processo de cassação de mandatos parlamentares e de suspensão de direitos políticos por dez anos, que atingiu, de início, cem pessoas vinculadas ao Governo João Goulart e à extinta Frente de Mobilização Popular.
Tais medidas foram estendidas a outros setores da vida pública brasileira, tendo após atingido JK, que foi perseguido e submetido a várias humilhações, e, por fim,  Carlos Lacerda, que, de início, apoiou o golpe e depois fez ao governo militar oposição.
De início, tiveram seus direitos políticos cassados, por dez anos, os ex-Presidentes Jânio Quadros e João Goulart, o então Secretário-Geral do Partido Comunista Brasileiro, Luis Carlos Prestes, os ex-GovernadoresMiguel Arraes e Leonel Brizola, além, dentre outros, do ex-Ministro da Justiça, Abelardo Jurema.
Ouvido, disse o ilustre jurista Aliomar Baleeiro:
— Não foi com prazer, não foi com alegria que li os termos do Ato Institucional. A começar pela redação, péssima redação. Concordo com a tese de que a revolução tem poderes constituintes, mas não com a tese de que só por sua concessão permanecem os mandatos de deputados. Pessoalmente, afirmo: meu mandato não é legitimado pelo ato institucional, mas pelo pedaço de papel que atesta os milhares de votos que recebi nas eleições.
Aliomar Baleeiro  viu odor do Estado Novo no Ato aqui referenciado.
Disse Wilson Martins, da UDN de Mato Grosso ao não admitir cassações dos mandatos sem o respeito aos princípios mais primários de justiça: o direito de prévia defesa dos acusado:
— Não votarei, nas eleições que o Congresso fará, no candidato oficial Castelo Branco. E não votarei porque tem ele responsabilidade nesse Ato Institucional que corta as liberdades e os direitos dos brasileiros nesse instante.
Sabe-se que os restos mortais do ex-presidente João Goulart , que à época da morte, em 1976, não teve seu corpo autopsiado, foram exumados, recebendo merecidas homenagens do povo e do estado brasileiro, aguardando-se os resultados periciais que vão determinar se houve ou não assassinato com a ingestão de comprimidos suspeitos.
Por sua vez, o ex-Presidente da República Juscelino Kubitscheck, no dia 3 de junho de 1964, fez um discurso profético, porque sabia que seria cassado. Dias após, esse ato de cassação foi perpetrado, suspendendo seus direitos políticos por dez anos.
Há alguns meses veio a noticia de que a Comissão da Verdade da Câmara de São Paulo vai pedir que  seja feita a retificação sobre a morte do ex-presidente Juscelino Kubitscheck para a Presidente da República Dilma Rousseff, o Presidente do Congresso, Senador Renan Calheiros e a Comissão Nacional  da Verdade.
O Presidente da Comissão, Vereador Gilberto Natalini, divulgou relatório com indícios reforçando a suspeita de que houve uma conspiração.
Para a comissão foi ele assassinado pelo regime militar, tendo sido montada uma farsa para esconder o homicídio.
Foi dito que o motorista de JK, Geraldo Ribeiro, teria levado um tiro na cabeça e perdido o controle do carro, atravessando a pista e colidindo contra uma carreta em sentido contrário. JK e Ribeiro morreram no local.
Entre as evidências apresentadas pela Comissão da Verdade estariam os laudos que apontam um fragmento de metal no crânio de Geraldo Ribeiro e imagens que mostram avarias no veículo opala, após o carro ter sido levado pela perícia. As avarias teriam sido feitas, segundo o que foi relatado pela Comissão da Verdade da Câmara de Vereadores de São Paulo, para encobrir a verdadeira causa da tragédia.
O Judiciário deve dar a última palavra na matéria, declarando se essas conclusões coincidem com a verdade dos fatos e se há razões para retificação de registro das certidões de óbito.

Blog do Prof. Ozamir Lima - Designer: Segundo Freitas