quarta-feira, 29 de agosto de 2007

História: 29 de agosto de 1983


Finda o congresso de fundação da Central Única dos Trabalhadores (CUT), em São Bernardo, SP. Reuniu 5.059 delegados de 912 entidades e elege Jair Menegueli presidente (até 1994). A unidade aludida na sigla não se efetiva, mas a CUT se afirma como maior e mais longeva central da história do sindicalismo brasileiro.

DE OLHO NO BRASIL


Brasil tem o 8º maior arsenal de armas leves do mundo

O Brasil tem o oitavo maior arsenal de armas leves do mundo, com 15,3 milhões de pistolas e outras armas, e um número de vítimas supera a de muitos países em guerra. Os dados foram publicados na segunda-feira, 27, pela entidade Small Arms Survey, o principal centro de pesquisa no mundo sobre armas leves e que destaca que apenas 10% dos homicídios acabam sendo julgados e os responsáveis condenados. Segundo o levantamento, cerca de 80% das munições que acabam nas mãos de criminosos tem origem nas forças policiais e o Brasil não é transparente em suas exportações de armas. De acordo com a entidade, o País é o segundo maior fornecedor de armas e munições para a Venezuela.

Do Estado de S. Paulo

POEMA DO DIA

Eu ouço música ( Mário Quintana)

Eu ouço música como quem apanha chuva:
resignado
e triste
de saber que existe um mundo
do Outro Mundo...
Eu ouço música como quem está morto
e sente

um profundo desconforto
de me verem ainda neste mundo de cá...
Perdoai,
maestros,
meu estranho ar!
Eu ouço música como um anjo doente
que não pode voar.

Os 40, Drummond, o mensalão e o Correio Braziliense

O jornal "Correio Braziliense" estampou na capa de hoje um poema inspirado em uma poesia de Carlos Drummond de Andrade: "Quadrilha". Os versos explicam como funcionava o esquema do mensalão, um dia após o STF aceitar a denúncia da procuradoria-geral da República contra 40 suspeitos.


Leia a íntegra do poema feito pelo jornal:

Dirceu mandava em Delúbio que tramava com Valério que pagava Valdemar que foi denunciado por Jefferson que incriminou Genoino que não entregou ninguém. Dirceu foi para a planície, Delúbio para a fazenda, Valério mudou o penteado, Jefferson ficou sem mandato, Genoino perdeu a pose, e O STF, que não estava na história, pôs todos no banco dos réus

Leia a íntegra do poema feito pelo jornal:

Dirceu mandava em Delúbio
que tramava com Valério
que pagava Valdemar
que foi denunciado por Jefferson
que incriminou Genoino
que não entregou ninguém.
Dirceu foi para a planície,
Delúbio para a fazenda,
Valério mudou o penteado,
Jefferson ficou sem mandato,
Genoino perdeu a pose, e
O STF, que não estava na história,
pôs todos no banco dos réus

Leia o poema original, de Drummond:


João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para o Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.
.

terça-feira, 28 de agosto de 2007

CARGOS COMISSIONADOS


História: 28 de agosto de 1979


O general Figueiredo sanciona a Anistia, parcial, limitada e recíproca, mas ainda sim uma conquista. Parte dos presos políticos é libertada, os exilados retornam à pátria, os clandestinos voltam à superfície.

[Projeto reformulará LDB] Professor pode ter de fazer residência

do Estadão

Um projeto de lei que tramita na comissão de Educação do Senado cria uma residência para professores, nos moldes da residência médica. Seriam 800 horas de prática em sala de aula após a formatura, que se tornariam obrigatórias para a futura atuação dos profissionais nas redes pública e privada do País. A intenção é melhorar a qualidade da formação do professor, principalmente do ensino infantil e dos anos iniciais da educação fundamental.

O projeto prevê pagamento de uma bolsa para os formandos durante o período de residência. Segundo o senador Marco Maciel (DEM-PE), autor do projeto, essa verba deveria vir do governo federal. Não há previsão de quanto seria pago ao professor residente. Segundo dados do Ministério da Educação (MEC), há cerca de 90 mil alunos em cursos de Educação no País, que incluem Pedagogia e Normal Superior, entre outros.

domingo, 26 de agosto de 2007

Cafeína ajuda a estudar?

Quem nunca precisou ficar uma noite inteira acordado para cumprir alguma difícil e demorada tarefa? Temos aquela velha receita: um bom café faz acordar, e ajuda no rendimento da tarefa, certo?

Tudo indica que café é bom, mas depende da tarefa: caso requeira memória de operação, ou de curta duração, ajuda. Mas se precisarmos recorrer a recordações mais remotas, a cafeína diminui a capacidade de evocar as lembranças. Em outras palavras, café é muito bom para despertar durante a manhã. Mas para estudar de madrugada…

Pelo menos é o que sugere um estudo recente. Recente? Putz, o estudo é de 2004. Acabei de constatar uma coisa: a cafeína interfere também na atenção!

Manifesto pela decência na escola pública carioca

Em 1945 o mundo começou a conhecer a extensão do horror do Holocausto. Iniciaram-se as prisões. Dos guardas dos campos de extermínio aos ministros do reich. A todos foi feita a mesma pergunta: Você sabia o que estava acontecendo ? E todos responderam que sim. Você participou? E todos responderam que sim. Por que? A resposta foi única para todos os escalões: Eu estava cumprindo ordens. Todos se isentaram da responsabilidade alegando que nada poderiam fazer sozinhos contra o sistema e que não possuíam autoridade para mudar nada. Não posso deixar de traçar um paralelo com a atual escola pública carioca.
Ora perpetra-se mais um ato nocivo contra esta Escola Pública Carioca, a aprovação automática. Porém não podemos dizer que isto seja o início do fim da boa escola. Na verdade este é o ápice de um processo de degradação que se iniciou, pelo menos, há vinte anos.
Nos últimos vinte anos assistimos à desvalorização profissional do professor. Assistimos à degradação salarial de nossa categoria, chegando ao ponto de hoje termos menos de três salários mínimos de piso salarial inicial no Município do Rio de Janeiro e pouco mais de um no Estado. Nossa profissão virou bico, até para profissionais de outras áreas, que permanecem em sala de aula enquanto esperam concursos para funções mais valorizadas e melhor remuneradas. Muitos se preparam para concursos e sonham com o dia que poderão abandonar o magistério. Não possuímos sequer um plano de carreira que distingüa o profissional que há trinta anos labuta no magistério daquele que mal acabou de ingressar.
Assistimos ao surgimento de uma legislação que ameaça o professor diariamente com denúncias, sindicâncias e processos, administrativos e penais. Disciplina e respeito ao profissional que insiste em realizar suas tarefas com critérios passaram a ser mercadoria de difícil aquisição. Professores que exigem silêncio em sala de aula e um mínimo de respeito ao seu trabalho passaram a ser taxados de superados e retrógrados. Ridiculariza-se o profissional, que busca na ordem a base de seu trabalho, como colega retrógrado e que não possui recursos pedagógicos para seduzir o aluno desinteressado. Cobrar do aluno dedicação na aquisição de conhecimentos mínimos para a construção de sua própria intelectualidade passou a ser crime. Fomos taxados de conteudistas e autoritários. Hoje o afastamento de professores da sala de aula por depressão e exaustão chega a índice alarmantes.
Assistimos à degradação da escola que deixou de ter como prioridade o caráter instrucional para privilegiar o paternalismo e o assistencialismo. A escola se tornou um mero trampolim para políticas eleitoreiras, oportunistas e carreiristas. Aprender, ou não, passou a ser um mero detalhe da multi escola. O importante era conseguir, fosse como fosse, índices de aproveitamento altíssimos que respaldassem a política educacional e servissem para material de propaganda eleitoral. Além disto estes índices permitiam o aval necessário para que se contraíssem empréstimos em instituições financeiras estrangeiras ou junto ao governo federal. Adotamos modismos pedagógicos, que em nada se identificavam com nossa realidade sócio econômica, com o único de fim de facilitar a aprovação em massa e empregar um certo grupo de professores que possui alergia à sala de aula e a aluno. Ninguém pensou em sanar as verdadeiras razões da evasão e da reprovação: a má qualidade da escola pública.
Assistimos à degradação física de nossas escolas. Salas onde, não raras vezes, alcançamos temperaturas de 40º centígrados e um único ventilador, que mais se parece com um helicóptero prestes a decolar e mais inferniza a sala do que a refresca. Nos dias frios e chuvosos rajadas de vento adentram as salas através das vidraças quebradas e dos buracos no telhado. Salas inundadas onde só se pode trabalhar fugindo das goteiras. Temos que rearrumar as carteiras para evitar que as crianças fiquem expostas a intempéries. Salas são improvisadas ao lado de quadras esportivas inviabilizando qualquer aula séria. Junte-se a isto salas quebradas, sujas, pichadas com mobiliário em estado deplorável. Turmas super lotadas se espremem nas salas de aula sob a ameaça constante de coordenadorias de encerrarem as turmas que possuírem menos de trinta alunos. Absolutamente tudo conspira contra um trabalho de qualidade.Há anos professores são coagidos administrativamente a aprovar alunos que mal sabem assinar o próprio nome. Sob a espúria justificativa de que não devem ser socialmente excluídos. Porém todos sabemos que quem os excluirá é o mercado. Serão relegados às atividades mais primárias e as de pior remuneração. Somente perceberão o engodo a que foram submetidos quando se derem conta que não possuem qualquer preparo intelectual para uma concorrência com aqueles que se formaram em escolas de excelência. Não poucos enveredarão pelos descaminhos da sociedade ou se manterão no mercado informal.
Nossa categoria profissional assistiu a tudo só se manifestando quando tinha ameaçados seus parcos vencimentos. Funções fundamentais de apoio ao professor regente foram extintas. Não mais possuímos serviço de orientação educacional (SOE) assim como supervisores e coordenadores de área. Criou-se a função de Coordenador Pedagógico com o único encargo de convencer os professores que tudo é feito no melhor interesse da educação e que todos devem aceitar as novas diretrizes com alegria e empenho. Nem Joseph Goebles teria feito melhor.
Faltam profissionais de secretaria, faltam inspetores de disciplina, faltam merendeiras, faltam profissionais de limpeza, enfim, somos um deserto de profissionais. As carências na sala de aula são preenchidas por profissionais em caráter de Dupla Regência ( hora-extra ) que dificilmente conseguem realizar um trabalho de qualidade a médio e longo prazo em razão da precariedade de sua lotação. Assim, professores correm de uma escola para a outra a fim de complementarem seus salários ridículos. Ora a Secretaria Municipal de Educação dificulta o pagamento do horário complementar a professores que realizam estas duplas e cancelam pequenas vantagens salariais em diversas escolas assim como o adicional de difícil acesso.
A concessão de licenças médicas são dificultadas e professores se arrastam em sala de aula para não perderem a remuneração de suas horas-extras que tanta falta fazem nos momentos de doença. Assim caímos em um dilema quando doentes, se entramos de licença não temos dinheiro para nos tratarmos se continuamos a trabalhar não melhoramos do mal. Colegas que já trabalharam o tempo necessário para se aposentarem continuam na ativa pois não poderiam sobreviver com dignidade sem a hora-extra e o acréscimo permanência. Chega a ser cruel a situação do professor.
Direções deixam de receber com freqüência meios para a manutenção física e de equipamentos nas escolas ( SDP ) sob a desculpa de falta de recursos porém um único estádio de futebol construído para o PANAMERICANO custou R$ 380.000.000,00. Somente esta verba seria suficiente para reformar dois terços dos prédios da rede pública municipal. Não existem previsões administrativas de como manter o estádio após os cinco ou seis jogos da competição.
Em 2007 a carga horária de Língua Portuguesa das turmas de 5.ª e 6.ª séries e de Matemática da 7.ª e 8.ª séries foram reduzidas de seis horas aulas semanais para quatro horas aulas. Quando se constata no Brasil inteiro a decadência da qualidade da educação brasileira o município do Rio de Janeiro diminui o número de horas de aula ministradas às crianças. Pedidos de licença para mestrados e doutorados são sistematicamente negados sob a alegação de faltas de regentes enquanto gabinetes de políticos e juizes pululam de servidores cedidos ao legislativo e judiciário. É visível o aumento da idade média dos professores regentes de segundo segmento ( 5.ª a 8.ª séries ). Além de não existir motivação que leve a uma renovação da rede inúmeras turmas amargam a falta de mestres em diversas disciplinas. Nestes casos conceitos são criados de forma que os históricos escolares não delatem a realidade: o não cumprimento da carga horária mínima durante várias séries.
O famigerado ciclo, que não funcionou em nenhum lugar do Brasil com êxito avança célere em nossa rede. Dissocia-se o ano civil do ano letivo e atrela-se à evolução biológica. Porém toda a estrutura administrativa, política, econômica, social e cultural do Estado permanece obedecendo um calendário que se inicia em janeiro e se encerra em dezembro. Desta forma cria-se um descompasso entre escola e sociedade que só tem como resultado a confusão administrativa e pedagógica.
A falta de regras mínimas de conduta e respeito ao ambiente escolar estimulam a desordem e a violência entre alunos e servidores e entre os próprios alunos. O antigo uniforme escolar se tornou um arremedo. Alunos ingressam, muitas vezes, de forma imoral sem que possam sofrer qualquer admoestação. Adereços e adornos vulgares e impróprios para o ambiente escolar são utilizados pelos alunos sem que nenhuma orientação de compostura lhes possa ser dada sob pena de constrangimento da criança. A violência campeia em diversas unidades, e em seu entorno, com ameaças aos professores e funcionários. O professor se tornou refém dos alunos e da legislação. Antigas atividades extra muros, como passeios e visitas, se tornaram extremamente raras em virtude da indisciplina geral e da falta de educação. Nada ,absolutamente nada, lembra um ambiente de formação intelectual, moral e ética.
A tudo isto soma-se agora o roubo da dignidade, do orgulho e do amor próprio do aluno. O direito da conquista do sucesso através do empenho e da dedicação lhe é negado. O sabor feliz da vitória após a luta e a entrega pessoal nunca lhe será conhecido. A promoção automática lhe negará o prazer de dizer aos seus filhos : passei naquele professor exigente com uma nota dez e um parabéns! Ele nunca saberá que realmente é capaz. A promoção lhe será entregue como uma obrigação protocolar e nivelará o seu desempenho com os negligentes e indolentes. Seu diploma em breve será um papel desprezado pela sociedade como fruto de uma fraude e só servirá como motivo de risos. Estamos criando a escola que exige média zero para a provação. Formar-se-á uma geração que acreditará que nunca será avaliada ou classificada. Triste destino de nossas crianças. Nunca saberão o que é apresentar à família, ou a uma namorada, ou a um amigo, ou a ele mesmo, aquela prova maravilhosa que lhe diz no íntimo que ele não é um imbecil mas sim um ser humano capaz. Será lhe negado até conhecer a extensão de sua própria ignorância. O paternalismo alcança seu paroxismo. E a escola a anomia.
E o que fazemos nós professores? Reagimos? Contestamos? Questionamos? Não! Continuamos a cumprir ordens. Em breve o povo desta nação também se dará conta da extensão da tragédia que assolou a nossa educação, e nos perguntará: Vocês sabiam? Vocês participaram? Por que? Estávamos cumprindo ordens.
ATENÇÃO PROFESSOR
Muito em breve eles passarão e nós permaneceremos. A nós caberá arrumar a desordem deixada.
Levemos aos nossos alunos em sala de aula todas as implicações de se receber um diploma pelo qual não se precisou lutar.
Peçamos a todos, professores, alunos e responsáveis, que enviem correspondência eletrônica ao Sr. prefeito e à Sr.ª secretária de educação, repudiando este crime cometido contra as crianças e adolescentes de nossa cidade.
Peço que esta mensagem seja repassada a todos os professores que você conhece. Todos! Não se omita, lute. Você não está sozinho. Somos muitos. Municipais, estaduais, federais, ativos, aposentados, atuantes ou não. De ensino fundamental, médio ou superior. Não podemos dizer no futuro que assistimos a tudo sem ao menos nos indignar. É preciso que nos posicionemos contra a destruição de nossa escola pública e do futuro de nossas crianças e adolescentes. É preciso que resgatemos nossa dignidade. E poderemos dizer, no futuro, que RESISTIMOS.
SUGIRO UMA REFLEXÃO, EM TODAS AS NOSSAS ESCOLAS, ONDE POSSAMOS ORGANIZAR COM COLEGAS, ALUNOS E RESPONSÁVEIS UM REPÚDIO À APROVAÇÃO AUTOMÁTICA . NÃO SOMOS MÁQUINAS, HOMENS E SERES HUMANOS É O QUE SOMOS!

[ENTREVISTA] Lula: "Não existe insubstituível"

Em entrevista ao Estado de São Paulo, o presidente Lula foi categórico ao dizer que não pretende disputar em 2010 um terceito mandato. "Quando um dirigente político começa a pensar que é imprescindível, que ele é insubstituível, começa a nascer um ditadorzinho.

"O petista, no entanto, disse que nãO vai ser apenas um espectador da sucessão. "Não ficarei neutro. Tenho posição política, tenho partido. E quero subir em palanque", anunciou.

O presidente também demonstrou desconforto ao falar do mensalão e admitiu que o governo errou na crise aérea.

Confira trechos da entrevista:

ALIANÇAS EM 2010

"Seria prudente que nós aprendêssemos algumas lições que a vida ensina. Muitas vezes, a disputa se dá por interesse pessoal de um indivíduo, que quer marcar posição sendo candidato a alguma coisa. Se ele tem sucesso, ótimo. Se ele não tem, todos ficam com o prejuízo de uma derrota eleitoral. Tenho ponderado aos presidentes dos partidos da base que seria importante que eles conversassem e começassem a mapear a possibilidade de alianças políticas nas prefeituras das capitais e das cidades mais importantes do País. Se as direções não conversam antecipadamente, permitem que o jogo eleitoral e o interesse iminentemente municipal determinem a política local e o conflito nacional. Onde é possível construir aliança política para disputar, por exemplo, 2008? Onde é possível ter candidaturas próprias? Esse gesto pode facilitar a candidatura em 2010".

CANDIDATO ÚNICO

"Se a gente tiver juízo, a gente constrói essa candidatura única. Ser do PT ou não ser do PT é um problema que o partido vai ter de decidir. Eu acho improvável que um partido do tamanho do PT decida não ter candidato. Assim como é bastante provável que todos os outros partidos da base apresentem candidatos. Mas é importante que o PT esteja disposto a conversar, e que a gente construa a possibilidade de ter uma candidatura única da base.

ECONOMIA

"Estou convencido de que temos solidez para segurar este país. As bases estão construídas. Tenho um mandato de quatro anos, e não quero ser julgado nem por seis meses, nem por um ano. Eu quero ser julgado pelos quatro. Foi duro, foi um sofrimento, vocês não sabem o que passou na minha cabeça no dia 1º de Maio de 2004, quando eu não pude dar reajuste (no salário mínimo). Hoje vivemos um momento bom, mas, se a gente perder a seriedade e achar que já pode fazer a farra do boi, nós poderemos quebrar a cara. Construímos o básico, mas ainda tem muita coisa para ser feita".

CASO RENAN

"O caso Renan é um caso típico do Congresso. O que eu posso fazer como presidente da República? Nada, a não ser torcer para que o Senado resolva aquele problema. O Senado poderia ter resolvido mandando para a Suprema Corte, mandando para o Ministério Público..."

TERCEIRO MANDATO

"Não existe ninguém que não seja substituível, ou que seja imprescindível. Quando um dirigente político começa a pensar que é imprescindível, que ele é insubstituível, começa a nascer um ditadorzinho. Acho que eu só cheguei à Presidência da República por conta da democracia deste país. Foi a democracia que permitiu que um operário metalúrgico, utilizando todos os instrumentos democráticos e vivendo as adversidades, chegasse à Presidência. Então, eu tenho de valorizar isso. Um dia eu acreditei que era possível chegar à Presidência pelo voto. E não eram poucos os estudiosos que me diziam que seria impossível, pelo voto, chegar lá".

MENSALÃO

"(Do mensalão) Ficou o seguinte: quem erra paga. Houve uma denúncia, que foi apurada. Saiu do Congresso e foi para o Ministério Público, que fez a sua parte. O MP pediu indiciamento. Foi para o Supremo, que decide ou não se acata o indiciamento. E aí as pessoas serão processadas em função de novas provas e novas investigações. Tem gente que acha que isso é um trauma. Para mim, não. Para mim, isso é um canal de desobstrução da democracia brasileira".

CRISE AÉREA

"A sociedade brasileira queria a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). A Anac era uma reivindicação histórica. Não tinha um sindicalista que não dissesse que era preciso ter a Anac. Foi construída a Anac, mas, obviamente, ela leva um tempo para se construir e para tomar pé. E a agência tomou pé no momento da crise aérea. Até que nós chegamos ao acidente em Congonhas (com o avião da TAM, no dia 17 de julho, com 199 mortos). A ordem que dei ao ministro Jobim foi esta: você tem carta branca para fazer o que tiver de ser feito. Nós precisamos começar a resolver os problemas em definitivo. E temos de começar pelo comportamento das empresas. Muitas vezes se escrevia que a Infraero não dava informações sobre os vôos atrasados, mas o que não estava sendo comunicado é que aquele avião tinha trazido o passageiro de Pernambuco para Brasília e, quando chegou aqui, não tinha tripulação. Como as companhias estavam usando os seus aviões 14 horas por dia, qualquer falha deflagrava um efeito dominó. E as empresas, algumas, colocavam comandantes para falar que era culpa dos controladores, quando o controlador não tinha nada a ver com aquilo. Nós cansamos. Cansamos. Pagamos um preço, e agora é preciso consertar."

sábado, 25 de agosto de 2007

História: 25 de agosto de 1987

Cena do Pixote de Hector Babenko

Fernando Ramos da Silva, 19 anos, que interpretara o papel principal do filme Pixote, um menino de rua, é morto com 8 tiros pela polícia em Diadema, São Paulo.


MEC RECONHECE CURSOS SEM AVALIÁ-LOS


Pressupõe-se que os cursos de graduação devam ser avaliados pelo Ministério da Educação (MEC) antes de serem reconhecidos. No entanto, para surpresa geral, o MEC reconheceu cerca de 600 cursos de graduação no país, sendo 172 na Bahia, das quais duas são ministradas por instituições públicas. A dispensa da avaliação é respaldada pela Portaria 608/2007, publicada em 29 de junho no Diário Oficial e que tem validade até 31 de dezembro. O jornal A Tarde traz na edição de hoje matéria sobre o tema.

REVISTAS SEMANAIS



A revista "Veja" desta semana traz matéria especial sobre os cuidados com o coração. Na "IstoÉ": os bastidores do julgamento do século no Brasil: Esquema do Mensalão

TRABALHO INFORMAL = 40% DO PIB BRASILEIRO


Um relatório divulgado quinta-feira (23) pelo Banco Mundial indica que 56% dos postos de trabalho nas áreas urbanas da América Latina e do Caribe são informais. No Brasil, a economia informal é equivalente a cerca de 40% do Produto Interno Bruto nacional, índice que corresponde à média latino-americana. Intitulado “Informalidade: Saída e Exclusão”, o documento diz que o crescimento do trabalho informal corrói a integridade das sociedades da região, prejudicando o bem-estar social. Os maiores níveis de informalidade ocorrem na Bolívia e no Panamá, onde responde por cerca de 70% da economia. Os menores estão na Argentina e no Chile, onde a informalidade atinge cerca de 25% e 20% da economia, respectivamente. Ela é mais comum entre jovens, funcionando como uma porta de entrada para o mercado de trabalho, e entre velhos, que não conseguem mais encontrar empregos.

O AMARGO DA CULTURA DE MASSAS

A pedra e o reino
Dom Quixote e Sancho Pança,nas trilhas imaginárias de uma cultura genuína

Por Luiz Augusto Crispim Do JC Online

A pedra do reino de Ariano não é do reino deste mundo. Pelo menos não desse mundo globalizado por baixo, alheio às coisas verdadeiras da cultura nordestina em suas raízes mais puras. Daí a leitura ainda recente de um Ibope enganador, habituado a medir triângulos amorosos previsíveis e desejos desmedidos de vencer na vida, de preferência sem precisar fazer muita força.


A passagem do romance de Ariano Suassuna pela mídia de massa não autoriza a crítica a oferecer juízo estético de valor sobre um texto literário tão vivo em suas peculiaridades quanto Ulisses de James Joyce e O Processo de Franz Kafka. A criação artística não se transplanta de um meio para o outro, como se faz com um ramo de bogari.


Quando Orson Welles resolveu adaptar o romance de Kafka, em 1962, metade da intelligentzia ocidental recebeu o filme com azedume, sob a alegação de que aquilo que estava na tela pouco ou quase nada tinha a ver com o original do escritor tcheco. E não podia ter. Era O processo de Welles. Vista dessa forma, a obra só passou a ser respeitada a partir do momento em que ganhou identidade própria nas mãos de um gênio tão admirável quanto o próprio Kafka.
Leia texto completo


POR UMA DEMOCRACIA DIGITAL

Artigo do educador Jorge Werthein apresenta as fragilidades da política de informatização das escolas públicas do Brasil.Além das computadores, é necessário saber usá-los para a formação educacional e profissional. Clique abaixo e confira o material publicado no Correio Braziliense.

Leia o texto completo e os comentários

[Música do dia] TEARS IN HEAVEN- ERIC CLAPTON

A PERDIÇAO DO SENADOR RENAN CALHEIROS

Mônica Veloso, a ex-amante do senador Renan, estará na Playboy de outubro.

História: 24 de agosto de 1954

Homenagem: o controvertido governante se agiganta ao morrer

Vargas se mata com tiro de revólver no peito, no Catete, Rio. O rádio irradia sua Carta-Testamento: "Esse povo de quem fui escravo não mais será escravo de ninguém". Protesto espontâneo culpa os EUA pela morte, ataca sedes da UDN e da imprensa de direita. A explosão de revolta leva o Exército a ocupar as grandes cidades.

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

BOA TARDE!


Aninha e suas pedras (Cora coralina)

Não te deixes destruir...
Ajuntando novas pedras
e construindo novos poemas.
Recria tua vida, sempre, sempre.
Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.
Faz de tua vida mesquinha
um poema.
E viverás no coração dos jovens
e na memória das gerações que hão de vir.
Esta fonte é para uso de todos os sedentos.
Toma a tua parte.
Vem a estas páginas
e não entraves seu uso
aos que têm sede.

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

História: 22 de agosto de 1973

Juscelino Kubitschek morre em acidente de carro na via Dutra, em circunstâncias nunca esclarecidas. Tem 74 anos, 12 da cassação de 1964. Seu sepultamento é uma muda e eloquente manifestação antiditatorial, com 30 mil presentes.

A FOTO DO DIA

CIRCO NA ESPANHA

A tirania mundial

Por Fidel Castro


Aqueles que constituíram a nação norte-americana jamais imaginaram que aquilo que estavam proclamando nessa altura levava consigo, mesmo como qualquer outra sociedade histórica, os gérmenes de sua própria transformação.

Na atrativa Declaração de Independência de 1776, que na quarta-feira passada fez 231 anos, afirmava-se algo que de uma maneira ou outra cativou a muitos de nós.

Não há direito quando causa a morte do outro

A greve de médicos na Paraíba ganhou contorno macabro e cruel com a morte da jovem de 28 anos Elisângela de Lurdes Nonato de Souza, ocorrida dois dias depois do criminoso cancelamento da cirurgia cardíaca que faria no SUS que estava agendada a três meses.

Não deve haver, para os humanistas, nenhum direito a greve que possa ter como resultante a morte de quem depende do cuidado do grevista e do serviço paralisado.

A greve da saúde na Paraíba, como em Alagoas, traz à mesa a exigência de realização de um debate público sobre uma questão que é mais que trabalhista; é ética. E que deve abranger também a discussão sobre outras áreas igualmente vitais, que não podem ficar sujeitas a uma visão deturpada de "realismo sindical". Greve não rima com morte!
Elio Gaspari escreve sobre o assunto na FSP de hoje [ler o artigo "As greves de médicos beiram o crime" ...]

FRASE DO DIA

"Um dia sem rir é um dia desperdiçado."

(Charles Chaplin).

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

A FARRA DOS BANCOS

Primeiro foi o Bradesco. Os jornais da terça-feira, sete de agosto, trouxeram a notícia do novo recorde histórico. O lucro líquido declarado pelo banco alcançou, no primeiro semestre deste ano, a espantosa soma de R$ 4,007 bilhões, um montante superior em 27,9% ao abocanhado no mesmo período no ano de 2006. Até então, era o maior resultado já obtido em um semestre por um banco privado no Brasil.

No dia seguinte, no entanto, o pódio de ouro do ganho financeiro tinha novo titular: o banco Itaú. Seu lucro líquido declarado no semestre foi de R$ 4,016 bilhões, resultado 35,8% superior ao obtido no mesmo período do ano passado. Superou o concorrente nesta corrida absurda, onde o vendaval da rapina legalizada e contínua concentra a riqueza num número cada vez menor de mãos.

Logo em seguida virão os resultados dos bancos privados menores, onde a mesma tendência de aceleração do ganho na intermediação financeira deve ser registrada. E também o resultado do Banco do Brasil que, embora público, opera no mesmo diapasão dos bancos comerciais. Uma verdadeira farra ensandecida que os jornais noticiam com ares de fatalidade natural. É a lógica implacável do modelo econômico dominante, diante do qual ao cidadão é reservada a condição de vítima silenciosa.

São dados que afirmam o Brasil como um verdadeiro paraíso dos banqueiros, onde a extorsão financeira nada de braçada. O gráfico tipo escadinha, que compara nos semestres a lucratividade da banca privada, se desenha com patamares cada vez mais elevados e sofre uma súbita elevação neste ultimo período. No caso em pauta, dados dos primeiros semestres, o Itaú evoluiu assim: em 2004, R$ 1,824 bilhão; em 2005, R$ 2,474 bilhões; em 2006, R$ 2,958 bilhões; em 2007, R$ 4,016 bilhões. A escadinha do Bradesco não é diferente, e ambos anunciam que vão lucrar ainda mais no próximo semestre.

Como diria o nosso loquaz presidente, nunca em nenhum governo ou momento da história, desde que os fenícios inventaram o dinheiro, se ganhou tanto em tão pouco tempo. Até a Folha de S. Paulo, em editorial do dia 8/8, afirmou que “os banqueiros (...) continuam acumulando motivos, medidos na casa dos bilhões, para aplaudir o governo petista”. Não foi, é claro, o governo Lula que inventou a engrenagem infernal do cassino financeiro. Mas está comprometido com ela até a medula, pois a política econômica do governo é o principal motor da sangria desatada.

Sem dúvida, os ganhos da casta financeira no Brasil suplantaram o patamar do humanamente tolerável. Esse dinheiro que gera dinheiro é o reverso dos gargalos que atravancam o funcionamento dos demais setores da economia. Recolhido nas fortalezas inexpugnáveis da banca privada, livre de qualquer tipo de controle social, ele é uma fonte de dominação e avassalamento. O Banco Central, que deveria ser o agente público regulador do sistema financeiro, presta serviço ao inimigo. Ao operar como guardião dos postulados da macroeconomia conservadora, ele abre largas avenidas para a reprodução continuada da espetacular farra dos bancos.


Léo Lince é sociólogo.

TERMINA GREVE, MAS OS PROBLEMAS DA EDUCAÇÃO CONTINUAM

Publico na íntegra matéria veiculada pelo jornal de hoje, sobre o fim da greve e os problemas que continuam afetando o ensino público em nosso estado.

LEIA:

"A greve acabou, mas os problemas da educação continuam". Esta frase é de Thiago Modale, aluno do segundo ano da Escola Estadual Castro Alves, que não acredita mais no ensino público da forma como ele é administrado. A afirmação dele baseia-se na realidade que o aluno da escola pública enfrenta hoje, ou seja, aulas insuficientes sem greve e mais deficientes ainda com greve.
Mesmo com o fim da paralisação, que durou quase 40 dias, alguns alunos continuaram sem aula e quem foi para escola encontrou poucos colegas em sala. Thiago Modale teria aula de matemática na manhã de hoje, no entanto, a sua turma estava sem professor, obrigando os alunos a permanecerem nos corredores.
Ele revela que no período da greve poucos professores compareceram à escola e que, antes do movimento ter início, os alunos já enfrentavam problemas com o ensino. "Aqui falta muito professor, é comum não ter aula. Agora, depois da greve, quero ver se eles irão repor esse tempo parado. Acho difícil, porque com aula normal eles não aparecem. Normalmente, quando há greve eles passam muito trabalho, o que não é igual a ter uma aula normal. Nessa história sei que o professor perde, mas o aluno perde muito mais, pois a greve acaba, mas os problemas na educação continuam", diz Thiago Modale.
Outro aluno, Felipe Silva diz que ficar no corredor é rotina em sua escola e pela sua experiência com greves passadas, essas aulas não serão repostas. Ele disse que alguns de seus professores estão insatisfeitos com a Secretaria Estadual de Educação, o que pode prejudicar ainda mais o andamento do ensino. "O professor não é muito comprometido com o estudante. Sei que existem aqueles que sempre comparecem e se preocupam, mas há também o que não está nem aí. Duvido que até o fim deste ano tenhamos essas aulas, digo aula de verdade", ressalta Felipe.
A diretora da Escola Estadual Castro Alves, Ana Lúcia, diz que os professores compareceram na manhã de hoje, com exceção de dois - um adoeceu e outro não havia justificado até o fim da manhã -, mas reconhece que a escola enfrenta dificuldades com relação ao número de professores. Ela revela que pela manhã a situação é contornável, entretanto, no período da tarde a escola conta com apenas 4 professores, sendo que 3 destes são estagiários e provavelmente não irão mais. "Já notificamos a Secretaria de Educação, fomos lá em comissão composta por professores e alunos. A tarde só teremos química, educação física e história. A reposta da Secretaria informava que assim que esses novos professores fossem chamados seriam encaminhadas à escola. Daí começou a greve, o mês de agosto, retorno das aulas e até o momento nada de concreto", enfatiza a diretora.
Com relação ao pouco número de alunos presente em algumas salas de aula, a diretora justifica dizendo que em dias de chuva é comum isso acontecer e, além disso, alguns alunos podem ainda não estar acreditando no fim da paralisação. "Houve uma quebra no ritmo deles, pois muitos estavam sem aula. Acredito que no decorrer da semana eles começarão a vir. Ao menos os professores estão vindo dar as aulas. A reposição será discutida com a comunidade, para que seja feita da melhor forma possível, como ficou acordado com o Sindicato", diz Ana Lúcia, diretora do Castro Alves.
Na última negociação, alguns pontos acordados entre Governo e categoria garantem a reposição das aulas, cumprindo os 200 dias letivos, com "aulas de qualidade" e "ensino público de qualidade" como afirmou por diversas vezes a secretária Ana Cristina Cabral e os dirigentes sindicais do Sinte/RN, durante o movimento grevista. Além disso, a Secretaria prometeu a nomeação de 309 novos professores aprovados no último concurso, além dos 412 que já receberam o mês de junho, o que sanaria o problema da falta de professores. (L D)

FRASE DO DIA

"Eu creio em Chávez. Sou chavista. E odeio tudo que venha dos Estados Unidos.”

Maradona, em visita a Caracas

sábado, 18 de agosto de 2007

POEMA DA NOITE


O haver (Vinícius de Morais)

Resta, acima de tudo, essa capacidade de ternura
Essa intimidade perfeita com o silêncio
Resta essa voz íntima pedindo perdão por tudo
- Perdoai-os! porque eles não tem culpa de ter nascido...

Resta esse antigo respeito pela noite, esse falar baixo
Essa mão que tateia antes de ter, esse medo
De ferir tocando, essa forte mão de homem
Cheia de mansidão para com tudo quanto existe.

Resta essa imobilidade, essa economia de gestos
Essa inércia cada vez maior diante do Infinito
Essa gagueira infantil de quem quer exprimir o inexprimível
Essa irredutível recusa à poesia não vivida.

Resta essa comunhão com os sons, esse sentimento
Da matéria em repouso, essa angústia da simultaneidade
Do tempo, essa lenta decomposição poética
Em busca de uma só vida, uma só morte, um só Vinícius.

Resta esse coração queimando como um círio
Numa catedral em ruínas, essa tristeza
Diante do cotidiano; ou essa súbita alegria
Ao ouvir passos na noite que se perdem sem história...

Resta essa vontade de chorar diante da beleza
Essa cólera em face da injustiça e do mal-entendido
Essa imensa piedade de si, mesmo, essa imensa
Piedade de si mesmo e de sua força inútil

Resta esse sentimento de infância subitamente desentranhado
De pequenos absurdos, essa capacidade
De rir à toa, esse ridículo desejo de ser útil
E essa coragem para comprometer-se sem necessidade

Resta essa distração, essa disponibilidade, essa vagueza
De quem sabe que tudo já foi como será no vir-a-ser
E ao mesmo tempo essa vontade de servir, essa
Contemporaneidade com o amanhã dos que não tiveram [ontem nem hoje.

Resta essa faculdade incoercível de sonhar
De transfigurar a realidade, dentro dessa incapacidade
De aceitá-la tal como é, e essa visão
Ampla dos acontecimentos, e essa impressionante
E desnecessária presciência, e essa memória anterior
De mundos inexistentes, e esse heroísmo
Estático, e essa pequena luz indecifrável
A que às vezes os poetas dão nome de esperança.

Resta esse desejo de sentir-se igual a todos
De refletir-se em olhares sem curiosidade e sem memória
Resta essa pobreza intrínseca, essa vaidade
De não querer ser príncipe senão do seu reino.

Resta esse diálogo cotidiano com a morte, essa curiosidade
Pelo momento a vir, quando, apressada
Ela virá me entreabrir a porta como uma velha amante
Mas recuará em véus ao ver-me junto à bem-amada...

Resta esse constante esforço para caminhar dentro do [labirinto
Esse eterno levantar-se depois de cada queda
Essa busca de equilíbrio no fio da navalha
Essa terrível coragem diante do grande medo, e esse medo
Infantil de ter pequenas coragens.

REVISTAS SEMANAIS


A edição da IstoÉ, traz a seguinte manchete: "Meu Amigo Colesterol", destacando a importância do aumento da parte boa do colesterol.A edição desta semana da revista Veja trata do "Medo no Supremo". Ministros do STF denunciam as suspeitas de que estão sendo grampeados – e apontam o dedo para a banda podre da Polícia Federal.

"O PIAUÍ É O NORDESTE"

A Philips mundial é tão racista quanto a brasileira ?
Por Paulo Henrique Amorim
O presidente da Philips do Brasil, Paulo Zottolo, um dos líderes do movimento “Cansei”, disse ao jornal Valor: "Se o Piauí deixar de existir ninguém vai ficar chateado".

. Diante dessa manifestação explícita de racismo, o Conversa Afiada acaba de encaminhar o seguinte e-mail à Presidência da Philips mundial: "Does Philips consider itself a blatant racist corporation ?"

. O meu amigo Fernando Lyra, pernambucano, Ministro da Justiça escolhido por Tancredo Neves, leu nesta manhã de sábado, dia 18, o noticiário sobre o "Cansei".

. Me ligou para dizer o seguinte: "para o presidente da Philips, o Piauí é o Nordeste."

. Num almoço muito divertido, meu amigo Fernando Lyra lembra que há pouco tempo o presidente da Philips era Marcos Magalhães, um nordestino de Pernambuco, da mais alta competência empresarial e sensibilidade social.

. A Philips da Holanda ainda não nos honrou com uma resposta

SALVEMOS A ESCOLA PÚBLICA

Escrito por Frei Betto
10-Ago-2007


Antes de ingressar na faculdade, em 1964, estudei oito anos em escola pública. Como ocorre agora com as universidades, em geral elas superavam em qualidade os colégios particulares. Além da inigualável vantagem de serem gratuitas.

Hoje, nossas escolas públicas de ensino básico estão sucateadas. Foram deterioradas pela má administração pública, a corrupção, o descaso para com alunos e professores. Há, no Brasil, 55 mil escolas públicas. Segundo a OCDE, apenas 0,2%, ou seja, 160 alcançam um índice de desempenho considerado médio.

Adotam-se no Brasil, para classificar nossas escolas de ensino básico, o Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica), feito por amostragem, e o Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), que dá nota de 0 a 10 às instituições de ensino, tendo por critério o desempenho dos alunos na Prova Brasil, exame aplicado a todos os alunos de 4ª. e 8ª. séries.

Em todo o país, apenas 160 escolas mereceram nota 6 ou acima. Nas séries iniciais do ensino fundamental nossa nota é 3,8. Os cursos de 5a a 8a séries ganharam nota 3,5. No ensino médio, 3,4. A meta do MEC, estimulado pela campanha “Compromisso Todos pela Educação”, é que a maioria de nossas escolas atinja a nota 6 em 2021. O Ideb atual da Holanda é 7; do Reino Unido, 6,5. Há no Brasil colégios, raros, que receberam nota 8,5, como a Escola Professora Guiomar Gonçalves Neves, em Trajano de Morais (RJ). É a de melhor qualidade no país.

Será que daqui a 15 anos – véspera do bicentenário da independência do Brasil – alcançaremos a meta almejada? No estado do Rio, 20 mil crianças não freqüentam salas de aula por falta de professores. O índice nacional de reprovação é 11,9%. A distorção idade/série é 17,3%.

O que faz uma boa escola? Muitos fatores, entre os quais disciplina, ou seja, não tolerar atrasos de alunos; contar com professores efetivos e qualificados (mestrado, doutorado ou especialização) trabalhando em tempo integral; remunerar dignamente o corpo docente; aumentar a permanência do aluno na escola; contar com oficinas de música, teatro e artes plásticas; laboratórios de idiomas, ciências e informática; grêmio estudantil; salas de leitura e vídeo etc.

O MEC promete que o governo haverá de liberar, ainda este ano, R$ 30 milhões para as escolas urbanas, e R$ 66 milhões para as rurais. As 5 mil escolas com piores índices no Ideb terão direito, cada uma, a módicos R$ 6 mil para investirem em infra-estrutura, material pedagógico e apoio metodológico. Através de sistema de educação à distância – a Universidade Aberta do Brasil –, o MEC pretende qualificar 2 milhões de professores do ensino básico.

Recente pesquisa realizada pela Unesco, em parceria com o governo federal, comprovou que 82,4% dos alunos reprovados no ensino fundamental culpam a si mesmos pelo fracasso. A mesma pesquisa indica que a culpa não pode ser atribuída às crianças. Ela recai na falta de motivação dos professores, na péssima infra-estrutura das escolas e no fato de diretores e professores não darem importância à realidade pessoal e familiar do estudante.

Não se pode culpar uma criança de 10 anos pelo fracasso escolar. No entanto, se isso não fica claro para ela, se não se sente valorizada na escola e querida pelos professores, ficará com sentimento de derrota, o que pode revoltá-la ou levá-la ao desânimo precoce.

A maioria de nossos estudantes chega à 4ª. série com dificuldade de leitura e redação. Falta estímulo ao professor, muitas vezes submetido à carga excessiva de trabalho, sem condições de aprimorar sua qualificação e humilhado por salário irrisório.

Em fins de junho, o Banco Mundial divulgou o relatório “Jovens em situação de risco no Brasil”. As conclusões preocupam: nossos jovens entre 15 e 14 anos matam e morrem mais, iniciam a vida sexual cada vez mais cedo e são vulneráveis às drogas. Dados da Secretaria Nacional da Juventude mostram que, hoje, 9,5 milhões de brasileiros entre 15 e 29 anos não estudam e estão desempregados. Desses, 4,5 milhões não completaram o ensino fundamental. É entre estes que se inclui a maioria dos assassinos e dos assassinados.

O que fazer diante desse quadro aflitivo? Pressionar o poder público? Sim. Votar ano que vem em vereadores e prefeitos comprometidos com a prioridade Educação? Também. Mas por que não reunir as famílias de seu bairro ou comunidade e promover um mutirão para a melhoria das escolas públicas da região? Por que não assegurar instrução e/ou emprego a um ou dois desses 9,5 milhões de jovens vulneráveis ao narcotráfico?


Frei Betto é escritor, autor de “Alfabetto – autobiografia escolar” (Ática), entre outros livros.

BRASIL PERDE CORRIDA POR TECNOLOGIA

País utiliza mal os recursos em peaquisa


O Brasil perde espaço em inovação tecnológica e usa mal seus recursos destinados à ciência. Em seu levantamento anual, a Organização Mundial de Propriedade Intelectual (Ompi) aponta que, entre 2004 e 2005, o número de patentes pedidas no País caiu 13,8%, enquanto em praticamente todo o mundo aumentou. Hoje, um quarto de toda a tecnologia disponível no planeta já está nas mãos de apenas três países asiáticos: China, Japão e Coréia do Sul.


Do Estado de S. Paulo

Leia o texto completo e os comentários

20 AN0S SEM DRUMMOND

Drummond: conhecido pelo temperamento reservado e obra irretocável

Há duas décadas, o Brasil perdia o poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade. Autor de mais de 50 títulos, Drummond era conhecido pelo talento literário e timidez. Clique abaixo e confira matéria publicada hoje sobre o assunto no Diario de Pernambuco.

Leia o texto completo e os comentários

IMAGEM DO DIA


Voluntários posam nus para o fotógrafo Spencer Tunick em um declive dos Alpes suíços. O ensaio foi encomendado pelo Greenpeace como parte de uma campanha contra o aquecimento global.

Guaraná retarda avanço do câncer

Células de mama cancerosas proliferam mais lentamente em camundongos alimentados com a planta

. As sementes de guaraná, planta originária da Amazônia, podem impedir a proliferação de células cancerosas e o desenvolvimento de tumores, de acordo com pesquisa da Universidade de São Paulo (USP). Camundongos alimentados com essa planta tiveram diminuição de 54% na quantidade de células cancerosas associadas a um tipo de câncer de mama chamado tumor de Ehrlich, o que retardou a progressão da doença e aumentou significativamente a sobrevida dos animais.


. Os efeitos quimiopreventivos e terapêuticos do guaraná começaram a ser estudados em 2001 pelo veterinário Heidge Fukumasu, no Laboratório de Oncologia Experimental e Comparada da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP, durante sua graduação. Sua orientadora, Maria Lúcia Zaidan Dagli, estudava os benefícios de plantas, entre elas, o chá verde, no combate ao câncer. “Como os níveis de cafeína e os compostos polifenólicos presentes no chá verde poderiam ser os responsáveis por seu efeito anticancerígeno, procuramos uma planta brasileira que tivesse níveis semelhantes dessas substâncias e chegamos ao guaraná”, conta Fukumasu.
. Leia matéria na íntegra: http://cienciahoje.uol.com.br/98091

Da ciência hoje



sexta-feira, 17 de agosto de 2007

TERMINA A GREVE DOS PROFESSORES DO ESTADO

Depois do Governo encerrar oficialmente as negociações, grevistas retornam ao trabalho sem esconder a insatisfação e o ressentimento

Depois de 42 dias, a greve dos professores da rede estadual de ensino chegou ao fim. A decisão foi tomada pela categoria, no início da manhã de hoje, em assembléia realizada na Escola Estadual Wiston Churchil. A partir da segunda-feira os professores retornarão às salas de aula com o compromisso de ministrar os 200 dias letivos do calendário 2007. Do outro lado da história, a Secretaria Estadual de Educação (SEEC) se compromete em pagar os salários de agosto, sem atraso aos grevistas e tudo aquilo que ficou acordado durante a negociação.

Para o Sindicato do Trabalhadores em Educação do Rio Grande do Norte (Sinte/RN), a greve foi proveitosa para a categoria, que se mostrou forte e unida, mas em contrapartida, revelou como o Governo do Estado trata o funcionário público, com medidas arbitrárias e autoritárias.

A coordenadora do Sindicato, Fátima Cardoso, revela que na tarde ontem a SEEC enviou um ofício aos professores informando que o Governo teria encerrado todo e qualquer tipo de negociação. "O Governo nunca quis negociar, só tomou medidas de retaliação ao movimento, na expectativa de intimidar. Fomos para a assembléia de hoje com a certeza do fim da greve e vitória do Governo, mas o mais importante é que a categoria não se sente derrotada. A luta continua. O que fica é o clima de ressentimento e de desrespeito ao profissional e à educação", afirma.

Com relação ao envolvimento político no movimento, a sindicalista considera que foi um golpe dado pelo próprio Governo, na expectativa de lançar possíveis candidaturas. Fátima Cardoso afirma que a categoria tem o compromisso com a sociedade e não com partidos ou políticos. "A questão política foi um golpe do Governo, que usou a secretária que não tem nenhum conhecimento do que é educação. Pois, aí estão os professores sem condições de trabalho e os alunos sem condição de ensino.

Para eles um salário de R$ 620,00 é um "mar de rosas'. Nós temos compromisso com a sociedade e o aluno, por isso voltamos às aulas, enquanto que o Governo tem interesses políticos. Essa proposta que eles lançaram é uma afronta, um desrespeito. Esse escalonamento ultrapassa o mandato de Wilma, e por isso não temos condições de aceitar", ressalta.

Na SEEC o clima é muito mais ameno, até mesmo de alívio. A secretária Ana Cristina Cabral agradeceu aos deputados, sindicalistas e ao Procurador Geral de Justiça, José Augusto Perez, que se envolveram na negociação de forma séria e contribuíram para a educação do Estado. Ela afirma que tudo o que foi prometido será cumprido pelo Governo e faz um apelo para que os professores cumpram os 200 dias letivos, com aulas de qualidade.

"Assim que soube do fim da greve contatei o Paulo César - secretário de administração - e pedi que os salários fossem pagos. Os professores fiquem tranqüilos que eles poderão pagar suas contas no fim do mês. Nós trabalhamos para melhorar o ensino público que representa 86% da população - estadual e municipal -, sendo no Estado um total de 390 mil estudantes. O pagamento dos salários é um reconhecimento do Governo e demonstração da confiança depositada de que eles darão as aulas com qualidade. Pedimos apenas que voltem renovados", pede a secretária.

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Justiça condena escola a pagar R$ 156 mil a estudante baleada em Minas

O TJ (Tribunal de Justiça) de Minas Gerais condenou um colégio de Belo Horizonte a indenizar uma aluna que foi atingida por um tiro dentro das dependências da instituição. A indenização por danos morais e estéticos foi fixada em R$ 156 mil.

De acordo com o processo, no dia 28 de agosto de 1997, a estudante, então com 16 anos, estava no pátio do colégio, onde cursava a segunda série do ensino médio, no horário de intervalo das aulas, quando foi atingida por um disparo de uma arma calibre 38, que lhe perfurou o pescoço, atravessou a garganta, as cordas vocais e a laringe.

A estudante foi submetida a diversas cirurgias corretivas, além de tratamento fonoaudiológico e psiquiátrico. Como conseqüência do tiro, a estudante tem debilidade permanente na fala, de acordo com o TJ.

Segundo o relator do recurso, desembargador Duarte de Paula, ficou comprovada a responsabilidade do colégio.

"Ao empreender um negócio desta natureza, [o colégio] deveria ter tido o cuidado de cumprir com todas as obrigações assumidas perante os estudantes que, além das aulas é manter a segurança e integridade física dos alunos dentro das dependências da instituição de ensino", disse o desembargador.

O colégio foi condenado também a pagar indenização à aluna no que se refere aos danos materiais, correspondentes às despesas com tratamento. O valor ainda não foi estipulado.
Os nomes da instituição e da estudante não foram revelados pelo TJ.

PREFEITO DE APODI ELOGIA AUDIÊNCIA SOBRE A UFERSA

Ontem, por telefone, o prefeito de Apodi, José Pinheiro, informou à GAZETA DO OESTE que a audiência com o secretário de Ensino Superior do Ministério da Educação, Ronaldo Mota, no sentido de assegurar para o município a instalação do Campus Avançado da Universidade Federal Rural do Semi-árido (UFERSA), dentro da campanha que vem sendo intensificada com o envolvimento de toda a sociedade apodiense, foi a melhor possível.

Pinheiro acentuou que está confiante no resultado positivo desse encontro, que contou, também, com a participação de parlamentares do Estado, como os senadores Garibaldi Filho, José Agripino e Rosalba Ciarlini, os deputados federais Henrique Alves, Fátima Bezerra, Rogério Marinho, Fábio Farias, Betinho Rosado, o presidente da Federação dos Municípios do Ceará (Aprece), João Wilmar, o prefeito de Pau dos Ferros, Leonardo Rego, e o reitor da Ufersa, Josivan Barbosa.

O presidente do Fórum das Entidades do município, Flaviano Monteiro, que também esteve em Brasília, declarou à GAZETA DO OESTE que está empolgado com os resultados satisfatórios da visita à Capital Federal. "Todo o apoio que o prefeito José Pinheiro tem dado ao movimento pela implantação do campus da Ufersa em Apodi tem sido de grande importância. Agora cabe ao reitor Josivan Barbosa e a toda a bancada presente no encontro dar continuidade para que o processo de implantação seja concretizado", finaliza Flaviano Monteiro.

Pinheiro elabora projeto na área de desenvolvimento

O prefeito José Pinheiro convidou o deputado federal João Maia a se fazer presente em Apodi, no dia 25 próximo, para participar da elaboração de um grande projeto na área do desenvolvimento sustentável no município. O deputado João Maia, o secretário do Desenvolvimento Econômico do Estado, o presidente do Sebrae/RN, o presidente da Agência de Fomento do Rio Grande do Norte e alguns empresários de vários setores que buscam um novo ramo de investimentos na oportunidade estarão visitando as potencialidades do município e participando de um almoço oferecido pelo prefeito José Pinheiro. (FONTE:gazeta do oeste)

Professores grevistas não receberão salários

Decisão da Justiça favorece Governo e pune quem manteve greve. Viabilidade do movimento será debatida mais uma vez, amanhã

Os professores da rede estadual de educação votaram mais uma vez pela continuação do movimento grevista, que chega ao seu 39º dia, com a categoria quase sem motivação. Para muitos professores, a assembléia de ontem teve resultado questionável, pois além da categoria estar dividida, a votação pela continuidade do movimento teve que ser repetida por três vezes, até que o comando tivesse a certeza do resultado. Enquanto isso, a Secretaria Estadual de Educação (Seec) lançou uma carta aos professores detalhando o rumo das negociações e informando sobre o corte do ponto dos grevistas.

Os professores foram informados que, aqueles que não retomassem as atividades até a manhã de hoje, não receberiam o pagamento referente ao mês de agosto, pois nesta quinta-feira o Estado estaria encerrando a folha de pagamento. Esta determinação, segundo a assessoria de imprensa da Secretaria, está respaldada na decisão do desembargador do Tribunal de Justiça, Amaury Sobrinho, que negou liminar ao Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado (Sinte/RN).

Desta forma, caso a greve dos professores chegue ao fim amanhã, numa nova assembléia, esses professores só receberão a compensação em setembro, tendo ainda que repor os dias parados.

No fim da manhã de hoje, a assessoria de imprensa da Seec informou que os diretores das escolas estavam comunicando o retorno dos professores às Diretorias Regionais de Educação (Direds), visando manter o controle das escolas que estavam em funcionamento.

No Sinte/RN, o coordenador João Oliveira disse que a entidade estava ciente da carta aberta aos professores, mas ainda havia uma expectativa de que a Seec voltasse atrás nesta decisão. "Objetivamente a folha fechou hoje e a greve continua. Esperamos que não cortem os salários, pois o momento é de paciência e equilíbrio, sem agressões. O Sinte quer negociar para chegarmos a um consenso sem medidas autoritárias", afirma.

João Oliveira disse ainda que o resultado da assembléia de ontem é o reflexo da consciência dos professores sobre o movimento, no entanto, o que vale é a decisão da categoria presente. Ele reconhece que está difícil manter a greve, por causa do tempo que se arrasta, as pressões governistas e as escolas que retornaram às aulas. "Os professores são conscientes e a assembléia é o exercício da democracia. Acredito que se o Governo acenasse com uma proposta positiva sobre as promoções, ficaria mais fácil negociar", disse o coordenador do Sindicato.

Nas escolas alguns professores se mostram decepcionados com o rumo das negociações entre grevistas e Governo. Uma professora, que prefere não ser identificado, comenta que a categoria rachou e o Governo manteve as ameaças, o que enfraqueceu o movimento. Ele acredita que a greve atual tem muita ideologia política por trás e que a categoria foi usada por pessoas com interesses maiores. "É estranho que depois de trinta dias nada de positivo acontece para nós. As decisões foram tomadas pela Governadora, essa secretária é só um boneco. Nunca vi reprimirem com tanta veemência uma greve. Acredito que tenha algo por trás. Não foi a categoria que foi repreendida, mas sim quem estava por trás do movimento. Se a greve fosse da categoria, todos teriam aderido ou, pelo menos, a grande maioria", disse a professora.(fonte:Jornal hoje)

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Custo da violência ao país é de R$ 4,3 bilhões


A violência custou ao Estado brasileiro em 2004 cerca de R$ 4,3 bilhões, o que equivale a mais 8% de todos os gastos com o sistema público de saúde no ano anterior (em torno de R$ 53 bilhões), revela pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O estudo, inédito, mostra que o custo das vítimas das chamadas causas externas (incluindo agressões e acidentes de transportes) é sete vezes maior do que se calculava até então. Isso porque foram considerados, pela primeira vez, não apenas os gastos com internação, mas também com prevenção, atendimento pré-hospitalar, emergência, tratamento.

Na pesquisa, o Ipea analisa os dados do Sistema Único de Saúde (SUS) entre os anos de 1998 e 2004. Nesse período, o SUS realizou 12,2 milhões de internações hospitalares anuais, das quais 715 mil por causas externas. Essas internações custaram R$ 606 milhões ao ano, 7,5% do total. Entre 1998 e 2004, houve uma média de 73 internações por 100 mil habitantes, sendo quatro relativas a causas externas. O total de internações representou custo per capita anual de R$ 51,6, dos quais R$ 3,8 por causas externas.(Informações de O GLOBO)

terça-feira, 14 de agosto de 2007

FRASE

“O Governo tem um deputado que não
é líder e um líder que não é deputado.”


Gustavo Carvalho, rebatendo as declarações do secretário
Wober Júnior, para quem Gustavo falou como deputado e
não como líder do governo quando criticou a secretária Ana Bytes

[Política] Fátima Bezerra critica o governo Wilma

Deputada reafirma condição de aliada do governo Wilma, mas continuará criticando quando achar algo errado

Fátima: “Critico o Governo para tirar a educação da escuridão em que se encontra”


A deputada Fátima Bezerra, do PT, afirmou na manhã de hoje que não se preocupa caso a governadora Wilma de Faria ter ficado chateada com declarações suas criticando o governo nas articulações para por fim à greve dos professores. Ela reitera que a participação da secretária Ana Cristina foi desastrosa e que a atuação do líder, deputado Gustavo Carvalho foi correta e reveladora de capacidade e maturidade política. "Chateados ficamos nós com a postura do governo, Gustavo tem todo o nosso reconhecimento", disse a deputada petista, acrescentando que o propósito do PT é contribuir para que a educação continue avançando no segundo governo Wilma de Faria e que jamais o partido terá com o PSB uma relação de bajulação.

Questionada se poderia ser prejudicada na escolha e consolidação do seu nome para prefeita de Natal do sistema governista em 2008, a deputada Fátima Bezerra afirmou: "Eu nunca disse a ninguém que sou candidata a prefeita. A verdade e que isso já foi comunicado à governadora, é que o partido terá candidatura própria. Para isso o PT tem vários outros nomes, como Fernando Mineiro e Hugo Manso, por exemplo. Essa tese ganha mais força e intensidade", disse a deputada, lembrando que quando critica o governo é visando contribuir para "tirar a educação da escuridão em que se encontra".


NACIONAL

Considerando o PT "aliado e parceiro" do PSB e do governo Wilma de Faria, a deputada Fátima Bezerra garante que continuará criticando o governo quando achar que o governo está errado, a exemplo, ressalta, do que faz o PSB no plano nacional criticando o governo Lula da Silva. E que, segundo ela, nem por isso PT e PSB deixam de ser aliados. " PT continua defendendo os movimentos sociais e não pode ter posição de dubiedade", observa.


RELACIONAMENTO

Sobre o seu relacionamento com o governo a partir de agora, a deputada Fátima Bezerra prefere não comentar. "Não quero falar sobre isso agora. O que posso dizer é que me surpreendeu a forma como o governo, através da Secretaria de Educação tratou o problema da greve. Nunca vi tanta incapacidade. O próprio líder, Gustavo Carvalho não agüentou", concluiu a deputada petista, acrescentando que sobre uma possível saída de Gustavo de Carvalho da liderança do governo compete à governadora resolver.

Fonte: Jornal de Hoje(Joaq. Pinheiro)

POEMA DA TARDE




Rosto nu (Sophia de Mello Breyner Andresen )

Rosto nu na luz direta.
Rosto suspenso, despido permeável,
Osmose lenta.
Boca entreaberta como se bebesse,
Cabeça atenta.

Rosto desfeito,
Rosto sem recusa onde nada se defende,
Rosto que se dá na angústia do pedido,
Rosto que as vozes atravessam.

Rosto derivando lentamente,
Presentimento que os laranjais segredam,
Rosto abandonado e transparente
Que as negras noites de amor em si recebem.

Longos raios de frio correm sobre o mar
Em silêncio ergueram-se as paisagens e eu toco a solidão com uma pedra.
Rosto perdido

Que amargos ventos de secura em si sepultam
E que as ondas do mar puríssimas lamentam.

PÉROLA

Deu na coluna do Gilberto de Souza
"Veja uma carta de um leitor publicada no Jornal Zero Hora/RS, com o título "Concurso". "Não pude inscrever-me para o concurso público municipal de serviços gerais (varredor de rua), pois não tinha segundo grau. Pergunto se é engraçado ou desgraçado o país em que se exige segundo grau para um varredor de rua e não se exige o primeiro grau para ser presidente da República?". Pois é, boa pergunta."

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Professores decidem manter greve

Os professores da rede estadual, em assembléia na manhã de hoje, na Escola Estadual Winston Churchil, deliberaram pela continuação da greve no Estado, que já se estende por 37 dias. A categoria acatou alguns pontos da última proposta do Governo, mas também rechaçou outros, sob a orientação do Sindicato dos Trabalhadores da Educação (Sinte/RN). O resultado da assembléia deverá ser encaminhado ainda na tarde desta segunda-feira à bancada governista na Assembléia Legislativa, para depois ser enviada à secretária de Educação, Ana Cristina Cabral.

Desde o início do movimento, os grevistas conseguiram o apoio de muitos políticos, como os deputados estaduais Fernando Mineiro, Álvaro Dias e Gustavo Carvalho, inclusive do Partido dos Trabalhadores (PT), que reconhece em nota oficial a legitimidade do movimento, indo de encontro com as ações do Governo do Estado. Até então, a secretária já ameaçou cortar os salários e até abrir processos administrativos contra os grevistas, além de cobrar dos diretores listas com o nome de quem não está em sala de aula.

A coordenadora do Sinte/RN, Fátima Cardoso, disse que a categoria manteve a greve, por grande maioria dos votos, motivada pela insatisfação com três pontos da última proposta governista, referentes às promoções verticais, reajuste de 29% e a formação da comissão de implantação do Plano de Cargos dos Funcionários da Educação. "O escalonamento a partir de 2008, podendo se estender até 2011, é muito tempo para termos direito a essas promoções, ainda porque é um problema bastante antigo. Alguns pontos dependem da pauta nacional que discute o piso único da categoria, que deve ser votado ainda este mês no Congresso", disse Fátima.

Entretanto, a dirigente sindical revela que a negociação avançou em outros pontos, pois os professores acataram a comissão de discussão do Plano Estadual de Educação e a resolução dos concursados em 2000. "Esses profissionais agora serão reconhecidos e passarão a ter seus direitos. Com relação ao plano de educação, a categoria e o sindicato sabem que é preciso, visando uma melhor qualidade do ensino público", afirma Fátima Cardoso.No decorrer da Assembléia que se estendeu por toda a manhã, os professores votaram quais serão os encaminhamentos a serem adotados nos próximos dois dias. Algumas proposições polêmicas, como a realização de um ato público com um “enterro” simbólico da secretária Ana Cristina e , também, da governadora Wilma de Faria e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foram rejeitadas pela categoria, assim como um abaixo assinado pedindo a retirada da gestora da Educação. Além disso foi exposto que em uma decisão da base, os professores de Mossoró retornaram as aulas.

Fátima explica que o movimento não pretende partir para o radicalismo, sempre buscando a negociação, e que esta consciência está na cabeça dos professores. A sindicalista disse que a decisão da base tem que ser respeitada, no entanto, não representa a vontade da categoria em nível estadual. Ela destaca que os professores agendaram um ato público amanhã, às 15h, na sede do Sinte/RN, com possibilidade de se tornar uma caminhada à Assembléia e um novo encontro na quarta-feira, às 14h. "Não queremos radicalismo, queremos negociar e acho que estamos no caminho certo. Foram propostos alguns pontos que mexiam com valores que os professores, como educadores, não podem ser contrários. O movimento tem que ser maior do que o radicalismo, propomos que todo dia 10 de cada mês, até dezembro, os professores discutam em sala de aula a politização do movimento. Vamos discutir a reposição das aulas de forma integral", revela Fátima.

DEPUTADO QUER QUE AL VOLTE A MEDIAR A NEGOCIAÇÃO

O deputado estadual Álvaro Dias, presente na assembléia dos professores de hoje, disse que a comissão dos deputados que vinha mediando as negociações foi destituída, depois das atitudes adotadas pela secretária Ana Cristina na última semana. "Ela lançou uma proposta enquanto discutíamos o assunto, atropelando a comissão de deputados. Defendo o nosso retorno neste processo, pois nós deputados sabemos das dificuldades que estes 12 mil profissionais passam. Eles são explorados pelo Governo do Estado que paga muito mal. No entanto, a greve não é apenas salarial, mas também busca melhores qualidades de trabalho", disse Alvaro.

Repórter: Leonardo Dantas

História: 13 de Agosto de 1937


Manifestação estudantil no RS durante a ditadura

Encerra-se no Rio de Janeiro o Primeiro Conselho Nacional Estudantil, que vira Congresso e marca a fundação da UNE (a data oficial de fundação é 11 de agosto de 1937). A União Nacional dos Estudantes se consolidará como entidade máxima unitária dos universitários, exceto na fase mais tenebrosa da ditadura, de 1971 a 1979.

CHARGE DO DIA


O Brasil tem 60 milhões de internautas

Pesquisa inédita do DataFolha para a agência F/Nazca muda tudo aquilo que se fala há anos sobre a Internet brasileira. Ao invés de 33 milhões, somos 60 milhões de internautas. Com uma penetração de 40% na classe C.

Acabou a última desculpinha para não usar a rede como veículo de comunicação de massa. Ao trabalho, pessoal!

domingo, 12 de agosto de 2007

POEMA DA NOITE


SONETO

Gregorio de Mattos

Meu Deus, que estais pendente de um madeiro,
Em cuja lei protesto de viver,
Em cuja santa lei hei de morrer
Animoso, constante, firme, e inteiro.


Neste lance, por ser o derradeiro,
Pois vejo a minha vida anoitecer,
É, meu Jesus, a hora de se ver
A brandura de um Pai, manso Cordeiro.

Mui grande é vosso amor, e meu delito,
Porém pode ter fim todo o pecar,
E não o vosso amor, que é infinito.

Esta razão me obriga a confiar,
Que mais que pequei, neste conflito
Espero em vosso amor de me salvar.

[Apodi] AUDIÊNCIA PÚBLICA DEBATEU A IIMPLANTAÇÃO DO CAMPUS DA UFERSA

A sociedade Apodiense reuniu-se sexta-feira(10/08/07) na ACDA para discutir o projeto de expansão da Universidade Federal Rural do Semi-árido (UFERSA). No encontro além da presença do magnífico reitor da universidade, Josivan Barbosa, estiveram presentes vários lideres políticos do estado.
Os segmentos dos poderes Executivo, Legislativo e sociedade civil que participaram da audiência pública estão bastante confiantes com a possibilidade de implantação do campus da UFERSA em Apodi já no próximo ano.
O reitor Josivan Barbosa afirmou que existem recursos disponíveis e total interesse do Governo Federal de viabilizar a interiorização das universidades federais.Ele assegurou que a Ufersa se instalará nos municípios de Apodi, Pau dos Ferros e Angicos, contemplando portanto,as regiões do Médio e Alto-Oeste e a região central.
Aguardaremos então.

Armas e flores



da Carta Capital

Orçado em 6,7 bilhões de reais, o novo plano de segurança nacional quer unir repressão e políticas sociais

Dividido em 27 unidades federativas, o Brasil vai ganhar uma nova geografia política, não mais baseada em fronteiras físicas, mas no grau de violência de 11 regiões metropolitanas. Na segunda-feira 20, em solenidade no Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Justiça, Tarso Genro, vão apresentar ao País um novo plano nacional de segurança pública voltado, inicialmente, para esses 11 territórios demarcados por autoridades policiais e estudiosos de vários estados.

Batizado de Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), será um trabalho conjunto de 14 ministérios, órgãos estaduais, ONGs e entidades internacionais. Prevê a mistura de medidas de repressão com ações sociais, inclusive voltadas para a formação e remuneração de policiais com bolsas de complementação bancadas pelo Tesouro Nacional. Outro foco do projeto é o fortalecimento de estruturas de fiscalização, como as corregedorias, da atividade policial.

“Até agora, muitos defendiam mais polícia, mais armamentos, mais rigor, mais repressão”, analisa o coordenador e secretário-executivo do programa, Ronaldo Teixeira da Silva. Gaúcho, ele acumula também a função de chefe de gabinete do conterrâneo Genro. A ênfase na repressão, diz Silva, é uma visão conservadora da segurança pública apoiada, sobretudo, pelas corporações policiais. A outra opção vinha dos intelectuais da área de segurança, com medidas voltadas para problemas sociais, como mais emprego e mais educação. “Era um ou outro. Como as partes não se entendiam, colocamos um ‘e’ nessa discussão. Juntamos os dois conceitos e formamos o Pronasci”, explica o secretário-executivo.

O trabalho de preparação do texto final, recém-enviado ao presidente Lula, durou cinco meses. A idéia principal foi a de estabelecer metas precisas, com funções práticas claras, capazes de gerar conseqüências visíveis para a população. Daí a razão da demarcação dos chamados “territórios da paz”, eufemismo criado pelo marketing governamental para designar as regiões metropolitanas mais violentas do País.

O grupo de discussão usou como critério os maiores índices de violência. Cada região tem como centro uma capital, mas se estende dentro do espectro metropolitano de diversos municípios. O território de São Paulo, por exemplo, engloba, além da capital, as cidades de Embu-Guaçu, Carapicuíba, Diadema, Itaquaquecetuba, Mauá, Osasco, Santo André, São Bernardo do Campo, Taboão da Serra e Guarulhos. No Rio de Janeiro, o roteiro estende-se também à Baixada Fluminense, com passagens por Nova Iguaçu, São Gonçalo, Queimados, Belford Roxo, Duque de Caxias e Nilópolis.

HISTÓRIA: 11 DE AGOSTO DE 1992

Passeata de 15 mil pró-Fora Collor, em São Paulo. Nela aparecem os 1os carapintadas.

NÚMERO DE TRABALHADORES TERCEIRIZADOS AUMENTA

O resultado divulgado quinta-feira pelo Sindeepres (Sindicato dos Empregados em Empresas de Prestação de Serviços a Terceiros no Estado de São Paulo é alarmante.

O trabalho faz referência a um comparativo de trabalhadores sindicalizados em vários países, dentre eles o Brasil. Foi coordenado pelo economista Marcio Ponchmann.

O número de sindicalizados no Brasil diminuiu bastante. Entre 1992 e 2002, teve a maior queda entre os 12 países investigados. No Brasil a queda foi de 18%.

O dado preocupante diz respeito ao aumento de sindicalizados terceirizados. Foi de 0,8% destes trabalhadores para 27%. A princípio parece positivo termos mais trabalhadores terceirizados, mas se olharmos com atenção, isso apenas refletiu a necessidade de organização pelo enorme aumento deste tipo de forma de trabalho.

E como sabemos, normalmente este tipo de trabalho é muito mal remunerado.

Salário da mulher é 30% menor que o do homem na América Latina


A mulher latino-americana recebe salário entre 20% e 30% menor do que o homem para desempenhar as mesmas atividades, atribulando-se também com uma dupla jornada de trabalho - as tarefas realizads também em casa, disse nesta quinta à AFP a diretora regional do Fundo da População das Nações Unidas (UNFPA), Marcela Suazo.

“A mulher está se incorporando cada vez mais ao mercado de trabalho, mas em muitos casos o nível salarial é de entre 20 a 30% menor do que do homem com igual educação e responsabilidade; algumas vezes essa diferença pode chegar a 46%”, disse Suazo, que participou da X Conferência sobre a Mulher concluída nesta quinta em Quito.

“As mulheres tendem a encontrar uma maior abertura em trabalhos de menor remuneração e em condições mais deploráveis”, acrescentou a diretora do UNFPA para América Latina e o Caribe.

FRASE DO DIA

"O Brasil não precisa de novas leis, mas de homens públicos que observem as normas existentes."
Marco Aurélio de Mello, ministro do Supremo Tribunal Federal

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

BAO TARDE !


Apontamento (Fernando Pessoa)

A minha alma partiu-se como um vaso vazio.
Caiu pela escada excessivamente abaixo.
Caiu das mãos da criada descuidada.
Caiu, fez-se em mais pedaços do que havia loiça no vaso.

Asneira? Impossível? Sei lá!
Tenho mais sensações do que tinha quando me sentia eu.
Sou um espalhamento de cacos sobre um capacho por sacudir.

Fiz barulho na queda como um vaso que se partia.
Os deuses que há debruçam-se do parapeito da escada.
E fitam os cacos que a criada deles fez de mim.

Não se zanguem com ela.
São tolerantes com ela.
O que era eu um vaso vazio?

Olham os cacos absurdamente conscientes,
Mas conscientes de si mesmos, não conscientes deles.

Olham e sorriem. Sorriem tolerantes à criada involuntária.
Alastra a grande escadaria atapetada de estrelas.

Um caco brilha, virado do exterior lustroso, entre os astros.
A minha obra? A minha alma principal? A minha vida?
Um caco.
E os deuses olham-no especialmente, pois não sabem porque ficou ali.

Blog do Prof. Ozamir Lima - Designer: Segundo Freitas