sábado, 31 de maio de 2014

World Cup Posters

ESPN commissioned Brazilian artist and graphic designerCristiano Siqueira to create a series of uniquely designed images in celebration of the 2014 FIFA World Cup. Each piece tells a unique story of the heroes who will lead their countries on the pitch this summer along with an artistic representation of each of the 32 team nicknames. The artwork is a celebration of the unbridled passion that only the World Cup can evoke around the globe.

ALGERIA
ARGENTINA
AUSTRALIA
BELGIUM
BOSNIA AND HERZEGOVINA
BRAZIL
CAMEROON
CHILE
COLOMBIA
COSTA RICA
CROATIA
ECUADOR
ENGLAND
FRANCE
GERMANY
GHANA
GREECE
HONDURAS
IRAN
ITALY
IVORY COAST
JAPAN
MEXICO
NETHERLANDS
NIGERIA
PORTUGAL
RUSSIA
SOUTH KOREA
SPAIN
SWITZERLAND
UNITED STATES
URUGUAY
WORLD CUP


sábado, 17 de maio de 2014

Mossoró mudou? Há controvérsias.

O empresário Diran Ramos do Amaral, de saudosa memória, tinha entre suas preocupações o acompanhamento do crescimento sustentável da capital do Oeste potiguar. Diran não era ecologista. O crescimento sustentável que ele observava nos demais polos econômicos do interior do Nordeste era o que roubava o seu sono.
— Mossoró não pode apostar apenas na presença da Petrobras, repetia o empresário.
A mecanização das salinas e os ciclos de altos e baixos de setores da agro-indústria alimentavam suas preocupações com o futuro do emprego-urbano, diante das migrações campo-cidade.
Por conta própria ele visitava regularmente Campina Grande (PB), Caruaru (PE), Crato (CE), dentre outros centros nordestinos do porte de Mossoró, e anotava tudo sobre a presença estatal nessas regiões – o que facilitava o crescimento e também onde o Estado atrapalhava o desenvolvimento local.
Tive a oportunidade de alongar muitas conversas com Diran quando o tema era o futuro dessas cidades que representam o mínimo da interiorização da economia, algo difícil de ser materializado, principalmente no semi-árido brasileiro.
E em todos esses momentos ele emitia sinais de fragilidades em outros centros (à exceção de Campina Grande), temendo que um dia esse recuo das inversões econômicas pudesse chegar a Mossoró.
Casado com uma Rosado, Diran tinha canal aberto com o clã mossoroense, mas seu projeto de vida nunca foi a política, mas cumpria o papel de protagonista que cabia ao irrequieto empreendedor. Não deixava escapar qualquer iniciativa adotada pelos estados nordestinos sem levar ao conhecimento de Vingt Rosado, deputado federal de várias legislaturas.
Muito do trabalho de Vingt (“o vereador de Mossoró no Congresso Nacional”) tinha a caligrafia de Amaral. Só não dava pitaco quando o assunto era o dia-a-dia da política mossoroense, pelo menos publicamente. Quando a conversa passava para o processo político-eleitoral, ai ele economizava o verbo “para não perder a amizade”.
Diran faz muita falta a Mossoró.
A cidade que ficou mais de um ano na expectativa de confirmação de um mandato teve que retornar às urnas para substituir a prefeita constitucionalmente eleita e afastada após lutar contra dezenas de ações na Justiça Eleitoral.
Abertas as urnas e confirmada a eleição do interino Francisco Silveira Júnior (PSD), era fatível que grupos políticos assumissem a condição de vitoriosos. Faz parte. O vice-governador Robinson Faria e a deputada federal Fátima Bezerra certamente vão tentar fazer uma limonada com o pleito suplementar.
Sem entrar no mérito das ações eleitorais, é prudente registrar que ninguém até aqui cuidou de avaliar os prejuízos decorrentes dessa insegurança. A economia de Mossoró não aguentava mais uma temporada de indefinições.
Mossoró mudou? Há controvérsias.
A própria Justiça Eleitoral cuidou de afastar os concorrentes e o vereador-prefeito acabou sendo o único vitorioso (só perdia pra ele).
Havia no ar uma certa frustração do eleitor com a judicialização do processo eleitoral que culminou com o afastamento da prefeita Cláudia.

Na véspera da eleição suplementar, em declarações rápidas à imprensa, a governadoraRosalba Ciarlini deixou escapar uma frase que resumia esse sentimento e aquela frustração: “Espero que desta vez seja respeitada a vontade do povo”.


por Aluisio Lacerda 

Juros do cartão de crédito chegam a 232% ao ano

As taxas de juros voltaram a subir em abril, segundo a pesquisa da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade.
Os juros médios cobrados da pessoa física, medidos a partir dos valores cobrados em seis linhas de crédito, aumentaram 0,1 ponto percentual em abril, na comparação com março, ficando em 5,96% ao mês.
Nos primeiros quatro meses do ano, a média dos juros para pessoa física subiu 2,26 pontos percentuais.
O maior reajuste foi na taxa do cartão de crédito, que subiu 0,44 ponto percentual no último mês, chegando a 10,52% ao mês e 232,12% ao ano. O empréstimo pessoal teve aumento de 0,06 ponto percentual em abril, na comparação com março, e ficou com taxa de 3,4% ao mês – 49,36% ao ano.
Para a pessoa jurídica, a taxa média teve elevação de 0,04 ponto percentual em abril em relação a março, ficando em 3,39% ao mês e 49,19% ao ano. Em doze meses, a alta foi 0,69 ponto percentual.
O maior aumento foi na modalidade de conta garantida, que subiu 0,06 ponto percentual e chegou a 5,9% ao mês (98,95% ao ano).
De acordo com o diretor executivo de estudos econômicos da associação, Miguel José Ribeiro de Oliveira, os aumentos acompanham os consecutivos reajustes da taxa básica de juros (Selic).
Além disso, o cenário econômico com expectativa de crescimento da inflação e a queda na atividade econômica têm impacto nos juros. “Estes fatos têm levado as instituições financeiras a elevarem suas taxas de juros acima das elevações da Selic”, explicou Oliveira.
A pesquisa aponta que de março de 2013 a abril de 2014 a Selic subiu 3,75 pontos percentuais.
No mesmo período, a taxa média para pessoa física aumentou 12,34 pontos percentuais e para pessoa jurídica 5,61 pontos percentuais.
Deu na Agência Brasil

Faculdade de Enfermagem para por falta de estrutura

Docentes e discentes da Faculdade de Enfermagem (FAEN) do Campus Central da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), frequentadores diários do Edifício Professor Antônio Gomes de Arruda Barreto, sede da instituição, convivem com uma estrutura em escombros. O cenário é desolador.
Sede da faculdade tem janelas reparadas com improviso (Foto: divulgação)
Em fase da precariedade do imóvel e seus equipamentos, com problemas recorrentes na estrutura física, distribuição de água potável e condições sanitárias, movimento articulado entre professores e alunos resolveu agir. “Diante da atual situação de insegurança alunos e professores por votação unânime decidiram suspender as aulas até que seja garantida a permanência na FAEN com os riscos minimizados. O movimento encaminhou solicitação de inspeção ao Corpo de bombeiros e vigilância à Saúde com vistas a fortalecer a pauta.
Trata-se de sanitários sem assento, cestos de lixo de banheiro sem tampa, problemas envolvendo energia elétrica, antecipados ou seguidos de pequenas explosões em lâmpadas fluorescentes, choques em interruptores, presença de faíscas em fiações, disparo constante no transformador, inúmeras infiltrações próximas a rede elétrica, instalações inadequadas de copa e cantina, presença de roedores, cupins, salitre e mofo nas paredes, acústica das salas comprometidas, além de inadequada composição do laboratório de práticas de enfermagem, bem como climatização dificultando o bom desenvolvimento das aulas.
“A nossa solicitação está pautada na exposição de professores e alunos a constantes acidentes com possibilidade de ocorrência de incêndio e eletrocução, danos em equipamentos tanto da faculdade como os particulares, além da estimulação de processos alérgicos”, assinala comunicado formalizado por professores e alunado.
Teto e climatização são ameaças a alunos e estudantes (Foto: divulgação)
Foi convocada e realizada pelo Centro Acadêmico 08 de Julho, na manhã de ontem (quinta-feira, 15.05.2014), no auditório da Faculdade de Enfermagem, uma Assembleia Extraordinária, em caráter de urgência. Em pauta a atual situação de infraestrutura da faculdade, com destaque para sua rede elétrica que culminou com a falta de energia.
A Assembleia contou com a participação do Núcleo Docente Estruturante da Faculdade de Enfermagem, dos discentes, direção da faculdade e professores.
Esteve presente ainda o engenheiro elétrico André Pedro Fernandes Neto, que na oportunidade esclareceu tecnicamente a situação em que se encontra a rede elétrica do prédio da faculdade.



POR  CARLOS SANTOS

Transplante de células-tronco recupera paciente em SP

por Chico Siqueira 

Transplante de células-tronco recupera paciente em SP
Foto: Reprodução
Uma equipe de cirurgiões da Associação Portuguesa de Beneficência, de São José do Rio Preto (SP), realizou com sucesso o primeiro transplante de células-tronco do País para tratamento da doença de Crohn. A enfermidade, que causa a inflamação do aparelho digestivo e não tem cura, atinge 5 milhões de pessoas em todo o mundo, e em seu estágio mais avançado pode levar à morte. O procedimento, realizado em 14 de outubro de 2013, só foi divulgado agora porque os médicos queriam ter certeza da recuperação da paciente, a estudante de farmácia Giselle Gomes Idalgo, 29 anos. Mas o transplante só pôde ser realizado porque a Justiça deu ganho de causa a ação ajuizada por Giselle e determinou que a cirurgia fosse paga pelo seu plano de saúde.

A cirurgia abre perspectivas para que outros pacientes de Crohn possam reivindicar o mesmo tratamento, mas como ele ainda não consta no rol dos transplantes autorizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e não está na lista da Agência Nacional de Saúde (ANS) de doenças assistidas pelas operadoras particulares, é necessário ajuizar ação judicial. "Isso é a judicialização da medicina porque muitos procedimentos não são autorizados no Brasil", comentou o hematologista Milton Ruiz, coordenador da unidade de transplantes e de terapia celular da Associação, e responsável pela cirurgia.

Gisele está totalmente recuperada. Não toma medicamentos desde que saiu da cirurgia há oito meses. Ela lembra do passado difícil, quando seu peso caiu de 55 para 32 quilos e teve de largar o trabalho e a faculdade de farmácia e ainda enfrentar o preconceito da sociedade. "Em 2010 eu comecei a sentir os primeiros sintomas - dores abdominais fortes, dores nos ossos e diarreias constantes. Perdi as forças, emagreci, tive de deixar de trabalhar e estudar e não conseguia nem pegar um copo de água por causa das dores nos ossos", conta. Em 80% dos casos, a doença de Crohn leva às intervenções cirúrgicas e em 33% à morte. No caso do transplante pode ocorrer a recidiva em cinco anos, mas há casos em que isso não ocorre. 

Hopóteses, tendências

Os adversários de Dilma 

Marcos Coimbra, na Carta Capital

À medida que o tempo passa, mais claro fica o quadro: nenhum dos possíveis adversários de Dilma Rousseff na eleição deste ano demonstra ter fôlego para vencê-la. Não é impossível que algum venha a encontrá-lo, mas o certo é que, até agora, ninguém conseguiu.

A afirmação pode soar estranha a quem presenciou a celebração de nossa “grande imprensa” nos últimos dias, a propósito da divulgação de pesquisas de institutos como MDA, Datafolha e Sensus. Em manchetes às vezes garrafais, a mídia corporativa as apresentou como reveladoras de um quadro novo, desfavorável à presidenta e propício às oposições.

Foram pesquisas a respeito de intenções de voto e avaliação do governo federal. E todas mostraram uma queda na popularidade da presidenta e do governo, acompanhada de uma redução quase idêntica na proporção daqueles que dizem pretender votar em Dilma.

Até aí, tudo natural. Se alguém está insatisfeito com o desempenho do governo, se está convencido de que as coisas não vão bem em Brasília, é lógico não desejar a continuidade. O passo seguinte é igualmente lógico: não querer votar em quem a representa.

Eleições são, no entanto, semelhantes àquilo que os economistas chamam jogo de “soma zero”, o que um jogador perde é igual ao que o outro ganha. Neles, é impossível todos lucrarem ou terem prejuízo ao mesmo tempo. Na divisão de um bolo, por exemplo, se alguém aumenta o tamanho de seu pedaço, a parte restante aos outros fica menor. Os votos que um candidato não consegue obter (ou deixa de ter) são repartidos pelos demais.

Desse modo, era de esperar que a queda de Dilma beneficiasse algum ou vários de seus adversários. Mas não foi o que as pesquisas mostraram.

Note-se: esses levantamentos foram feitos logo após o ciclo de propaganda partidária dos oponentes de Dilma. Como sabemos à luz do ocorrido em eleições anteriores, pesquisas feitas nesses momentos costumam provocar “picos” nas intenções de voto, que tendem a desaparecer com o transcurso do tempo.

Primeiro foi a vez de Eduardo Campos, que, no fim de março, usou as inserções e o programa do PSB para se promover. Depois, Aécio Neves, em meados de abril, fez o mesmo com o tempo do PSDB. Até o Pastor Everaldo, na segunda quinzena de abril, utilizou o estratagema de dizer que fazia propaganda de seu partido, o PSC, para praticar, de fato, proselitismo a favor de sua candidatura (o que a legislação proíbe, mas ninguém respeita).

Quando se consideram o contexto em que as pesquisas foram realizadas e a queda apontada de Dilma, deveríamos ter resultados favoráveis aos adversários da presidenta. Pelo que vimos no passado, a expectativa, na verdade, é que fossem muito favoráveis.

Contudo, só o tucano cresceu e em patamar modesto. O pernambucano e o pastor ficaram fundamentalmente iguais, movendo-se dentro da margem de erro. As oposições melhoraram pouco, menos do que deveriam e menos do que precisam para alcançar a candidata do PT.

A esta altura da eleição, os problemas que atingem a imagem da presidenta, do governo e do PT afetam a candidatura, mas pouco benefício trazem às oposições, apesar da ininterrupta campanha de desconstrução movida pela mídia oposicionista. O saldo? Dilma cai (apesar de menos do que seus inimigos gostariam) e ninguém sobe (de maneira significativa).

É sempre bom lembrar que, com números de popularidade e intenção de voto semelhantes aos de Dilma hoje, Fernando Henrique Cardoso reelegeu-se no primeiro turno em 1998. Em junho daquele ano, estava empatado com Lula. Na urna, o ultrapassou com folga. E era Lula e não algum candidato pouco conhecido e com imagem problemática.

Vamos fazer neste outubro uma eleição diferente. Não será de pura continuidade, como aquelas de 1994, 1998, 2006 e 2010. Não será tampouco de pura mudança, como as de 1989 e 2002. O eleitorado busca agora uma boa mistura entre as duas possibilidades.

Os adversários de Dilma, empurrados para a radicalização pró-mudança pela fúria do oposicionismo de uma parte da sociedade, do empresariado e da mídia, agradam apenas a quem detesta o lulopetismo. Afastam-se, porém, daqueles que desejam que diversas coisas mudem no País, mas têm certeza de que há muito que deve continuar. E permanecem a léguas da ampla parcela que prefere a continuidade.

Talvez por isso não cresçam.

O real desempenho da economia brasileira

O Brasil tem bons indicadores

O Brasil é um dos poucos países que atravessou a crise internacional e não sofreu recessão ou pressão inflacionária, nem reversão no nível de emprego.
Por José Carlos Peliano, na Carta Maior

Os indicadores econômicos do Brasil são bons e confiáveis. Depois de se sustentar diante da crise internacional e se manter com taxas menores de crescimento, emprego idem, mas baixo desemprego e distribuição de renda favorável, o país está em marcha lenta, mas controlada, juntando forças para novo período de expansão.

Um dos poucos países que não sofreu recessão ou pressão inflacionária, nem reversão no nível de emprego, tampouco foi forçado a buscar crédito nos bancos internacionais para cobertura de compromissos assumidos. Tal qual aconteceu com vários países especialmente os europeus.

Ok. As contas estão justas, apertadas. A inflação sob controle ainda dentro da meta, nível atualmente baixo de crescimento do emprego, mas sem dispensa significativa de trabalhadores, produto interno bruto com sinais positivos mesmo com pouca expansão. A balança comercial se aperta mais porque depende também o país da situação econômica desconfortável dos demais. As exportações perdem terreno aqui e ali mas sem sair do rumo. Somando tudo, porém, o quadro é de expectativa no sentido de que o Brasil tem todas as condições de alavancar novo ritmo de crescimento. É só permanecer atento.

Vamos aos números. Segundo o IBGE, nos 12 meses encerrados em março último o nível do emprego industrial reduziu 1,4%. A queda maior se deu em São Paulo e no setor de máquinas e equipamentos. Exatamente na região mais desenvolvida e no setor de bens de capital, principais motores da economia nacional. Calçados e couro também reduziram a expansão. Ou seja, os resultados desses setores indicam que tanto a própria indústria se ajusta ao cenário cuidadoso e difícil quanto as famílias controlam mais de perto seus orçamentos.

Seguindo rota semelhante, o número de horas pagas arrefeceu também o mesmo 1,4% no período anterior de 1 ano. A compatibilidade de igual percentual nas duas categorias, emprego e horas pagas, indica que houve paridade entre as dispensas e os salários não mais pagos. O que significa dizer que no conjunto a queda no emprego se deu eminentemente por ajustes localizados de produção, não se deveu a perturbações de mercado mais radicais.

Surpreendentemente no mesmo período dos últimos 12 meses a folha de pagamento real da indústria aumentou no mesmo percentual, também 1,4%. É possível e bastante provável que a dispensa de trabalhadores tenha se dado nas ocupações básicas ou flexíveis, ou seja, aquelas nas quais os operadores possam ser substituídos por outros internamente sem prejuízos para a continuidade das tarefas. Enquanto permaneceram aqueles trabalhadores de postos de trabalho mais especializados, cujas eventuais substituições são mais difíceis de manterem a mesma qualidade de produção.

Então, os números do IBGE divulgados hoje, 13 de maio, sobre o comportamento do emprego industrial revelam de fato e de direito um ajuste que o mercado vem fazendo ao momento econômico. Ajuste este de duas faces. A primeira tradicional, mas apenas reacional, aquela em que se reduz o aquecimento da produção para ver o que vai ocorrer daí para a frente. A segunda, tradicional mas estudada, aquela em que as mudanças efetuadas na linha de produção não afetam a eventual retomada caso bons ventos voltem a soprar. A primeira quantitativa, a segunda qualitativa.

O motor da economia brasileira, portanto, continua ligado, em marcha mais lenta que a precedente, mas pronto para imprimir velocidade mais acentuada tão logo haja sinais de recuperação. Muitos deles já dados. Os novos investimentos feitos para a Copa, por exemplo, ao mesmo tempo para as Olimpíadas, começaram já a ser pagos e distribuídos a grande parte dos setores industriais, incluindo os salários e remunerações, envolvidos nos projetos.

Outros setores têm tido desempenho confortável como a produção naval, petróleo e gás e automobilística. Seus efeitos, no entanto, são diferenciados no tempo, alguns investimentos impactam logo a economia, outros são mais defasados.

A grande questão é quando volta a se dar a retomada das demais economias para que a brasileira volte a ter o pique anterior. O mercado interno já se mostrou capaz de sustentar a expansão econômica brasileira por muito tempo e ainda a mantém agora em ritmo mais lento. Quando a China, a Zona do Euro e os EUA voltarem ao cenário com maior pujança econômica certamente as exportações brasileiras voltarão a crescer e a ajudar a puxar a produção industrial.

A retomada da Zona do Euro deve demorar. Números recentes (World Economic Monitor, CPB Holanda) mostram o quadro de descompasso entre o nível do comércio mundial (WT) e o produto nacional bruto (PNB) daqueles países. Entre 1992 e 2007, o WT cresceu 7,1% e o PNB 3,7%, já entre 2008 e 2013 o WT cresce 2,8% e o PNB 2,9%. Assim, enquanto no primeiro período o comércio mundial daqueles países impulsiona e puxa o produto, no período atual a perda no comércio mundial desestimula o impulso ao produto e os dois apenas andam lado a lado e devagar no mesmo nível.

É claro que na Zona do Euro há países de economias fortes tipo Alemanha, França e Inglaterra. Daí ser possível mesclar seus crescimentos maiores com os demais países de crescimentos menores, uns sustentando os outros e, ao final, apresentarem uma taxa de crescimento razoável do conjunto. Não é o caso de apenas um país. Daí a comparação com a Zona do Euro ser injusta para o Brasil, embora importante para mostrar que, apesar de tudo, o país está em situação semelhante àqueles. Todos em ritmo de espera do que o futuro econômico trará. A economia brasileira já mais ajustada, a da Zona do Euro ainda descompensada.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

CURSO PREPARATÓRIO PARA A PM DA PARAÍBA


sábado, 3 de maio de 2014

Tomar água gelada queima calorias? Se tomar em jejum emagrece?

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Tire suas dúvidas sobre esse líquido essencial para o bem-estar e a saúde do corpo


Uma pessoa seria capaz de suportar até 200 dias sem comer. Sem água, porém, a resistência é bem menor: após cerca de 36 horas o organismo começa a entrar em colapso.
Água é essencial para a saúde e o bem-estar. Mas existem dúvidas em relação às propriedades desse líquido do qual o organismo não pode prescindir. Confira alguns mitos e verdades sobre a ingestão de água.
Tomar água gelada queima calorias
VERDADE. A temperatura da água gelada é em torno de 4º C; a do corpo humano é cerca de 36º C. Então, quando você ingere o líquido gelado o corpo trabalha para aquecê-lo.

“Esse processo, chamado termogênese, gera aumento de consumo de energia, ajudando assim a promover a queima calórica”, explica a nutricionista Natália Dourado, consultora da Santo Dom Massas sem Glúten, de São Paulo. Mas daí a imaginar que água gelada é a solução para a perda de peso é exagero. Até porque a queima calórica é pequena: meio litro de água gelada consome 17 calorias.
“É pouco representativo em uma dieta de 1500 a 2000 calorias”, completa o endocrinologista e nutrólogo João César Castro Soares, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Tomar água em jejum emagrece
MITO. “A hidratação em jejum é importante para restabelecer os níveis séricos do organismo e a eliminação de toxinas produzidas em resposta ao período sem alimentação”, diz a nutricionista Natália Dourado. Devido a isso e ao fato de que beber água provoca uma distensão gástrica, o que pode acontecer é a sensação de diminuição da fome. Com menos fome, menos comida seria ingerida. Neste caso colaboraria com a perda de peso.

Água com gás engorda igual refrigerante
MITO. “Embora os dois líquidos contenham gás carbônico em sua composição, a diferença está no açúcar incluso nos refrigerantes”, explica Natália Dourado. O que engorda, portanto, não é o gás e sim as calorias do açúcar da bebida. O endocrinologista João César alerta ainda para o fato de o refrigerante conter grande quantidade de sal, o que também prejudica a saúde e a boa forma.
Beber água durante a refeição atrapalha digestão
MITO. “Não existe embasamento científico para justificar essa afirmação”, diz o médico da Unifesp. Mas é claro que não se pode exagerar na ingestão. Um litro de água faria a pessoa se sentir mal e poderia prejudicar o processo digestivo.

Beber água faz bem para a pele
VERDADE. A ingestão de água é importante para a eliminação das toxinas produzidas pelo organismo, que são expelidas pela urina ou suor. “Uma pele bem hidratada elimina estas toxinas com maior facilidade e fica com aparência mais saudável”, explica a nutricionista Natália.

As perguntas que não são feitas nas pesquisas eleitorais


Wanderley Guilherme dos Santos, na Carta Maior

Rompendo o tédio da rotina dos questionários elaborados pelos institutos de pesquisa, formulei seis perguntas cujos resultados me interessariam conhecer.

Pesquisas de opinião são orientadas, claro, e as eleitorais não constituem exceção. Se alguém deseja saber quem prefere maçã ou banana deve perguntar justamente isso, sem confundir o pesquisado com as opções de abacaxis e mangas. Muitas pesquisas eleitorais desorientam os entrevistados ao introduzir opções que nada mais são do que abacaxis e mangas, nomes de candidatos sabidamente estéreis no contexto eleitoral efetivo. Obtêm-se antes de tudo uma idéia da dispersão aleatória da preferência eleitoral, não as escolhas sólidas a aparecer com perguntas focadas no que está, de fato, em jogo. Mas nada impede que se investigue se o freguês é mais afeito a frutas ácidas ou cremosas – um tanto mais geral e inespecífica do que a pergunta anterior.

Com maior ou menor generalidade o que importa é que há um mundo de interrogações adequadas ao conjunto das frutas, todas legítimas, respeitadas modestas regras de lógica. Simples, mas esquecido quando os institutos divulgam seus resultados, aceitos com sagrada intimidação. Na verdade, os mesmos tópicos das pesquisas podem ser investigados por inquéritos variados, nada havendo de interdito no terreno do mexerico.

Em pesquisas de opinião são fundamentais a representatividade da amostra dos pesquisados, a correção dos questionários e, concluindo, a leitura dos resultados. É intuitivo que em uma comunidade onde 99% são religiosos o inquérito não pode concentrar-se no 1% restante, exceto se o pesquisador estiver interessado justamente na opinião da extrema minoria de agnósticos que ali vivem. Isto respeitado, tudo bem quanto à representatividade dos números.

Mas a leitura dos resultados pode ser marota. Jogando uma moeda para o ar centenas de vezes, o número de experimentos em que ao cair a moeda mostrará a “cara” tende a ser o mesmo número de “coroas”. Ignorando quando e porque acontece uma ou outra coisa, deduz-se que a probabilidade de dar “cara” ou “coroa” é de 50%, ou seja, metade das vezes uma, metade, a outra. Em certos convescotes essa peculiaridade é chamada de “acaso”.

Mas essa é uma probabilidade diferente da que indica o futuro do clima, por exemplo. As chances de que chova nas próximas 48 horas não é derivada diretamente de uma série de 48 horas do passado, mas das condições em que milhares de 48 horas foram chuvosas: umidade do ar, regime de ventos, formação de nuvens, etc. explicam com relativo grau de precisão (a probabilidade) as variações climáticas. O que justifica o probabilismo é o conhecimento das particularidades associadas ao aparecimento do fenômeno “chuva”, não o mero fato de sua repetição. 

Pois a probabilidade derivada de uma série de pesquisas eleitorais é análoga à do jogo “cara” ou “coroa”, não à dos prognósticos atmosféricos. De onde se segue serem um tanto marotas as previsões de resultados eleitorais apoiadas em séries históricas, por mais extensas que sejam. A diferença é ontológica: uma eleição não é um jogo de “cara” ou “coroa”. A seguir, uma crítica, digamos, construtiva. 

Rompendo o tédio da rotina dos questionários elaborados pelos institutos de pesquisa, formulei seis perguntas cujos resultados me interessariam conhecer. Aí vão:

1 – o Sr(a) prefere:
a) continuar com a presidenta atual (Dilma Roussef)
b) voltar ao governo do PSDB (Aécio Neves)
c) indiferente

2 – o Sr(a) votaria em alguém que:
a) defende a manutenção do emprego de quem trabalha
b) promete medidas impopulares
c) indiferente

3) – o Sr(a) apóia o controle nacional do petróleo do pré-sal?
a) sim
b) não 
c) indiferente

4) - A oposição atual representa seu ideal de governo?
a) sim
b) não
c) indiferente

5) Em relação à distribuição de renda o Sr.(a) é:
a) a favor
b) contra
c) indiferente

6) Os atrasos na conclusão de aeroportos e estádios demonstram que:
a) a iniciativa privada não é confiável
b) há sempre imprevistos em grandes obras
c) indiferente

Escolhi agregar todos os votos “não sei/prefiro não responder”, brancos e nulos em uma única opção porque estou interessado somente nas escolhas claras. E indiquei o nome de dois candidatos na pergunta 1 porque este é o desenho do questionário e, conforme o manual da boa pesquisa, o entrevistado deve estar de posse das informações relevantes para responder corretamente. Naturalmente, os entrevistados com preferência por outros nomes ou por nenhum estariam representados na resposta c. 

O diabo é que ninguém acredita que os questionários dos institutos são apenas uma aproximação do que os eleitores perguntam a si mesmos, na hora do vamos ver. Por isso suas pesquisas ao final de uma corrida eleitoral se tornam mais diretas e econômicas, reduzindo o percentual de erro. Ainda assim, por vezes o palpite estatístico é desastrosamente equivocado. É quando o instituto, ao contrário de tentar replicar o que pensa o eleitor, busca fazer com que o eleitor pense como ele. Não dá certo.

Salário mínimo na ditadura e hoje

João Sicsú 

Ele é um vetor de enorme importância para a sociedade brasileira. Quando é reduzido, promove degradação distributiva e desigualdade social 

O salário mínimo foi instituído por Getúlio Vargas em 1940. A cada 1º de maio é comemorado o dia do trabalhador e também o dia do salário mínimo. Há 74 anos, em discurso na cidade do Rio de Janeiro, o presidente anunciou: “...assinamos hoje um ato de incalculável alcance social e econômico: a lei que fixa o salário mínimo para todo o país”.

Desde a sua criação até o golpe de 1964, três presidentes defenderam o valor real do salário mínimo: Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek e João Goulart. Neste período, Eurico Gaspar Dutra, que governou o Brasil de 1946 a 1951, foi o grande adversário do salário mínimo, deixando o seu valor ser corroído pela inflação. No governo de Gaspar Dutra, não foi concedido qualquer reajuste ao salário mínimo, que perdeu 40% do seu valor real.

O salário mínimo alcançou um de seus valores reais mais altos exatamente um mês antes do golpe de março de 1964. Seu valor em fevereiro daquele ano, corrigido monetariamente para os dias de hoje, era um pouco superior a mil reais. Desde o início da ditadura até o seu fim, a tendência foi de perda do poder de compra do salário. Durante a ditadura, os ministros da Fazenda mais proeminentes foram: Otávio Gouveia de Bulhões, Antônio Delfim Netto e Mário Henrique Simonsen.

No início dos anos 1960, apesar da inflação, João Goulart promoveu reajustes para defender o salário mínimo. No dia 24 de fevereiro de 1964, dias antes do golpe, o presidente João Goulart deu aumento de 100% para o valor do salário mínimo. No ano de 1963, já havia concedido aumento superior a 56%. Contudo, acreditava que o remédio definitivo seria a derrubada da inflação. No histórico comício de 13 março de 1964 na Central do Brasil, bradou:

“Governo nenhum, trabalhadores, povo nenhum, por maior que seja seu esforço, e até mesmo o seu sacrifício, poderá enfrentar o monstro inflacionário que devora os salários, que inquieta o povo assalariado, se não forem efetuadas as reformas de estrutura de base exigidas pelo povo e reclamadas pela Nação.”

Com o golpe de 1964 e a implantação da ditadura, um novo modelo econômico foi imposto. O pacto entre os militares e os empresários era pela promoção do crescimento econômico e realização de investimentos públicos e privados. E assim foi feito. Mas foi um modelo concentrador de renda que dilapidou o salário mínimo. A ideia que justificava esse modelo foi expressa pelo então ministro Delfim Neto que dizia que era necessário, primeiro, fazer o bolo crescer para, depois, distribuí-lo.

O ambiente de repressão política e de sindicatos sufocados favoreceu o arrocho salarial, incluindo aí o salário mínimo. E, de fato, o bolo sugerido pelo ministro Delfim cresceu. O setor público fez grandes investimentos à custa da elevação do endividamento externo. O setor privado também fazia grandes investimentos financiados pela folga financeira devido à redução de custos que representava a folha de pagamento – além de favores concedidos pelos militares a determinados setores econômicos. O arrocho salarial não era uma maldade a mais do regime ditatorial, era sim um vetor importante do modelo econômico de crescimento e investimento. A ditadura durou 21 anos e, neste período, o salário mínimo perdeu, em termos reais, mais de 50% do seu valor.

Durante a ditadura, a concentração de renda aumentou de forma extremamente significativa. A inflação, que era alta nos tempos de João Goulart, disparou. Além disso, o Brasil vivenciou grandes movimentos migratórios, do norte e do nordeste para São Paulo e Rio de Janeiro e do campo para as cidades. Sem empregos, renda e direito à moradia nas cidades, que representavam sonho e esperança, as favelas surgiram como alternativa e como problema urbano e social.

O salário mínimo é um vetor de enorme importância para a sociedade brasileira. Quando é reduzido, promove degradação distributiva e desigualdade social. E o contrário é verdadeiro. Portanto, grande parte das conquistas sociais dos anos 2000 pode e deve ser atribuída à política atual de recuperação e valorização do salário mínimo, que hoje está no patamar do início dos anos 1960. Apesar da boa política de valorização do seu valor, ainda está no meio do caminho de sua recuperação e está longe do patamar da dignidade.

Existe uma ameaça no ar. A regra atual de reajuste do salário mínimo terminará em 2015. Conselheiros do PSDB e da oposição orientam seus seguidores para pressionar pela quebra da regra porque o salário mínimo estaria alto demais. Estaria retirando competitividade das empresas. Pode-se perceber: o vocabulário é mais moderno. Mas é a velha ideia dos tempos da ditadura: menos salários para haver mais investimentos.

Última mensagem: qualquer central sindical somente deveria apoiar um candidato a presidente em 2014 se e quando houvesse o compromisso de manutenção da regra atual que recuperou, nos últimos 10 anos, em mais de 70% o valor real do salário mínimo. O objetivo: manutenção da trajetória de recuperação do salário mínimo. A meta: um salário mínimo digno como vetor de mais justiça e igualdade social.

* Economista, professor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), colunista da Rádio Vermelho e foi diretor de Políticas e Estudos Macroeconômicos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) entre 2007 e 2011. 

Figurinhas

Prosa do Domingo. (na Coluna Plural do Novo Jornal).

Álbum de figurinhas. Só a sonoridade desse nome, com a transformação do som na imagem, me leva a um tempo da vida que guardo no fundo acolhedor de um baú inexistente, daqueles de Quintana.
Fecho a cortina e volto ao hoje. Vejo meus filhos de aquisição, Daniel e Raoni, excelentes pais, centrados, batalhadores, profissionais sensatos, transformados em adolescentes ao colarem figurinhas no álbum da Copa.

Permuta de repetidas, vibração com as “difíceis”, contagem das faltas. E no meio, Felipe sem deixar colar as suas, preferindo brincar com as figurinhas soltas, enquanto Giovana vai colando as suas em qualquer lugar. “tem um goleiro pregado na porta do meu quarto”. Felipe me ensina: “Voínho, o Japão tem uma bola na bandeira”.  Os dois infantilizam minha velhice.  Ou os quatro.

Figurinhas do álbum invicto de Felipe servindo para os do pai e tio, mas ele vigilante ante os olhos gananciosos de quem só espera uma chance para o furto. Felipe me levou a uma banca de revistas e me fez comprar um pacote completo, daqueles que vem lacrado com plástico e liga.

Não pude esquecer os tempos difíceis, quando completava o álbum lentamente, trocando o lanche do dia por um pequeno pacote de cinco figurinhas. E a troca de repetidas, na frente do Cine Pax, de seu Félix, ou do Alvorada.

Outra diferença brutal é a qualidade do material e a forma de colagem. As figurinhas do meu tempo eram “pregadas” no álbum com cola branca de papel, ou grude de goma, de tal forma que o álbum ia ficando inchado à medida do preenchimento. E se você exagerasse na cola, acabava grudando as páginas do álbum. Hoje, é tudo adesivado.  Como a política e o futebol.

Meu álbum da Copa de 62 ficou quase completo. Havia figurinhas difíceis, que produziam vibração quando encontradas. Carbajal, goleiro do México. Yashin, da Rússia. Abelardo, atacante da Espanha. Zito, do Brasil. Schiroif, da Checoslováquia. E outras fáceis. Amarildo, do Brasil. Puskas, da Espanha. Soube que a dificuldade ou facilidade dava-se pelos lotes distribuídos. Difícil num lugar, fácil noutro.
Há uma diferença que o meu tempo ganha em qualidade e brilho. A beleza romântica do futebol de arte. Agressão física nos estádios? Só entre os próprios jogadores, muito raramente. Hoje, é ganância no campo e violência na rua.

A inigualável Copa de 1958, cujo elenco forneceu a base do time bicampeão, em 62. Talvez só a seleção de 70 consiga uma comparação. Mesmo assim desaguando no medíocre time de 74.

Um time e duas seleções. Começou dum jeito, terminou de outro; invicto. De Sordi cedendo o lugar a Djalma Santos, Garrincha no lugar de Joel, Vavá no lugar de Mazola, Pelé tirando Dida. Em 62, Mauro no lugar de Beline, Zózimo no de Orlando e Amarildo substituindo Pelé.

Parece que tô vendo meu álbum. Inchado de grude e saudade. Té mais.


Por François Silvestre

Veja o resultado das últimas 10 eleições a prefeito de Mossoró

Observe resumo de 42 anos de eleições à Prefeitura mossoroense e conheça alguns fatos e personagens
O Blog do Carlos Santos repete um trabalho que passou a adotar nas últimas campanhas municipais. É um exaustivo levantamento sobre os pleitos municipais mossoroenses, tarefa que na verdade nunca está completa.
O esforço é no sentido de continuarmos ofertando produto diferenciado aos nossos webleitores.
Dix-huit assina ato de posse após eleito em 72; Antônio Rodrigues (antecessor, à sua esquerda) testemunha com primeira-dama Naide Rosado e vice-prefeito eleito Canindé Queiroz o acontecimento (Foto: Reprodução Jornal de Fato)
Eles fidelizam nosso endereço à procura de informações diversas, com predominância de material analítico-opinativo e ainda em face de sermos um espaço dialético, pluralista e democrático. Um fórum de debates.
O levantamento de números das eleições a prefeito de Mossoró, nos últimos 42 anos, é fruto de muita pesquisa e levantamento em arquivo próprio, além de outras fontes, bem como a colaboração de pessoas interessadas no assunto.
Começamos por 1972. Mas ainda vamos voltar mais no tempo, a 1948 (noutra oportunidde), quando tivemos o início do ciclo de disputas municipais, pós-Estado Novo (regime ditatorial de Getúlio Vargas). Agora, não; paciência. Depois, reiteramos.
É impossível se produzir jornalismo político sem cultura política e razoável base científica.
Esse material serve para alimentar o bom debate, além de acrescentar mais dados ao entendimento da disputa à Prefeitura de Mossoró neste ano em que pela primeira vez temos um pleito suplementar, em face da desenfreada corrupção eleitoral do pleito de 2012.
Faça bom proveito e, se for utilizar esses dados em registros públicos ou estudos, por favor cite a fonte. É uma questão de direito e de respeito.
Obrigado.
O “banquete” está servido:
Eleições de 1972 (Fonte: Bruno Barreto):
Dix-huit Rosado (Arena) – 16.194
Lauro Filho (MDB) – 11.995
Brancos – 205
Nulos – 296
Maioria Pró-Dix-huit Rosado –  4.199 votos.
O eleitorado habilitado ao voto era de 28.690.
Eleições de 1976 (Fonte: Bruno Barreto):
João Newton: força de Vingt (Foto: arquivo UERN)
João Newton da Escóssia (Arena 1) – 20.165
Leodécio Néo (MDB 1) – 10.840
Assis Amorim (MDB 2) 6.970
Antônio Rodrigues de Carvalho (Arena 2) – 1.327
Maioria Pró-João Newton sobre os demais – 3.232 votos.
Neste ano, o regime militar em curso produziu o casuísmo da “sublegenda”, permitindo que o mesmo partido pudesse ter mais de um candidato. Vivíamos fase do bipartidarismo (Arena e MDB). A ideia era sufocar a “oposição consentida”, feita pelo MDB, que possuía bem menor representatividade em todo o país, com condições raquíticas de lançar mais de um candidato a prefeito. Em Mossoró, com melhor representatividade oposicionista, o MDB chegou até a apresentar duas candidaturas, mas o cunhado do líder Vingt Rosado (Arena), João Newton da Escóssia, levou a melhor com folga.
Eleições de 1982 (Fonte: Blog CS):
- Dix-huit Rosado (PDS) – 21.510 (41,68%);
- João Batista Xavier (PMDB) – 15.466 (29,97%);
- Canindé Queiroz (PDS) – 4.388 (8,50%);
- Mário Fernandes (PT) – 428 (0,83%);
- Paulo R. Oliveira (PTB) – 48 (0,09%);
- Brancos – 8.145 (15,79%);
- Nulos – 1.621 (3,14%);
- Maioria Pró-Dix-huit – 6.044 (11,71%).
O eleitorado habilitado ao voto era de 67.041, em 275 secções. Compareceram 51.606 (76,98%) eleitores. As abstenções foram de 15.435 (23,02%) votantes.
Neste ano também ocorreram eleições para deputado estadual, federal, uma vaga ao Senado e governo do Estado. Foram as primeiras eleições com a retomada do pluripartidarismo, na reta final do regime militar de 1964. O mandato dos prefeitos/vereadores foi de 6 anos em vez de 4, como temos desde o pleito de 1988.
Com a existência do casuístico instituto da sublegenda, cada partido poderia lançar mais de um candidato a prefeito, foi o que ocorreu em Mossoró. O grupo Rosado, unido, lançou Dix-huit Rosado pelo PDS.
Já o sistema Maia apresentou o jornalista Canindé Queiroz, pelo mesmo partido, para dar suporte à candidatura a governador do engenheiro e ex-prefeito indireto de Natal, José Agripino Maia (PDS). Agripino venceu seu principal adversário, o ex-governador Aluízio Alves (PMDB), com mais de 107 mil votos de maioria.
Eleições de 1988 (Fonte: Blog CS):
- Rosalba Ciarlini (PDT) – 37.307 (49,7%);
- Laíre Rosado (PMDB) – 30.226 (40,2%);
- Chagas Silva (PT) – 2.507 (3,3%);
- Brancos – 3.594 (4.8%);
- Nulos – 1.503 (2%);
- Maioria Pró-Rosalba – 7.081 (9,5%).
O eleitorado habilitado ao voto era de 80.397, em 275 secções. Compareceram 75.217 eleitores. As abstenções foram de 5.180 votantes.
Eleições de 1992 (Fonte: Blog CS):
- Dix-huit Rosado (PDT) – 37.188 (47,79%);
- Luiz Pinto (PFL) – 32.795 (42,15%);
- Luiz Carlos Martins (PT)– 6.557 (8,43%);
- Paulo Linhares (PSB) – 1.273 (1,64%);
- Brancos – 5.669 (6,49%);
- Nulos – 3.913 (4,48%);
- Maioria pró-Dix-huit Rosado – 4.393 (5,64%)
O eleitorado cadastrado à época era de 99.623. Compareceram 87.395, as abstenções chegaram a 11.381 e os votos nominais atingiram 77.813.
Eleições de 1996 (Fonte: Blog CS):
- Rosalba Ciarlini (PFL) – 57.407 (52,64%);
- Sandra Rosado (PMDB) – 26.118 (28,50%);
- Jorge de Castro (PT) – 4.878 (5,32%);
- Valtércio Silveira (PMN) – 3.237 (3,53%);
- Brancos – 1.549 (1,69%);
- Nulos – 3.802 (…);
- Maioria pró-Rosalba Ciarlini de 31.289 (24,14%).
Existiam 114.218 eleitores aptos, mas compareceram 96.991. As abstenções atingiram 17.227 (15.08%), com 91.640 sendo a votação nominal.
Eleições de 2000 (Fonte: Blog CS):
- Rosalba Ciarlini (PFL)– 57.369 (54,86%);
- Fafá Rosado (PMDB) – 42.530 (40,67%);
- Socorro Batista (PT) – 4.447 (4,25%);
- Mário Rosado (PMN) – 228 (0,22%);
- Brancos – 1.757 (1,59%);
- Nulos – 4.395 (3,97%);
- Maioria pró-Rosalba Ciarlini de 14.839 (14,19%).
Existiam 127.894 eleitores aptos, mas compareceram 110.726. As abstenções atingiram 17.168 (13.42%), com 104.574 (94.44%) sendo a votação nominal em 358 urnas.
Num comparativo com as eleições de 1996, esses números guardam uma preciosidade. Rosalba obteve menos votos do que na eleição anterior.
Enquanto em 96 tinham sido 57.407 em eleitorado de 114.218 aptos, em 2000 – contra Fafá, conseguiu 57.369 num contingente de 127.894 aptos. Ou seja, 38 votos a menos, apesar de aumento de 13.676 votantes.
Eleições de 2004 (Fonte: TSE):
Rosalba foi eleita três vezes, a começar de 1988 (Foto: reprodução)
- Fafá Rosado (PFL) – 57.743 (49,06%);
- Larissa Rosado (PMDB) – 34.688 (29,45%);
- Francisco José (PSB) – 21.210 (18,02%);
- Crispiniano Neto (PT) – 4.083 (3,47%);
- Brancos – 2.063 (…);
- Nulos – 5.708 (…);
- Maioria pró-Fafá Rosado de 23.075 (19,61%).
Existiam 143.235 eleitores aptos, mas compareceram 125.475. As abstenções atingiram 17.376 (12%),
Eleições de 2008 (Fonte: UOL/TSE):
- Fafá Rosado (PFL) – 65.329 (53,01%);
- Larissa Rosado (PSB) – 46.149 (37,44%);
- Renato Fernandes (PR) – 11.306 (9,17%);
- Heronildes Bezerra, “Heró”  (PRTB) – 464 (0,38%);
- Brancos – 3.678 (2%);
- Nulos – 7.400 (5%);
- Maioria pró-Fafá Rosado de 19.018 (16%).
Existiam 153.027 eleitores aptos, mas compareceram 134.326. Desse volume, 123.248 foram considerados válidos. As abstenções atingiram 18.701 (12%). Existiam 416 seções eleitorais.
Eleições de 2012 (Fonte: UOL/TSE):
- Cláudia Regina (DEM) – 68.604 (50,90%);
- Larissa Rosado (PSB) – 63.309 (46,97%);
- Josué Moreira – 1.932 (1,43%);
- Raimundo Nonato Sobrinho, “Cinquentinha” (Psol) – 948 – (0,70%);
- Edinaldo Calixto (PRTB) – 0 (0%);
- Brancos – 2.323 (1,61%);
- Nulos – 6.737 (4,68%);
- Maioria pró-Cláudia Regina de 5.295 (3,93%).
Existiam 164.975 eleitores aptos. Desse volume, 134.793 (93,70%) foram considerados válidos, num comparecimento que ocupou 460 secções organizadas pela Justiça Eleitoral.
As abstenções atingiram 21.122 (12,80%).

Por Carlos Santos

Paulo Francis tinha razão

Ivan Maciel de Andrade
Advogado

Paulo Francis ocupa um dos primeiros lugares numa relação que se faça dos mais cultos e brilhantes jornalistas brasileiros de todos os tempos. Decepcionou-se com o comunismo stalinista e tornou-se um reacionário intolerante e radical. A partir daí, sua irreverência criou muitos inimigos, que ele enfrentou em polêmicas cheias de sarcasmo e de violência verbal. Ele merece respeito, acima de tudo, por sua fulgurante inteligência. Mas também por sua dignidade como profissional e pela independência e coragem com que defendia suas opiniões. Por essas qualidades é que Paulo Francis faz uma grande falta hoje ao nosso país. O “Diário da corte” testemunha o que existe de melhor em sua intensa atividade jornalística, pautada pelo desafio a mitos, tabus e convenções sacralizadas.

Morreu Paulo Francis em 1997 de um infarto em Nova York. A causa do ataque cardíaco é conhecida: ele fez acusações de irregularidades à direção da Petrobras no programa “Manhattan Connection’’. A Petrobras moveu, então, uma ação contra Francis, perante a Justiça dos Estados Unidos, pedindo uma milionária indenização por danos morais. Francis, como não dispunha de provas concretas de irregularidades praticadas por dirigentes da Petrobras (que somente agora foram divulgadas pela mídia nacional e internacional), ficou profundamente receoso, diante do rigor da Justiça norte-americana, de vir a sofrer uma condenação que representaria a sua ruína financeira e patrimonial. A ironia de tudo isso é que, a esta altura, chegou-se à conclusão de que Paulo Francis, um jornalista excepcionalmente bem informado, tinha mesmo razão. O que significa dizer, em última análise, que Francis morreu vítima de suas “informações privilegiadas”: um fim de muita angústia!

Essa história envolvendo as denúncias de Francis contra dirigentes da Petrobras me lembra um conto de Machado de Assis com o título de “Suje-se gordo!”. Dois amigos conversavam no intervalo do segundo para o terceiro ato de uma peça teatral que versava sobre o tribunal do júri. Um dos amigos se confessou “contrário ao júri”, “não pela instituição em si”, que considerava liberal, mas porque lhe repugnava “condenar alguém”. Contou que, mesmo assim, “serviu duas vezes”. Na primeira, um moço era “acusado de haver furtado certa quantia, não grande, antes pequena” (esse tipo de crime estava, à época, sujeito a julgamento pelo júri). Machado conta que os debates entre acusação e defesa foram brilhantes. Mas a prova justificava plenamente a condenação e, por isso, não foi outro o resultado.

Chamou sua atenção, no entanto, a insistência com que determinado jurado se esforçava para que se condenasse o réu, logo, de imediato, sem maiores discussões. O que o revoltava era que fora “tudo por uma miséria”. E afirmava: “Quer sujar-se? Suje-se gordo!”. O narrador não entendeu de imediato o sentido dessa expressão. Só depois percebeu o seu (sutil) significado: “Suje-se gordo! era como se dissesse que o condenado era mais que ladrão, era um ladrão reles, um ladrão de nada”.


O erro de Francis foi meter-se num imbróglio em que os protagonistas seguiram à risca a recomendação do personagem machadiano: as negociatas ultrapassariam um bilhão de dólares.

Blog do Prof. Ozamir Lima - Designer: Segundo Freitas